Sobre
A Segunda Guerra Mundial foi um evento global de proporções extraordinárias cujas repercussões políticas, sociais e culturais continuam a impactar profundamente o mundo contemporâneo. No entanto, a representação cinematográfica desse conflito é marcada por acentuadas assimetrias: favorecidos por sua enorme capacidade industrial e pela posição econômica alcançada após o conflito, os Estados Unidos consolidaram uma indústria cinematográfica de alcance global, cujas produções massivas sufocaram as cinematografias dos demais países, fazendo com que a história fosse contada predominantemente pela ótica dos vencedores ocidentais.
Essa hegemonia consolidou no senso comum e na cultura popular uma percepção segundo a qual a intervenção norte-americana teria sido determinante para a derrota do nazismo, promovendo narrativas simplistas entre o bem e o mal e supervalorizando episódios como o Dia-D. A realidade histórica, contudo, demonstra que o núcleo central deste confronto global ocorreu na Frente Oriental, no duelo titânico entre a Alemanha nazista e a União Soviética, no qual as tropas soviéticas foram responsáveis pela esmagadora maioria das baixas infligidas ao exército nazista durante toda a guerra.
Ministrado pelo roteirista, diretor e estudante de História Luís Mário Fontoura, o curso O Cinema como Campo de Batalha: A Segunda Guerra nas Telas examina o cinema como instrumento de propaganda e indução ao ódio para impulsionar o esforço de guerra, abordando também os mecanismos de censura e controle ideológico presentes tanto nos regimes totalitários e autoritários europeus quanto nas democracias ocidentais.
O programa realiza uma análise por blocos nacionais (Estados Unidos, União Soviética, Alemanha, Itália, Reino Unido, França, Japão, Polônia e outras nações), estendendo-se até as produções contemporâneas, séries de ficção e documentários para a TV.
A metodologia pedagógica articula a exposição teórica com a exibição e análise crítica de cerca de 15 trechos selecionados de obras audiovisuais emblemáticas.
O curso faz parte de uma iniciativa que incentiva os alunos do Curso de História a exercerem o papel de ministrantes (docência) por meio de temas que possuem domínio ou formações paralelas.
Objetivos
Analisar criticamente a representação da Segunda Guerra Mundial no cinema, examinando as relações entre a linguagem audiovisual, a propaganda ideológica, os mecanismos de censura e a construção da memória histórica do conflito em diferentes contextos geopolíticos e nacionais.
Desconstruir visões simplistas e questionar a hegemonia das narrativas ocidentais, evidenciando a centralidade da Frente Oriental e da Batalha de Stalingrado em relação a episódios como o ataque a Pearl Harbor e o desembarque aliado na Normandia.
Mapear as características estéticas, históricas e ideológicas das cinematografias de diferentes blocos nacionais, incluindo Estados Unidos, União Soviética, Alemanha, Itália, Reino Unido, França, Japão e Polônia, entre outros.
Compreender o valor histórico e documental dos registros produzidos por cinegrafistas de combate e sua articulação em obras cinematográficas historicamente rigorosas.
Programação
Ideologia, Propaganda e o Bloco Ocidental
• Geopolítica do Cinema de Guerra: A hegemonia industrial de Hollywood, a construção da memória ocidental do conflito e a centralidade da Frente Oriental.
• Propaganda e Censura: O cinema como ferramenta de indução ao ódio e controle de conteúdo em democracias e regimes autoritários.
• Cinegrafistas de Combate: Os registros documentais de linha de frente e seu valor histórico e estratégico.
• As Cinematografias Ocidentais:
Estados Unidos: Pearl Harbor, atuação em duas frentes e a segregação racial nas forças armadas.
Reino Unido: A Batalha da Grã-Bretanha, a quebra do código ENIGMA e a guerra de inteligência.
França: A derrota de 1940, o cotidiano da ocupação e os dilemas morais da Resistência.
A Frente Oriental, os Países do Eixo e as Releituras Contemporâneas
• União Soviética (A Grande Guerra Patriótica): O impacto das perdas humanas, o foco no soldado comum, a inevitabilidade do sacrifício e o protagonismo feminino no combate.
• Alemanha: A representação do soldado como vítima de seu destino e o debate em torno da humanização de Adolf Hitler em A Queda.
• Itália: O colapso do fascismo, a ocupação alemã, os partigiani e a revolução do Neorrealismo (Rossellini, De Sica, Visconti).
• Japão e Polônia: A tragédia nuclear, os bombardeios civis e o doutrinamento imperial no Japão; a destruição de Varsóvia e a filmografia de Andrzej Wajda.
• Outras Nações e a FEB: O conflito sob a ótica de cinematografias periféricas e a campanha da Força Expedicionária Brasileira na Itália.
• Séries e Documentários de TV: A narrativa seriada como panorama histórico amplo.
Pré-requisitos
Não há.
Interessante para
Alunos do Curso de História.
Sobre o(a) ministrante/palestrante
Daniel Oliveira
Jeane Zardo
Luís Mário Jobim Fontoura
Promoção
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos
Unidade Acadêmica de Graduação
Curso de História - EaD
Cursos de Curta Duração