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SAIBA COMO CONSTRUIR DE FORMA SUSTENTáVEL

08 de setembro de 2016, 14:38:14 |
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Uma obra sustentável é aquela que segue um processo construtivo ambientalmente responsável, a fim de minimizar os impactos negativos sobre o meio ambiente e promover a economia dos recursos naturais. Os empreendimentos concebidos sob essa ótica também demonstram um compromisso social, pois buscam a melhoria na qualidade de vida daqueles que ocupam suas instalações.

 

A obra sustentável compreende um conjunto de práticas que começa no planejamento e vai até o acompanhamento pós-construção. O coordenador da Graduação em Engenharia Civil da Unisinos, professor Daniel Reis Medeiros, dá dicas sobre como proceder em todas as etapas operacionais. Confira:

 

Em relação aos materiais

 

  • Buscar informações junto aos fabricantes para conhecer a composição dos produtos.

 

Documentos como a Declaração Ambiental do Produto (EPD – sigla em inglês para Environmental Product Declaration) são cada vez mais solicitados. Nessa declaração, constam informações sobre as matérias-primas que compõem o material, incluindo dados a respeito de extração e fabricação.

 

Uma outra certificação que está ganhando peso no mercado é a Cradle to Cradle (C2C), que pode ser traduzida como do berço ao berço. Nela, todos os ingredientes que compõem o material devem ser declarados e há uma lista de produtos químicos banidos. A preocupação fundamental da C2C é em relação à saúde de quem irá ocupar o prédio.

 

  • Dar preferência a materiais que reaproveitem resíduos em sua composição – desde, é claro, que esses resíduos não ofereçam risco aos ocupantes.

 

Para a madeira, é interessante conhecer a sua procedência e dar preferência àquelas que possuem certificação de manejo florestal (FSC). Para materiais de acabamento (tintas, adesivos, carpetes), priorize produtos com baixa concentração de COV (compostos orgânicos voláteis), no intuito de garantir um ambiente mais saudável aos ocupantes.

 

Antes da obra

 

  • Planejar, com antecedência e responsabilidade ambiental, a sequência das atividades e a disposição da estrutura provisória no canteiro de obras.

 

Neste momento, preveja: área para disposição e separação de resíduos; entrada e saída de veículos em local que não interfira nas operações do canteiro de obras; estrutura para

lavagem das rodas dos veículos – para evitar rastro de barro na via pública; coleta de água da chuva para uso não-potável nas instalações provisórias do canteiro de obras.

 

Outra questão está relacionada ao consumo de água potável. Projetos que consideram o aproveitamento de água da chuva ou o tratamento e a utilização de águas cinzas para fins não-potáveis – como irrigação do paisagismo e descarga de bacias sanitárias e mictórios – serão mais eficientes e terão custo menor de operação. Geralmente, os investimentos realizados em eficiência hídrica e energética apresentam um retorno sobre o investimento em curto prazo.

 

  • Prever quais sistemas permitirão menor consumo ao longo da vida útil do prédio.

 

Os sistemas podem ser divididos em: climatização (refrigeração, aquecimento, ventilação mecânica ou natural); iluminação (luminárias, lâmpadas, luz natural); equipamentos (bombas, motores elétricos); envoltória (paredes externas, vidros, isolamento de cobertura).

 

Busque composições que tenham maior eficiência. Pense, por exemplo: “Qual sistema de ar condicionado com qual tipo de vidro e lâmpada será capaz de trazer o menor consumo possível, considerando as condições climáticas do projeto?”.

 

Durante as atividades

 

  • Proteger a rede de drenagem pluvial.

 

Em dias de chuva, evite que o solo exposto seja carregado para fora dos limites do terreno e que venha a contaminar redes pluviais. Mantenha o controle sobre a drenagem do terreno.

 

  • Dar preferência para estruturas pré-moldadas e minimizar a geração de poeira.

 

O uso de estruturas de concreto pré-moldadas pode ser interessante para minimizar os impactos da fabricação de concreto em obra. Em dias muito secos, a geração de poeira pode ser um incômodo. Nesse caso, umedecer o solo exposto com água não-potável é uma boa alternativa.

 

  • Conservar os materiais no canteiro de obras.

 

Proteger os materiais é fundamental para garantir sua qualidade no momento da instalação. Para dutos de ar condicionado, proteja tubos sem fechamento e grelhas contra a incidência de poeira. Lembre-se também de lavar as rodas dos veículos que saem do canteiro de obras para garantir a limpeza do entorno.

 

Finalização e pós-obra

 

  • Fazer uma boa limpeza.

 

A limpeza final garante a qualidade dos ambientes entregues. Se houver tempo disponível antes da entrega da obra e ocupação do prédio, permitir a liberação dos COVs dos materiais de acabamento, por intermédio de exaustão, aumenta a qualidade dos ambientes.

 

  • Testar desempenho de sistemas.

 

É importante realizar testes nos sistemas que consomem energia (ar condicionado, lâmpadas, elevadores, equipamentos em geral) para verificar se estão calibrados e funcionando conforme as especificações do projeto.

 

Empreendimento sustentável

 

A ampliação do Campus Unisinos Porto Alegre exemplifica como uma obra pode ser sustentável. Saiba quais foram as preocupações da Universidade na construção desse empreendimento e confira o resultado em 2017, quando as aulas começarem:

 

Telhados verdes: compensam parcialmente a área impermeável utilizada pela edificação, além de oferecerem diferencial estético e desempenho termoacústico. Também acumulam parte do volume de água das chuvas e diminuem a quantidade de água pluvial a ser depositada nas redes públicas de drenagem, que já são bastante sobrecarregadas;

 

Área verde: na esquina da Avenida Nilo Peçanha com a Avenida Sociedade Libanesa, há uma área verde, cujos vegetais são preservados pela Universidade. Além disso, mais de cem mudas de espécies diversas ainda serão plantadas no local;

 

Fachadas ventiladas: sistema que faz a função de invólucro da obra, responsável por reduzir sensivelmente a carga térmica no interior do prédio e diminuir o consumo do sistema de refrigeração. Composto por estrutura metálica, isolante térmico e réguas cerâmicas, é aplicado nas fachadas leste e oeste, onde há significativa incidência solar.

 

Sistema de ar condicionado: o campus trabalha com a água gelada que é “gerada” pelos chillers instalados na cobertura do prédio educacional. Funciona assim: a água gelada circula pelo sistema de refrigeração até chegar aos fan coils, equipamentos responsáveis por distribuir o ar climatizado para os ambientes (salas de aula, áreas administrativas etc.).

 

Para tornar o sistema mais eficiente, há um tanque de concentração de água gelada no 4º subsolo da edificação. Nesse pavimento, a troca de calor é minimizada, de modo a garantir maior inércia térmica. Assim, quando os equipamentos (chillers) precisam “produzir” novamente, eles utilizam o acúmulo do tanque e consomem menos energia para resfriar o líquido;

 

Águas de reuso: a construção prevê o reuso de água da chuva para irrigação dos telhados verdes e jardins. Esse sistema é composto por reservatórios e filtros de tratamento.