Profissionalismo Para Ensinar a Ler e Escrever

Pesquisa objetiva contribuir para o crescimento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.

Na Educação Infantil, quantas vezes ouvimos a palavra “docência” associada ao termo que, certamente, evoca dignidade, mas também remete a quem tudo sabe? Não é por acaso que, com um rótulo de tanta sapiência, mas que não estimula a busca por mais conhecimento, os professores das séries iniciais se transformam num meros repetidores de tarefas sem criatividade, que não consideram a especificidade dos alunos que há em sua frente e que simplesmente cumprem com o programa e com o cronograma. O aluno é o principal prejudicado e o resultado de seu processo inicial de aprendizagem de leitura e escrita irá se refletir ao longo de sua vida.

Com a certeza de que essa realidade pode – e deve – ser alterada, tendo como base o princípio de que “professor” é sinônimo de “profissional”, exigindo, portanto, capacitação continuada, a Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos estabeleceu uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação do município de Novo Hamburgo, no Vale dos Sinos, RS.

Dentro do programa Observatório de Educação, financiado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), a pesquisa por uma formação continuada cooperativa para o processo educativo de leitura e produção textual escrita no Ensino Fundamental está mudando drasticamente o dia a dia de cinco escolas de Novo Hamburgo.

O Desafio

Preocupada em reverter a queda de seu Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a prefeitura de Novo Hamburgo aliou-se ao PPG de Linguística Aplicada da Unisinos. Assim, para o grupo envolvido na pesquisa, o desafio é contribuir para o crescimento dos resultados desse município com relação às bases de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, um dos quais, o Inep. Novo Hamburgo tem 257.746 habitantes e população escolar de 21.498 alunos no Ensino Fundamental e 4.889 alunos na Educação Infantil. Os cinco estabelecimentos de ensino envolvidos são as Escolas Municipais José de Anchieta, Arnaldo Grin, Presidente Hermes da Fonseca, Eugênio Nelson Ritzel e Getúlio Vargas.

A solução encontrada

Como afirmam Ana Maria de Mattos Guimarães, coordenadora do PPG em Linguística Aplicada, e Dorotea Frank Kersch, no artigo A construção de projetos didáticos de leitura e escrita como resultado de uma proposta de formação continuada cooperativa, “(…) Para vencer as barreiras que imaginávamos existir, pensamos um processo de formação continuada cooperativa, em que o letramento acadêmico dos formadores interagisse com as práticas sociais dos professores e seus alunos”.

E elas continuam: “A ideia é, junto com nossos colaboradores, desenvolver propostas didático-pedagógicas que formem um novo educador, apto ao manejo crítico do conhecimento, capaz de estar à frente dos desafios educacionais do terceiro milênio. Ao final de quatro anos, espera-se que cerca de 100 professores de Língua Portuguesa da Educação Básica e 20 pós-graduandos estejam em ação na sala de aula com práticas renovadas e voltadas para a construção de objetos de ensino relacionados à leitura e produção textual, e, com isso, contribuir para o crescimento dos índices oficiais do município”.

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O resultado na sua vida

Um dos diferenciais do projeto é ele ser desenvolvido concomitantemente à ação, tendo os docentes como principais atores, refletindo sobre suas práticas. Importante ressaltar que não se trata apenas de colocar o professor em contato com as teorias de linguagem que embasam a proposta, mas explorá-las para minimizar sua possível frustração e impotência para lidar com teorias que desconhece. A leitura e a discussão dessas teorias é parte de um processo maior, de volta à ação escolar e de discussão (via chats, por exemplo) da prática dos conhecimentos. Dessa forma, a prática alimenta a teoria, num movimento de mão dupla.