Menopausa: Período de Transição

Projeto investiga a ocorrência de doenças crônicas na fase menopausal.

Uma fase natural na vida de todas as mulheres, a menopausa e o climatério, a transição do período reprodutivo ou fértil para o não reprodutivo, é muitas vezes negligenciada quando o assunto é saúde pública.

Até pouco tempo atrás, o tema menopausa não era intensamente abordado, pois a expectativa de vida das mulheres não passava muito dos 60 anos. Hoje, com os avanços da medicina e com melhores condições de vida, a população vem envelhecendo, e a proporção de mulheres adultas, dentro do período que compreende ao climatério, também vem aumentando, o que torna necessário uma atenção maior ao assunto.

Preocupadas em analisar melhor esse tema, um grupo de pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Unisinos, em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), desenvolve um projeto de pesquisa com mulheres na fase de transição menopausal com o objetivo de investigar a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis, como a Sindrome Metabólica e a obesidade com fatores associados. A pesquisa conta com a coordenação das professoras Maria Teresa Anselmo Olinto e Karina Mendes, com a participação das mestrandas Alice Rodrigues e Heloísa Theodoro e com a colaboração dos pesquisadores Dino De Lorenzi e Vera Vieira Paniz.

O desafio

A ideia surgiu depois que as pesquisadoras envolvidas no projeto começaram a perceber características semelhantes nas mulheres, na fase de transição menopausal, que procuravam o ambulatório de climatério e cirurgia ginecológica, vinculado ao ambulatório central da Universidade de Caxias do Sul. Intrigadas se as características reprodutivas e a transição menopausal tinham alguma relação com Síndrome Metabólica (diabetes, HDL baixo, circunferência abdominal aumentada, pressão alta e triglicerídeos altos), o grupo resolveu entender melhor o perfil dessas mulheres para que, a partir desse estudo, fosse possível identificar se haviam mesmo semelhanças entre elas, e quais eram essas semelhanças, com o objetivo de evitar, no futuro, casos como esses.

A solução encontrada

Através de um estudo transversal, com mulheres de 40 a 65 anos, não histerectomizadas e que não utilizaram terapia de reposição hormonal (TRH), o grupo fez uma pesquisa, por um determinado período, com as frequentadoras do ambulatório. Foi aplicado um questionário epidemiológico para investigar a história reprodutiva, alimentação, sintomatologia do climatério, hábitos de vida (fumo, álcool e atividade física), dados socioeconômicos, demográficos, avaliação de peso, altura, pressão e circunferência da cintura. Do prontuário dessas mulheres foram retirados os resultados de exames de sangue de rotina. Com isso, foi possível analisar quais as relações que essas variáveis tinham com o estado menopausal.

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O resultado na sua vida

Estudos preliminares já apontam para uma associação entre menarca precoce (menor de 12 anos) e maior número de gestações, com aumento na prevalência de obesidade abdominal e geral. Quanto a Síndrome Metabólica, foram identificados como fatores de risco a baixa escolaridade, menarca precoce e aumento da idade. Conhecer os sintomas determinantes dessas doenças é essencial devido ao impacto negativo que causam na saúde das mulheres no climatério. Por isso, o trabalho desenvolvido pelo grupo é de extrema importância. A prevenção é o melhor caminho para evitar que um sintoma, que poderia ser prevenido, se agrave com o passar do tempo.