0 Comentário em 4 - abril - 2014

O fotógrafo paulista Maurício de Paiva lançou na noite desta quinta-feira (3), em Macapá, o terceiro livro da carreira, intitulado ‘Rufar dos Tambores: Imagens e encontros afroamapenses’. A obra expressa através da visão do autor a cultura negra tradicional do Amapá, formada pela diversidade cultural e religiosa dos descendentes de comunidades quilombolas. O lançamento aconteceu em um shopping da Zona Sul de Macapá.

Fotografia presente no livro de Maurício de Paiva (Foto: Maurício de Paiva/Rufar dos Tambores)
Fotografia presente no livro de Maurício de Paiva (Foto: Maurício de Paiva/Rufar dos Tambores)

O livro traz cerca de 100 fotografias que relacionam a expressão negra com o modo de vida cultural observados em grupos de marabaixo, batuque, zimba e sayrê. As imagens foram registradas durante o tradicional Encontro dos Tambores, que reuniu em novembro de 2013 vários líderes religiosos durante a Semana da Consciência Negra, em Macapá.

Paiva explica que a inspiração para a publicação partiu da essência natural que tem para registrar a Amazônia. “A ideia nasceu de muitas viagens que já faço pela região ao longo de 12 anos, sempre focado na cultura do ribeirinho, do negro e do índio. E a obra veio para coroar esse pensamento, de que é essencial valorizar a cultura que é bastante rica”, ressalta o autor, que teve algumas das fotografias expostas durante o lançamento da publicação.

Publicação é o terceiro livro do fotógrafo Maurício de Paiva (Foto: John Pacheco/G1)
Publicação é o terceiro livro do fotógrafo Maurício de Paiva (Foto: John Pacheco/G1)

O livro, que é um projeto pessoal de Paiva, foi produzido em parceria com a Secretaria de Cultura do Amapá (Secult), e será distribuído em escolas e centros culturais como forma de representação histórico-cultural. O fotógrafo revela que a obra é apenas um eixo do conteúdo que produziu no Amapá. Ele promete para breve a publicação do restante do material.

Pai Salvino de Oxum acompanhou o lançamento do livro em Macapá (Foto: John Pacheco/G1)
Pai Salvino de Oxum acompanhou o lançamento do livro em Macapá (Foto: John Pacheco/G1)

Durante o lançamento e a exposição, as inspirações de Paiva foram representadas através de grupos de danças típicas. Líderes religiosos também acompanharam a obra, como o ‘Pai Salvino de Oxum’, integrante de culto da matriz africana, que viu no livro um elevador da cultura negra amapaense para todo o Brasil.

“Vi o livro e achei maravilhoso, o trabalho foi perfeito e retratou de forma fiel o nosso dia a dia. O valor cultural é minimizado quando podemos usar essa obra como maneira de diminuir o preconceito racial e religioso”, opinou Salvino.

A estudante Winny Tavares, de 29 anos, que estava de passagem pelo shopping, parou e acompanhou a exposição. Para ela, a cultura local precisa ser mais difundida entre os próprios cidadãos. “O amapaense muitas vezes se exclui da cultura do marabaixo quando não vê todo o contexto histórico que levou aquelas pessoas a celebrar a negritude todos os anos. O marabaixo não é só do laguinho, do Curiaú, é de todo o Amapá”, frisou.

Fonte: http://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2014/04/livro-conta-em-imagens-historia-e-cultura-negra-tradicional-do-amapa.html

categorias: Destaque, Reflexão

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