Encontrar outros caminhos e maneiras de ensinar, não validar apenas pensamentos prontos e voltados para grupos e com isso formar muito mais do que somente profissionais para um mercado de trabalho que visa cada vez mais a eficiência de seus empregados. Segundo o economista italiano Stefano Zamagni na edição nº 185 dos Cadernos IHU ideias, é esta a missão das universidades católicas na atualidade.

Uma renovação de sua própria identidade e dos três princípios fundamentais que sempre estiveram presentes nas instituições católicas: O dom como gratuidade, a geratividade e a reciprocidade. Portanto, os saberes deveriam ser muito mais e melhor compartilhados do que são hoje. Será que estamos muito longe dessa realidade na academia?

Quanto desse compartilhar recíproco, de uma busca realmente verdadeira pelo saber ainda os que existe nos campi universitários? Ou tudo tomou um caminho tão fortemente enviesado na visão economia que não seria mais possível retroceder? Sobre isso, Zamagni propõe, “Se queremos que a universidade seja uma comunidade tanto de estudantes quanto de docentes, precisamos encontrar formas práticas de implementar o princípio da reciprocidade.”

Impedir que questões de caráter puramente mercantil tomem o lugar do ensino que enriquece intelectualmente os alunos. O economista também comenta que hoje em dia quase não existem mais professores no sentido clássico do termo, pois este ser professor acaba implicando em deixar nos alunos um tom questionador e, no ponto de vista das instituições já altamente inseridas nesse tipo de pensamento globalizado, pouco útil. Já o instrutor seria algo bem mais próximo do racionalismo instituído nas universidades.

Surgida na Renascença, a universidade (studium) era instrumento de busca da verdade em contraponto ao poder do império. No século XVI, tornou-se fonte de ensino de estratégias militares. Séculos depois, nos Estados Unidos, se rende a ótica da economia e do lucro e desde então perdeu muito de sua real identidade servindo à sociedade e às empresas como fonte de mão de obra especializada.

Zamagni frisa que vivemos um jogo dentro dos centros de ensino. Jogo este que é baseado na competição e nunca na cooperação, “Por que os pesquisadores estão jogando um jogo competitivo ao invés de um jogo cooperativo? Por causa da eficiência que hoje em dia se tornou o novo Deus. Olhemos para o que está acontecendo na atual crise financeira. Para estimular a eficiência, criou-se um jogo altamente competitivo. Em termos técnicos, falamos sobre competição posicional, e não sobre competição cooperativa.”

Usando o mito de Ulisses, que se amarrou ao mastro do navio para não ser afetado pelo canto das sereias, ilustra a racionalidade que está instaurada na universidade moderna e a participação de Orfeu com sua lira na jornada de Jasão em busca do velocínio de ouro, pois com sua música pôde neutralizar o efeito do canto das sereias, Stefano mostra que o pensamento que temos a respeito de como as universidades deveriam ser é totalmente diferente do que ela realmente é, por essa razão é necessário que haja uma reformulação desse modelo.

Os Cadernos IHU ideias podem ser adquiridos diretamente no Instituto Humanitas Unisinos – IHU ou solicitados pelo endereço humanitas@unisinos.br.

Informações pelo telefone 55 (51) 3590 8247.

A partir de 5 de maio de 2013 esta edição estará disponível na íntegra, no sítio do IHU, em formato PDF.

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