“Então é Natal, e o que você fez?” O advento, período litúrgico que antecede o Natal, nem começou ainda, mas os shoppings e supermercados já estão enfeitados e promovendo o consumo excessivo muito comum nessa época. Isso gera algo que pode ser chamado de “Tensão Pré-Natal”. Em notícia reproduzida no sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, a jornalista Denize Guedes apontou como essa antecipação da comemoração afeta a vida das pessoas: “A professora do Departamento de Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Isabel Labate diz que a decoração antecipada de Natal pode dar a impressão de uma distorção no tempo. ‘Parece que o ano já acabou. Mas ainda restam dois meses.’’’

O psicólogo clínico Walter Mattos, membro do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica por que o Natal é uma data “desestruturante” para muitos. Ele diz que o Natal é um marco de transição do ano que leva as pessoas a refletirem sofre o que elas fizeram no ano que finda. “Há também o ideal psíquico de união familiar, muito usado pelo comércio, o que pode entrar em conflito com a realidade vivida por alguns. Um terceiro fator é o descolamento do significado da data. Como defesa, o indivíduo compra”, explica.

Também é nessa época do ano que surgem diversas matérias em jornais incentivando o consumo e apontando a principal consequência da falta de controle: a dívida. “Os consumidores estão utilizando uma parcela cada vez maior dos seus salários para pagamento de dívidas bancárias. Dados do Banco Central mostram que o valor total das prestações a serem pagas pelas famílias brasileiras em julho deste ano correspondia a 22,42% da sua renda. Isso significa que, na média, quase um quarto dos ganhos das pessoas é utilizado para pagar essas dívidas”, constatam Eduardo Cucolo e Célia Froufe em notícia reproduzida no sítio.

Então é quase natal, e o que você fez?

Por Natália Scholz

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