Foto: Luana Taís Nyland

“As Conferências anteriores mostram que houve pequenos avanços, os acordos tem pouco valor, o cenário ambiental ficou pior devido as secas, chuvas intensas, biomas e biodiversidade ameaçadas”, disse Dieter ao se referir sobre as expectativas para a Rio+20 e as questões de recursos hídricos, baseando-se em um contexto histórico.
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O Professor Doutor Dieter Wartchow (foto), após conceder uma entrevista para a Revista IHU On-Line, compareceu ao evento IHU Ideias nesta última quinta-feira (24/05), para abordar o tema “Rio+20 e recursos hídricos: tecnologias sustentáveis no tratamento de águas residuais”. Durante sua palestra, o professor disse que há problemas geopolíticos, pois cada país defende sua economia, seus pontos de vista, as propostas são fragmentadas, não transversais, e não consideram as singularidades do ambiente, esses problemas atingem também os rios.
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A ausência de compromissos causa impactos das mineradoras sobre mananciais de água doce, causando tragédias que se repetem nos rios. O professor questiona “Até quando vão ocorrer essas tragédias?” e cita o exemplo da tragédia dos peixes no Rio dos Sinos, em 2006.
Dieter explica que as tragédias ocorrem devido aos cenários de um cotidiano de seca e inundações, cujas variações climáticas são extremas.
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Foto: Luana Taís Nyland

.O professor fez outro questionamento: “Qual é o ciclo da vida de um indivíduo?” e completou argumentando que a análise do que o indivíduo faz é importante para alcançar objetivos referentes ao meio ambiente. “Todos deveriam fazer a sua parte para que nós, num novo contexto social e político, possamos empreender novos valores. A intenção da Rio+20 é boa, as propostas são boas, mas falta, de fato, a ação. Talvez, tenhamos nós, uma responsabilidade muito maior do que pensamos que podemos empreender. Temos um grande desafio na busca da sensibilização de quem toma decisões”, solicita Dieter.
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“Nós temos que estabelecer uma nova cultura de projetos que não precisam ser sofisticados”, disse o Professor Dieter, que logo após utilizou uma citação de Eduardo Galeano “Somos água e se a defendemos, defendemos a vida”. O professor enfatizou que ainda não compreendemos que o trabalho começa dentro de casa com pequenos gestos, separando o lixo, por exemplo.
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Dieter Wartchow
finalizou a palestra com um aviso: “Precisamos saber que tecnologia não é só uma máquina, é um processo, uma forma de fazer as coisas e nós não devemos ser passivos ou indiferentes a tudo que acontece ao nosso redor, mas devemos protagonizar, mudar a mente para progredir, criar, construir uma perspectiva de futuro, pois, aqueles que não mudam sua mente, não serão capazes de mudar nada. Para haver sustentabilidade é preciso criar um equilíbrio, utilizar recursos naturais para colaborar com as gerações futuras. Cada um deve fazer a sua parte”.

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Por Luana Taís Nyland
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