Joseane M. Schuck Pinto, graduada em Direito pela Unisinos e aluna da especialização em Direito na mesma universidade, iniciou sua fala no IHU ideias A hospitalidade frente ao processo de reassentamento solidário aos refugiados trazendo dados históricos sobre os refugiados no mundo, no Brasil e no Rio Grande do Sul.

Ela ressalta a diferença entre refúgio e asilo, sendo o primeiro um instituto jurídico internacional com alcance universal e uma medida humanitária, já asilo é um instituto jurídico regional, tendo alcance na região da América Latina, com medida essencialmente política. Para conceituar estrangeiro, Joseane utiliza Jacques Derrida, que diz ser o estranho a língua de direito no qual está formulado o dever de hospitalidade.

Com dados de 2012, traz o panorama regional. “O estado tem o maior número de reassentados do país, aproximadamente 250 pessoas, que residem em 13 municípios: Sapucaia, São Leopoldo, Sapiranga, Santa Maria, Passo Fundo, Guaporé, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Serafina Corrêa, etc.”, afirma.

A palestrante possui forte interesse pela temática envolvendo os refugiados e em relação aos direitos humanos e seu trabalho discorre sobre a hospitalidade da Associação Antônio Vieira – ASAV, mantenedora da Unisinos, no processo de acolhimento dos refugiados no estado do Rio Grande do Sul. “O trabalho desempenhado pela ASAV tem a participação da universidade no desenvolvimento deste processo, valendo-se do sentimento humanitário. Há problemas de integração dos refugiados na nossa sociedade e a valorização e difusão da cultura dos refugiados que aqui se encontram é fundamental. Os pré-conceitos e percepções negativas podem ser neutralizados com conhecimento qualificado e disponível. E o acolhimento despendido, nos remeterá a hospitalidade”. Joseane acrescenta que é muito importante falar de hospitalidade quando se trabalha com refugiados, conceito trabalhado pelo teólogo Leonardo Boff. “Por questões políticas, na atual configuração mundial, a tendência é aumentar o número de refugiados”.

Para finalizar, traz uma reflexão de Luiz Paulo Teles F. Barreto, secretário-executivo do Ministério da Justiça: “É possível que, no futuro, outras gerações jamais consigam entender como o homem do final do milênio, que rompeu fronteiras com a globalização, que aproximou as distâncias com as redes de informática, que esbanjou tecnologia, não conseguiu evitar que milhões de semelhantes em desespero, atravessassem fronteiras em busca de um único bem: a liberdade.”

Por Mariana Staudt

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