“De 32 milhões de brasileiros, ainda subsistem 16 milhões em estado de insegurança alimentar e nutricional; mas a presunção nos leva a acreditar que em menos de duas décadas resolvemos uma calamidade que perdura desde 1500”, afirma o bispo emérito da diocese de Duque de Caxias – Rio de Janeiro, Dom Mauro Morelli, que esteve no Instituto Humanitas Unisinos – IHU na última quarta-feira (26) para ministrar a palestra Direito Humano ao Alimento e à Nutrição no Contexto Mundial das Metas do Milênio.

Durante sua fala, Dom Mauro, que há anos dedica-se a solucionar os problemas da fome e da miséria no Brasil, relembrou momentos de sua trajetória fazendo relações com o tema em debate e colocou-se contra o combate da pobreza. “Não cheguei a passar fome nem viver na miséria, mas na pobreza, sim. O problema do mundo para mim é a riqueza, o acúmulo das coisas”, afirma e complementa que “a pobreza é a virtude que o Evangelho propõe, principalmente, hoje. É viver com dignidade, sem desperdícios, sem acúmulos. O desafio é combater as grandes fortunas, mexer nessa disparidade e ter um mundo modesto, que não acumula e não exclui”.

Possuidor também do título honroso de promotor de nutrição da ONU, o bispo emérito diz que fazer caridade não é um pagamentos pelos pecados. “Aquele que tira da boca para dar para o outro é uma pessoa divina, iluminada, que ultrapassou o egoísmo. Não se deve tratar como assistencial o que é um direito. A assistência ajuda a enfrentar a crise, para então seguir sozinho. Ela é justa e necessária, mas não é a solução”, salienta.

Dom Mauro defende a alimentação saudável, adequada e solidária. “Nem todo alimento nutre. O problema é a mercantilização do alimento. O que conta é a produtividade, a aparência”. Ressalta, também, a importância da educação alimentar. “Mudar os hábitos alimentares é uma opção de vida. Temos que fazer uma opção pela vida. Povo saudável é inteligente, criativo e bem humorado”.

Por Mariana Staudt

Fotos: Natália Scholz

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