Para o jornalista Austen Ivereigh, a prática da reforma do Papa Francisco e suas evidências dependem do “quanto a Igreja está disposta a incorporar, em sua cultura e em suas estruturas, a reforma à qual Francisco está convocando os católicos”. Segundo ele esta “ainda é uma questão em aberto“.

Foto: ultimosegundo.ig.com.br

Em entrevista concedida por e-mail à revista IHU On-Line, nº 465, Ivereigh, também filósofo, confessa que três palavras poderiam definir Francisco: peronista, jesuíta e reformador, constituindo assim as características de Bergoglio, que, como argentino, foi influenciado pelo pensamento peronista.

Apesar de ver “o movimento peronista como a expressão legítima dos valores dos argentinos comuns”, Ivereigh ressalta que isso não fez do pontífice um pró-peronista acrítico, tendo criticado fortemente nomes como Menem e Kirchner. O jornalista acredita que Francisco merece o título de “reformador” não só pelo que propõe no Papado, mas pela história de mudanças que vem fazendo ao longo dos séculos.

Ivereight é autor do livro The Great Reformer: Francis and the Making of a Radical Pope [O Grande Reformador. Francisco e a construção de um Papa radical, em tradução livre], onde produz uma pesquisa para analisar o fenômeno que é Francisco. Por ser um tema pertinente a quem deseja compreender seu pontificado, o sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU vem publicando inúmeras resenhas do livro.

Segundo Ivereigh, o papa busca, inquietantemente, desde sua formação uma Igreja evangelizadora: “Francisco é profunda e inteiramente jesuíta de toda uma série de modos, mas, acima de tudo, em sua visão de reforma. Sob vários aspectos, a renovação que Bergoglio procurou implementar dentro da Província jesuíta argentina estava baseada na Companhia de Jesus primitiva”.

Foto: Brandonvogt

Austen Ivereigh vive em Londres. Foi editor da revista britânica The Tablet e diretor de Assuntos Públicos do ex-arcebispo de Westminster, o cardeal Cormac Murphy-O’Connor. Fundador e coordenador do Catholic Voices, que capacita as pessoas a colocar o caso da Igreja Católica nos meios de comunicação, ainda contribui para revistas e jornais.

A entrevista está disponível online, para acessar clique aqui.

Por Nahiene Alves

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