Afinal, Paulo era contra a mulheres? É a essa questão que o teólogo suíço Daniel Marguerat, professor emérito de Novo Testamento da Universidade de Lausanne, na Suíça, se dirige na edição 55 dos Cadernos Teologia Pública, publicados pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

No início deste ano, Marguerat esteve presente na Unisinos para a programação da Páscoa IHU 2011,

Seu texto, intitulado São Paulo contra as mulheres? Afirmação e declínio da mulher cristã no século I, busca analisar a “reputação antifeminista de Paulo”, que hoje já é “praticamente definitiva: com o tempo ela adquiriu, por assim dizer, o estatuto de um artigo de fé”.

Portanto, sob o viés de uma leitura feminina de suas cartas, quem é São Paulo: “o líder de uma utopia libertária ou o utensílio de um conservadorismo rasteiro?”. Para Marguerat, presidente da Studiorum Novi Testamenti Societas e da Federação das Faculdades de Teologia de Genebra-Lausanne-Neuchâtel, não se pode aceitar os dois, ou diferenciá-los cronologicamente, pois isso seria atribuir-lhe uma dupla moral. Já “remeter o apóstolo a suas duas culturas, a judaica e a grega, dilacera a pessoa”.

“Meu ponto de vista é que não se pode retirar de Paulo a paternidade consciente de nenhum dos dois polos; seu pensamento está, pois, em forte tensão. O homem é dividido. Creio que Paulo, porém, com esta dupla posição vale mais do que sua reputação”, afirma o teólogo.

A edição impressa do Cadernos Teologia Pública nº 55 está disponível no IHU e na Livraria Cultural. Sua versão online estará disponível no sítio do IHU, a partir do dia 5 de agosto, no formato PDF. Mais informações, escreva para humanitas@unisinos.br.

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