Quando o pai da canoense Cristina Colares Pereira a matriculou aos 7 anos de idade no balé clássico, talvez não imaginasse que tal atitude selaria o destino de sua filha com a dança. Desde então, Cristina nunca mais abandonou as salas e os palcos, e fez da dança a sua vida.  “Tudo acontece quando posso interpretar meus sentimentos através da movimentação”, afirma a bailarina, professora e coreógrafa.

Com a separação de seus pais, Cristina passou a auxiliar sua professora de dança para poder pagar a mensalidade da escola. Aos poucos, começou a dar aulas em associações de bairros, escolas com atividades extraclasses e academias. Formou-se em Educação Física, especializou-se em Dança e hoje, aos 47 anos, faz parte do corpo docente do Colégio Estadual Marechal Rondon e tem sua própria escola, a Art & Dança Espaço Cultural, em Canoas – RS.

No Rondon, Tina, como é carinhosamente chamada por seus alunos, é professora de jazz, balé, estilo livre e a modalidade que mais faz sucesso, o hip hop dance. “A dança acontece no turno inverso e os alunos podem escolher se praticam esporte ou dança”, explica. Segunda ela, “o número de alunos foi aumentando nestes mais de 10 anos e hoje em dia são 12 grupos de dança, sendo três deles de competições. Todos são mistos, formados por meninos e meninas”.

Cristina transmite diariamente sua paixão pela dança para inúmeros alunos, o que torna o colégio destaque não apenas pelos diversos prêmios em festivais, mas também pelos profissionais que vem formando na área. “São mais de oito alunos que trabalham ou atuam na área da dança. Três formadas em Dança pela UERGS, duas acadêmicas em Educação Física, mas que atuam como bailarinas, e três acadêmicos de Dança da Ulbra”.  De acordo com Tina, a dança no colégio Rondon “tem se firmado como um grande pólo de jovens que almejam a dança para suas vidas como profissão”.

Mas não foi apenas para os seus alunos que a professora transmitiu sua maior paixão, sua filha, Carini Pereira da Silva, de 28 anos, segue hoje os passos da mãe. É bailarina, professora e acadêmica do curso de Dança da UERGS. Ambas dividem a administração da escola e com freqüência dividem o palco em apresentações no decorrer do ano.

“O movimento pelo movimento não é nada se não estiver diretamente ligado a expressão e ao sentir. O dia a dia, a sala de aula e todas as possibilidades que surgem é a mola propulsora, para mim, como profissional da dança. Cada passo descoberto, sentido e expresso revigora e faz um novo surgir”, finaliza Cristina.

Foto [2]: Gabriela Milara

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