“A ditadura como um todo nos relegou uma cultura do medo instalada no sentido de que determinados assuntos não podem ser debatidos”, afirma o presidente da Comissão Nacional de Anistia e secretário nacional do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, na entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line, em 2011.
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Jair Krischke, também em entrevista concedida à revista, acentua que “a verdade completa sobre o terrorismo de Estado brasileiro precisa vir à tona”. Segundo ele, “muito se fala em reconciliação da sociedade brasileira, mas esquecem-se de que, para haver uma verdadeira reconciliação, faz-se necessário, fundamental mesmo, o autor da ofensa reconhecê-la como de sua autoria, arrepender-se e pedir perdão à vitima. Com o ânimo ainda existente nas forças armadas brasileiras, seria possível esperar este gesto?” E completa: “Historicamente, os militares sempre se dão bem no Brasil, mesmo quando praticam crimes os mais horrendos”.
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O dia 26 de junho é considerado o Dia Internacional de Apoio às Vítimas da Tortura e o IHU produziu diversos materiais sobre o tema. Um deles foi a entrevista com Aldo Vannucchi, tio de Alexandre Vannucchi Leme, estudante da USP, que foi torturado e morto pelo regime militar brasileiro em 1973, e se tornou um dos símbolos do movimento estudantil no combate à ditadura.
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Vannucchi Leme participava da Ação Libertária Nacional – ALN, que reunia tanto católicos como não católicos, marxistas e não marxistas. “Alexandre não era marxista; era católico de família católica, mas viu na ALN um caminho válido de afirmar a sua vontade de libertação do povo naquela altura da nossa história”, relata Vannucchi. O jovem foi preso pela Operação Bandeirantes em 16 de março de 1973, e em seguida torturado até a morte.
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O filósofo Castor Ruiz pondera que “o Estado que compactua com o esquecimento da violência cometida por seus funcionários, instituições e estruturas permite a reprodução da barbárie como normalidade política, além de transmitir sensação de impunidade”.
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É extremamente importante relembrar os casos de vítimas de tortura, apoiar os parentes e abrir os olhos da sociedade para o que ocorreu no Brasil e ainda ocorre.
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Confira alguns de nossos materiais produzidos sobre o tema:

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