Mártires da UCA: um legado

Em novembro 16, 2011 Comentar

Já se passaram 22 anos desde o dia 16 de novembro de 1989. Aquela noite, que entrou para a história dos movimentos sociais e da Igreja da América Latina, marca o brutal assassinato de seis jesuítas da Universidade Centro-Americana – UCA, a cozinheira da residência e sua filha de 15 anos.

Elba e Celina Ramos, mãe e filha, e os jesuítas Armando López, Ignacio Ellacuría (então reitor da UCA), Ignacio Martin-Baró, Joaquín López y López, Juan Ramón Moreno e Segundo Montes foram crivados de balas pelo Batalhão Atlacatl, do Exército salvadorenho, no jardim da residência dos jesuítas. Esse batalhão era compostos por homens treinados pela Escola das Américas, dos EUA.

Jon Sobrino, outro jesuíta que morava na mesma residência mas escapou do massacre por estar em viagem à Tailândia, afirmou que, na UCA, a inspiração cristã dos jesuítas era “algo central, […] aquilo que dava vida, direção, ânimo e significado a todos os nossos trabalhos, e […] algo que também explicava os riscos que a universidade continuamente corria. […] Através da fé cristã vivida dessa forma, a universidade se fazia mais salvadorenha”.

E, por isso, cada um deles, a partir de suas mais diversas áreas acadêmicas e práticas sociais, “incomodavam” o governo salvadorenho.

Segundo Sobrino, seus coirmãos deram ainda mais visibilidade à chamada “Igreja dos pobres”: a Igreja “mais ativa e criativa, […] mais comprometida com as justas causas populares. É a que mais fomenta a comunidade para superar o mal endêmico do individualismo, também religioso. É a que gera mais esperança para superar a resignação. É a que mais unifica o salvadorenho e o cristão. Certamente, é a que gera mais misericórdia, mais justiça, mais compromisso e mais amor pelo povo que sofre”.

Por isso, diversas são as homenagens – 22 anos depois – aos seis jesuítas e às duas mulheres assassinadas. Além dos eventos realizados pela própria UCA, a Universidade Ibero-Americana de Puebla, no México, promove o Colóquio Internacional “O legado jesuíta: Da América Central ao mundo”, entre os dias 14 e 18 de novembro. O evento também é uma homenagem a Sobrino, por suas contribuições à teologia da libertação.

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Dentre a programação, destacamos as quatro mesas redondas:

  • Herança e continuidade na defesa dos Direitos Humanos, com Benjamín Cuéllar (UCA), Oscar Castro Soto (Ibero) e David Morales (diretor-geral de Direitos Humanos do governo de El Salvador);
  • A herança intelectual jesuíta para a construção democrática, com Juan José García (vice-ministro do Ministério de Relações Exteriores de El Salvador), Roberto Rodríguez (da Secretaria Técnica da Presidência de El Salvador) e Helena Varela (Ibero).;
  • Legado teológico da comunidade da UCA e novos horizontes, com Javier Ulloa (Seminário Batista do México), Dan González (reitor da Comunidade Teológica do México) e Edgar Cortéz (Instituto Mexicano de Direitos Humanos e Democracia);
  • Os jesuítas, atores políticos do seu tempo, com José Luis Benítez (Cátedra Ignacio Ellacuría da UCA), Víctor Flores García (Cátedra Ignacio Ellacuría S.J. da Ibero) e Rubén Aguilar Valenzuela (ex-jesuíta e ativista político em El Salvador e México).

Além das mesas, o Colóquio conta com grandes conferências de Jon Sobrino (dia 14), de Héctor Samour, secretário de Cultura de El Salvador (dia 15), e de Almudena Bernabéu, do Center for Justice and Accountability, dos EUA (dia 16).

Veja a programação completa aqui.

Assista aqui a um vídeo que relembra o martírio dos jesuítas e de Elba e Celina Montes:

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