O perigo das lavouras

Em outubro 1, 2012 Comentar

Quando vamos ao mercado buscar frutas ou legumes tentamos escolher sempre o que nos parece mais fresco e de tamanho maior e raras vezes nos preocupamos com a procedência do alimento ou qual foi a maneira do seu  cultivo e quanto de defensivo agrícola foi utilizado nesse processo.

Neste ano, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no uso de agrotóxicos, isso se deve ao crescimento no plantio da soja no país e o grão é o alimento que mais precisa de agroquimicos para sobreviver, pois a partir do momento que é exposto a temperaturas altas e umidade, o que facilita a proliferação de vírus, bactérias e ervas daninhas, é necessário o uso desse tipo de produto para a proteção das plantações.

Juntamente com a soja, o milho, a cana e o algodão são os cultivos que mais demandam defensivos agrícolas, resultando numa parcela de intoxicação desses alimentos. Nos cultivos e café, feijão e arroz eles também são usados, mas em menor escala. Das 2,5 milhões de toneladas usadas no mundo, no Brasil são consumidas em média, 130 mil toneladas de defensivos anualmente. De acordo com a Embrapa.

O integrante do grupo de trabalho Sáude e Ambiente da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva – Abrasco, Fernando Ferreira Carneiro, em entrevista concedida à IHU On-line, comentou sobre o uso em larga escala dos agrotóxicos nas lavouras brasileiras. De acordo com ele, o país tem grandes incentivos de vários âmbitos sociais: “A nossa análise é de que o Estado brasileiro apoia o agronegócio, porque ele é forte no campo legislativo – basta ver a Bancada Ruralista –, é forte no campo econômico – veja os financiamentos que eles recebem –, é forte no campo jurídico – veja quem são os punidos pelos assassinatos e violência nos campos –, e é forte na mídia”

Os custos a saúde do brasileiro são grandes. Estima-se que cada um de nós consuma em média 4,5 litros de agrotóxicos contido em hortaliças por ano  e ainda não se sabe quanto tempo levará até que a Política Nacional da Agroecologia realmente surta efeito. Quanto a isso, Carneiro questiona:  “Em algum momento teremos de decidir qual será a nossa situação no mundo: uma grande lixeira tóxica, como está na reportagem de capa da revista Ciência da semana passada, onde quatorze agrotóxicos proibidos em outros países são usados livremente no Brasil, o maior consumidor de agrotóxicos do planeta; ou se o país quer se tornar o maior produtor de alimentos saudáveis do mundo. Qual o papel que o país quer ter? Produzir a qualquer custo?”

Por Wagner Altes      

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