O mais incômodo dos hóspedes não cessa de mover nosso chão e certezas. Quais são os valores e uma ética comum a todos os seres humanos? Que espaço sobra para a solidariedade numa sociedade marcada pelo relativismo? Enfim, trata-se de mercadejo ético ou da emancipação e da salvação?

A temática do niilismo é recorrente nas edições da Revista IHU On-Line. O assunto foi abordado pela primeira vez em 2006, na edição 197, sob o título A política em tempos de niilismo ético. Que tipo de política pode surgir quando são aceitos como “menores” crimes do colarinho branco ou mesmo fraudes eleitorais?

Em 2010, diversos pesquisadores analisaram o niilismo e o relativismo de valores que vem em seu corolário.

Assim, na edição 354, a IHU On-Line intitulou-se Niilismo e relativismo de valores. Mercadejo etico ou via da emancipacao e da salvacao?. Bolhas de sabão ilustravam a capa, metaforizando a fragilidade não apenas dos valores e de nossa sociedade como um todo nas suas mais variadas instituições, mas das próprias certezas e respostas que nos norteiam. Afinal, o que há de fundamento por trás de um todo movente, no qual o horizonte foi apagado, como Nietzsche vaticinou há dois séculos?

Vinte edições mais tarde, em setembro de 2011, trouxemos à discussão o legado do filósofo jesuíta Henrique Cláudio de Lima Vaz, analisando seu sistema como uma resposta ao niilismo ético. Para o filósofo Rubens Godoy Sampaio, em toda sua obra de estrutura triádica, Lima Vaz promove uma invectiva contra o niilismo, procurando superá-lo.

Mais do que respostas prontas e acabadas, é preciso aceitar a provocação nietzschiana contida na epígrafe do quinto livro da Gaia Ciência, de autoria do General Turénne: “Tremes, carcaça? Tremerias ainda mais se soubesses onde vou te levar”. Não ficarmos paralisados frente ao incerto, ao desconhecido, ao erro e ao comodismo. Ao invés do pessimismo schopenhaueriano, a afirmação incondicional da vida e de suas facetas luminosas e sombrias. Numa época de contornos borrados, cabe a cada sujeito ajuda a redesenhar o horizonte.

Por Márcia Junges

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