A figura da mãe eternizada como fonte de carinho e exemplo máximo de bondade aos filhos já não é mais um consenso. Novas versões femininas fazem com que a família se transforme e compreenda o papel materno de outra forma e/ou de múltiplas formas.

Nesse embate sobre o atual papel de mãe e mulher, a IHU On-Line aproveita o dia dedicado a elas e convida especialistas para um debate sobre a importante figura que influencia tanto na vida dos seres humanos.

O psicólogo e doutor em Filosofia Mário Fleig repensa as novas características da família. Analisando a falta do homem e a supremacia da mulher, ele afirma que “a família moderna, desfalcada do pai, propicia condições favoráveis para a estagnação da maturação subjetiva e para eclosão da psicose”. Do outro lado, a psicóloga e doutora em Psicologia Luciana Grzybowski polemiza ao questionar a ideia de que a mãe é a melhor cuidadora das crianças. “Isso faz parte do mito do amor materno e de todas as representações e práticas sociais relativas às questões de gênero de nossa sociedade patriarcal, mas não é uma realidade totalizante”, diz.

Na visão contemporânea, a mãe parece mais uma parceira dos filhos do que a figura clássica de uma serviçal que está completamente à disposição da família, afirma o doutor em Educação Alfredo Jerusalinsky. Ele afirma que “se, por um lado, isto aumentou significativamente seu grau de liberdade, ao mesmo tempo, a deixou fortemente implicada nas consequências que suas decisões terão sobre seu destino.”

A psicóloga Iara Camaratta Anton analisa as mudanças e os conflitos enfrentados pelas mulheres devido às oportunidades e experiências no campo afetivo, enquanto o psiquiatra Celso Gutfreind defende que a preparação para a maternidade ocorre no começo da própria infância, quando se fortalecem os laços entre mãe e filha na relação.

Sob o olhar antropológico, a pesquisadora e professora da PUCSP, Lucia Helena Rangel, discorre sobre o sentido da maternidade nas comunidades indígenas e o papel da mulher no centro da vida social e afirma “a mãe cumpre um papel-chave na formação dos vínculos sociais e de pertencimento a família e a um povo”.

O antropólogo Levi Marques Pereira também analisa as mulheres indígenas e enfatiza que a figura materna é fundamental na estrutura do povo Kaiowá. “Os homens compreendem que a figura materna é essencial para sua sociedade. Tal figura se inspira no comportamento dos deuses, que nos patamares celestes vivem com suas mulheres e filhos”.

Junto às entrevistas, publicamos depoimentos de algumas mulheres que se dividem nas diversas funções de ser mãe e profissional. Elas contam suas experiências de vida e falam do sentimento desenvolvido a partir da maternidade.

Ainda nesta edição, o filósofo e pesquisador inglês, David Pearce, questiona o consumo de carne e defende que a alimentação carnívora não é ética.

O sociólogo e professor da Unicamp, Josué Pereira da Silva, frisa a importância de instituir no país um programa de Renda Básica de Cidadania para garantir a igualdade e a seguridade social à população.

“Sol, fonte renovável de energia, de vida, de espiritualidade” é o tema da instigante entrevista com Enrico Turrini, engenheiro italiano, doutor em eletrotécnica e ex- presidente da associação internacional Associação Europeia para as Energias Renováveis – Eurosolar.

O Plano Nacional de Banda Larga é o tema do artigo de João Martins Ladeira, pós-doutorando no PPGCC da Unisinos e Lucas de Abreu Dias, estudante de Comunicação Social, publicidade e propaganda na Unisinos.

A versão eletrônica da IHU On-Line estará disponível nesta página, nesta segunda-feira, nas versões html, pdf e ‘versão para folhear‘, a partir das 16h.

A versão impressa circulará, na terça-feira, no câmpus da Unisinos, a partir das 8h.

A todas e todos uma boa leitura e excelente semana.

Uma resposta

  1. […] de março, o filme Melancolia de Lars von Trier contará com a presença do palestrante  Prof. Dr. Alfredo Jerusalinsky (APPOA) e dia 28 de março, o filme Homens e Deuses de Xavier Beauvois trará a ilustre presença […]

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