A política econômica desenvolvimentista, baseada no crescimento da produção industrial e na expansão da infraestrutura, foi o motor de indução econômica instalado no Brasil desde o primeiro governo Lula. No entanto, apesar dos avanços sociais e econômicos significativos, esse modelo é tido como deficiente por alguns economistas. João Sicsú é um destes críticos e compreende que esta política foi o que levou o país a mergulhar na profunda recessão que vivemos hoje. Para ele, os bons períodos de crescimento são apenas uma série de “coincidências” e de “sorte”.

Para Sicsú, além dos erros que levaram a essa grave crise econômica – desemprego, inflação e alta de juros –, que surge a partir de uma crise política, há ainda os problemas de orientação econômica do governo interino, que possui boa parte dos atores políticos do governo Lula. “O Estado será redesenhado para ser controlado pelos interesses econômicos das multinacionais e do sistema financeiro. A política será reformatada e as liberdades democráticas serão restringidas”, analisa.

Além disso, o economista chama a atenção para a tentativa de desmonte da Previdência Social, pois o dinheiro dos cortes propostos será destinado ao sistema financeiro. Cerca de “R$ 500 bilhões anuais da Previdência, que não podem ser transferidos a banqueiros e rentistas por intermédio do pagamento de juros da dívida pública. É um montante que não pode subsidiar acordos políticos-empresariais”.

A “mão de Deus”

Para discutir esse modelo de controle financeiro que o capital exerce sobre a política e com a finalidade de entender a atual situação econômica a partir da ideia de capitalismo cognitivo, João Sicsú estará na Unisinos no dia 13 de setembro, participando do IV Colóquio Internacional IHU. Políticas Públicas, Financeirização e Crise Sistêmica, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Na oportunidade o professor ministrará a conferência A crise do desenvolvimentismo sob o impacto da financeirização, às 15h45min.

IV Colóquio

O evento visa debater três aspectos que tangem à vida moderna: financeirzação, políticas públicas e crises sistêmicas. Para discutir esses aspectos, além da presença do Prof. Dr. João Sicsú, estarão presentes renomados pesquisadores internacionais e nacionais. Entre eles, o Prof. Dr. Yann Moulier Boutang, economista e professor da Universidade de Tecnologia de Compiègne e professor no Centro Fernand-Braudel da Universidade de Binghamton-New York, e o Prof. Dr. Gaël Giraud, economista e pesquisador, conhecido como o “jesuíta que enfrenta os bancos”.

As atividades ocorrem nos dias 13 e 14 de setembro, na Sala Ignácio Ellacuría e Companheiros, no IHU. Confira aqui a programação completa e como fazer sua inscrição.

Foto: JB

Saiba mais sobre o conferencista

Graduado, Mestre e Doutor em Economia, João de Deus Sicsú Siqueira é Professor do Instituto de Economia da UFRJ, onde leciona disciplinas de Macroeconomia e Economia Monetária nos cursos de graduação, mestrado e doutorado. É pesquisador CNPq. É, também, co-organizador e autor de diversos livros, entre eles, Macroeconomia do emprego e da renda: Keynes e o Keynesianismo (Editora Manole, 2003), Agenda Brasil: políticas econômicas para o crescimento com estabilidade de preços (Editora Manole: 2003) e Novo-desenvolvimentismo: um projeto nacional de crescimento com equidade social (Editora Manole, 2005). Possui vários artigos publicados em revistas acadêmicas nacionais e internacionais, como: Revista de Economia Política, Revista Brasileira de Economia, Estudos Econômicos, Economia & Sociedade, Nova Economia, Revista Análise Econômica, Economia Aplicada e Journal of Post Keynesian Economics. Foi Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do IPEA (2007-2011).

Por Cristina Guerini

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