“Pronuncio perante vós, por certo tremendo um pouco de emoção, mas ao mesmo tempo com humilde resolução de propósito, o nome e a proposta de duas celebrações: um Sínodo diocesano para a Urbe e um Concílio geral para a Igreja universal”. Com estas palavras, João XXIII faz o anúncio do Concílio Ecumênico Vaticano II.

A reação dos poucos cardeais presentes ao ato? Um “sonoro” silêncio de estupefação. Ninguém podia crer que o Papa Roncalli, eleito já em idade avançada, fosse capaz de um gesto desta magnitude. Mas foi. E o resultado é o que estamos vendo.

Aos poucos, a cúria foi se mexendo e tratando de organizar comissões e consultas, “acreditando até o início ter em mãos o Concílio e que por isso mesmo seria breve e nada de extraordinário”, segundo a análise do Pe. Antonio José de Almeida, feita no escopo do ciclo de debates Concílio Vaticano II: Intenção, espírito e atualidade, realizado pelo Cepat/CJ-Cias.

A iniciativa é uma parceria com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, as CEBs e as Pastorais Sociais da Arquidiocese de Curitiba e conta com o apoio do Colégio SESC-São José.

O Pe. Antonio José de Almeida mora em Marialva – PR, leciona na Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Pucpr e é grande incentivador dos ministérios não-ordenados na Igreja, além de autor de vários livros.

Entretanto, os acontecimentos da primeira sessão plenária dão um rumo inesperado ao Concílio, quando “efetivamente os bispos se apropriam do Concílio”, disse Almeida.

A seguir, Antonio de Almeida se deteve a analisar o discurso inaugural do Concílio (Gaudet Mater Ecclesia), escrito pessoalmente por João XXIII e por ele longamente meditado. Para o Papa, o Concílio deveria ter/ser:

  • Uma atitude confiante e positiva;
  • Nada de anátemas e condenações;
  • Busca ecumênica pela unidade dos católicos, dos cristãos, dos fiéis de religiões não cristãs e de todos os gêneros humanos;
  • Remédio da misericórdia (mostrar a solidez da doutrina);
  • Magistério de caráter eminentemente pastoral. A suprema lei da Igreja é a salvação das almas.

No coração de João XXIII estava a convicção de que o Concílio deveria corresponder às necessidades e esperanças dos diversos povos; a Igreja teria que estar atenta aos sinais dos tempos.

Por André Langer

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