“O livro não vai acabar, o objeto não vai desaparecer”. Essa é a opinião do prof. Paulo Tedesco, diretor da Oficina do Livro, que esteve na noite desta quinta-feira (26) palestrando no IHU Ideias sobre o tema: “O Futuro do Livro? O Livro do Futuro?”.

Ao afirmar que não se pode falar do futuro e do presente sem contextualizar o passado, Tedesco iniciou sua exposição narrando um pouco da história do livro desde a bíblia de Gutemberg de 42 linhas – o primeiro livro impresso do ocidente.

Posteriormente, falou sobre a importância do livro na história justificando-o através de três tópicos: o fato de ter dado nome as Américas a partir dos processos editoriais da imprensa de Gutemberg: “O processo editorial engendrou o que nós somos hoje, o que nós olhamos enquanto nós mesmos”. O caso de ser um transformador, e para justificar tal afirmação citou obras de Marx, Lênin, Darwin e a própria Bíblia: “O livro assumiu um papel na história da humanidade que ao longo do tempo processou revoluções”. E a possibilidade de registro histórico, como um produto da raça humana, citando neste caso autores como Umberto Eco e obras como A construção do livro.

Além do processo histórico, Tedesco afirmou que temos que compreender o que ele chama de ‘mundo livro’, ou seja, o livro enquanto mídia.  “O livro de papel passa a dividir espaço com outras mídias, perdendo o seu privilégio. Isto é o que está acontecendo hoje”. Segundo o professor, o mercado do livro é um mercado particular, cada país tem uma dinâmica do livro, mesmo com uma economia globalizada. “O mercado, hoje, está sofrendo uma enorme transformação por causa do digital”, afirmou.

Ao falar sobre memória, o palestrante ressaltou a importância do livro nesse quesito: “Livro é uma questão de memória, sua preservação está ali”. Sobre a relação desta com o ambiente digital salientou: “Nós estamos vivendo um momento ímpar, pois temos uma guerra contra a perenidade do computador. A economia e a tecnologia não estão preocupadas em preservar, mas em processar informação e nós não estamos percebendo esse processo.”

Mais adiante, Tedesco falou sobre a lei do direito autoral, assunto que, em sua opinião, está no foco das atenções. “Há uma nova configuração nas relações de troca e esta é uma situação muito difícil, é necessária uma reforma urgente nas leis brasileiras sobre direito autoral”. Além desta discussão, o livro, na percepção do professor, está inserido em outro momento: a economia da cultura, que “deve ser entendida como estratégica e merecedora de sólidas políticas públicas em todos os níveis de poder.”

Sobre os rumos do livro, quatro foram os apontamentos feitos por Tedesco: as possibilidades de novos suportes, o formato áudio, as multipossibilidades no digital e o foco na leitura digital (suas possibilidades, suas variantes, o estudo por esse viés). “O e-book é passageiro, é uma coisa para segurar o mercado que estava escorado no direito autoral”, afirmou. Para ele, o papel é mais um suporte e nós só temos que entender o processo editorial por trás dele.

Por fim, Paulo Tedesco disse de maneira enfática: “O livro não vai acabar, o objeto não vai desaparecer.” No futuro? “No futuro teremos que identificar nas leituras seus tipos, suas possibilidades, a necessidade da comunicação positiva, seu poder intelectual, seu alcance democratizador do pensamento.” Após tal afirmação, terminou sua exposição citando a si mesmo: “Os escritores são geradores de algo mais rico e poderoso do que as maiores invenções científicas puderam proporcionar à humanidade: a possibilidade de sonhar acordado.”

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