Por Graziela Wolfart

Ontem à tarde, por volta das 17h, chegou na Unisinos, debaixo de forte chuva, a senadora Marina Silva. Pré-candidata à presidência da República pelo PV, Marina veio participar do 4º Seminário de Políticas Sociais, atividade organizada pelo Instituto Humanitas Unisinos, e integrada ao Fórum Social Mundial 2010. Quando ela pisou fora do carro eu estava lá, com meu gravador em punho, pronta para garantir uma entrevista para o sítio do IHU. Mas ela foi cercada por uma quantidade incrível de gente, pessoas simples, indígenas, militantes de movimentos sociais. Todos queriam abraçá-la e tirar uma foto com ela. Sim, Marina é uma celebridade para o povo simples. E eu continuava lá. Acompanhei a senadora e me apresentei a seus assessores. Entramos em uma sala reservada do Anfiteatro Pe. Werner, da Unisinos, onde pude, finalmente, apertar a sua mão e me apresentar. Entreguei a ela um exemplar da nossa revista IHU On-Line, sobre a Convenção do Clima em Copenhague, e ela agradeceu sorrindo. Depois, perguntei se poderia fazer algumas perguntas. A assessoria de Marina, muito gentil, disse que tínhamos tempo e ela aceitou. Foi uma entrevista incisiva, onde ela falou sobre Belo Monte, sobre sua pré-candidatura à presidência, sobre o PV e o PSOL, sobre as prioridades para o Brasil e, é claro, sobre meio ambiente e sua relação com o crescimento econômico. Em breve, a entrevista será publicada aqui na página do IHU.
Marina foi muito gentil, bem como todos os seus assessores. Inclusive um deles, Pedro, disse que lê as Notícias Diárias do sítio do IHU e é muito fã deste serviço. Ele agradeceu por termos perguntado à senadora sobre Belo Monte, para que ela pudesse esclarecer mal-entendidos em relação à sua posição sobre a hidrelétrica. Jornalisticamente, foi uma experiência interessante.
Em seguida, Marina Silva subiu ao palco ao lado de Boaventura de Sousa Santos, para conduzirem o debate sobre o papel público das políticas na garantia dos direitos sociais. O anfiteatro Pe. Werner estava lotado e muitas pessoas estavam do lado de fora, acompanhando pelo telão o que não puderem assistir pessoalmente.
Minha colega, a jornalista Patricia Fachin, assistiu ao debate, pois ela negociou uma entrevista com o professor Boaventura para logo após a sua fala, que também será publicada nesta página em breve. Patricia destaca que a ideia de uma visão antecipadora de vida e de nação foi defendida pela senadora Marina Silva, no IV Encontro de Políticas Públicas. Aplaudida de pé pelos participantes do encontro, Marina disse que precisamos superar a visão patrimonialista e atuarmos como sujeitos na sociedade, pensar o mundo de maneira plural, valorizando a alteridade. Ela concordou ainda com a posição do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, de que estamos diante de uma crise civilizatória, “num século de inflexão”, e acentuou que essa “falta do que queremos” nos leva a buscar algo novo. A senadora também apoiou as comunidades indígenas e disse que os índios são vistos como perigo porque pensam e agem diferente do modo ocidental. A dificuldade de interpretar o outro, assegura, nos leva a percebê-lo como diferente. “A visão antecipatória de vida não pode pensar o mundo com uma única visão. Reconheço o conhecimento ocidental, mas também respeito e defendo a prática indígena e de outros movimentos”, pontuou.

Ao relembrar os cinco anos que permaneceu no governo como ministra do Meio Ambiente, a senadora disse que é preciso criar constrangimento ético para a política. “Só assim é possível descobrir problemas e formas de implementar políticas eficientes”.

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