O Estado financiador

Em fevereiro 19, 2010 Comentar

A série de reportagens publicadas hoje no sítio do IHU dando conta da incorporação no setor sucroalcooleiro da Brenco pela ETH Bioenergia, controlada pelo Grupo Odebrecht, e a disposição da Petrobrás e do BNDES em reforçar a operação dá sequência ao processo de reorganização do capitalismo brasileiro que se caracteriza nesse momento pela ativa participação do Estado na constituição de novos ‘global players’ em diferentes ramos da atividade econômica.

Com o governo Lula, particularmente em seu segundo mandato, o BNDES e os Fundos de Pensão vêm sendo decisivos para a conformação de alguns grupos econômicos que em comum, na maioria dos casos, têm o Estado como o indutor do negócio, seja através de empréstimos ou compra de ações. Em outros, o Estado é o facilitador ou ainda assume o papel de sócio. Em todos eles, a ação privilegia o fortalecimento do capital nacional frente ao capital transnacional.

Entre os casos, destacam a criação da supertele nacional – fusão da Oi com a Brasil Telecom; a formação da Brasil Foods (incorporação da Sadia pela Perdigão) com forte apoio do Estado via apoio do BNDES e fundos de pensão, também na área da alimentação, o Estado através do seu braço financiador, o BNDES vem fortalecendo dois gigantes,  o grupo Marfrig e o grupo Bertin. Já no setor petroquímico assiste-se, o fortalecimento da Braskem grupo de capital privado pertencente  a Odebrecht que tem o Estado como sócio através da participação da Petrobras.

Na área do papel e celulose o governo vem estimulado a formação de fortes grupos privados, com recursos públicos do BNDES o governo apoiou a fusão entre a Votorantim Celulose e Papel (VCP) – controlada por Ermírio de Moraes – e a Aracruz.

Esses são alguns casos, entre outros, que configuram a orientação do governo em estimular a criação de empresas nacionais fortes, competitivas, com escala de produção suficiente que lhes dê um papel relevante no mercado mundial.

Postado por Cesar Sanson

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