A #dicadeleitura desta semana é do doutor em Filosofia e responsável técnico pelas publicações do  Instituto Humanitas Unisinos – IHU, Marcelo Leandro dos Santos. Confira:

Eugène Ionesco, um dos principais expoentes do Teatro do Absurdo, apresenta em ‘La cantatrice chauve’ (A soprano careca) (1950) o drama da incomunicabilidade. A impotência de suas personagens é expressa através de falas que não as levam a lugar algum. Personagens que Ionesco faz brotar de um recinto inóspito. Não, elas não estão perdidas na Sibéria, nem no Saara. Tudo se dá em um aconchegante lar burguês e inglês. Poltrona, chinelos, jornal, cachimbo, lareira. Lareira, cachimbo, jornal, chinelos, poltrona. Um quadro da monotonia, que talvez somente o sentimento gerado após a Segunda Guerra Mundial – da qual todos saíram derrotados – poderia pintar. Pessoas simplesmente comuns. Tão comuns que se inserem em uma generalidade capaz de provocar o desconhecimento de suas próprias intimidades. Um casal que, apesar de dormir na mesma cama, não lembra mais de onde cada um se conhece. O diálogo incoerente se perpetua enquanto as personagens são tranquilamente substituídas, deflagrando a completa indiferença de suas existências. Um livro sobre o absurdo, mas que projeta uma concretude desoladora. A estética do absurdo não é um absurdo.”

(Editora: Gallimard – ISBN: 2070362361 – Ano: 2003)

A estética do absurdo não é um absurdo

2 Respostas

  1. Tatiana castro disse:

    Olá,
    adorei a dica, mas este livro já está traduzindo para o português?
    Grata.
    Att.

  2. marcelo disse:

    Olá,
    tente este link:
    http://migre.me/5hZRV

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