Nos últimos dez anos, o cinema brasileiro tem se especializado em histórias baseadas em fatos reais. Em maio de 2006 ocorreu um episódio impactante para a sociedade brasileira e Sérgio Rezende retrata isso no filme “Salve geral“. O Primeiro Comando da Capital sitiou a cidade de São Paulo, com mais de 25.000 presos rebelados, 251 ataques (inclusive as unidades policiais) e centenas de mortos.
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A trama tem início quando Lúcia (Andréa Beltrão) e o filho, Rafael (Lee Thalor), se mudam para um bairro afastado da capital paulista depois que o progenitor da família morre e não deixa nada além de dívidas. Rafael comete uma besteira e é responsabilizado por um crime não-intencional. Ele vai preso e, no desespero, Lúcia acaba cedendo às tentativas da advogada Ruiva (Denise Weinberg) de envolvê-la como “funcionária” de um partido criminoso para tentar tirar o filho da cadeia. O filme segue contando uma história linear que culmina nos ataques do partido aos policiais da cidade de São Paulo, que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, ou PCC, promoveu em SP em 2006, quando milhares de presos ganharam indulto para o Dia das Mães e ficaram, assim, disponíveis para matar policiais, incendiar ônibus e espalhar o caos.
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Uma das cenas mais impressionantes ocorre quando os presos estão gritando por “paz, justiça e liberdade” e, com isso, muitas mídias criticaram o filme de ter induzido uma relação de piedade no espectador com os presidiários, mas para tratar um tema tão delicado, Rezende toma os devidos cuidados. Procurou não pender para nenhum lado evitando, assim, fazer referências diretas à realidade. PCC é “partido”. Nenhum líder do comando teve nomes citados, mas todos eles são uma junção dos que já passaram pela liderança da organização. A advogada Ruiva é um misto das mulheres que frequentam o presídio e atuam como mandantes dos criminosos fora da cadeia, por se familiarizarem com a causa dos presos ou por simples submissão feminina. Os personagens de Andréa Beltrão e Lee Thalor, sim, são fictícios.
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Seja qual for a visão estabelecida por Salve Geral, ter os holofotes na discussão dos problemas relacionados à segurança pública brasileira, notadamente ao sistema penitenciário, é sempre positivo. O filme contém cenas fortes e obriga o espectador a fazer uma reflexão dessa realidade brasileira. Salve Geral será debatido com a Profa. Dra. Maria Aparecida Marques da Rocha – Unisinos dentro do Ciclo de Filmes Realidades do Brasil: Relações de poder e violência, dia 12 de abril, às 19h30min, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU.
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Confira mais informações sobre o evento no sítio.
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Assista ao trailer do filme.
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