Peio Sánchez Rodríguez, sacerdote e professor de teologia, com especialização em educação audiovisual pela Universidade Pontifícia de Salamanca e doutorado em teologia dogmática pela Universidade Salesiana de Roma, publicou recentemente um artigo em que afirma que “estamos diante da melhor safra do cinema espiritual dos últimos anos”.

Segundo Rodríguez, embora isso não afete o público em geral, “que se mantém no consumo audiovisual de baixo perfil”, cada vez mais há um setor de público que aposta nesse tipo de cinema que agora tem à sua disposição.

Para mostrar a relevância daquilo que ele chama de “o auge do cinema que filma a transcendência”, Rodríguez apresenta, em seu artigo, os 10 melhores filmes do cinema espiritual de 2011.

Encerrando a série, o Blog do IHU apresenta hoje o décimo e último vídeo, juntamente com um breve comentário de Rodríguez.

10. Das Ende ist mein Anfang [O fim é meu princípio, na versão em espanhol], de Jo Baier

Relato comovedor do testamento espiritual de Tiziano Terzani, famoso correspondente de guerra que viveu grandes acontecimentos da história recente. O filme, baseado no livro que ele escreveu com seu filho Folco, narra com simplicidade e força expressiva o seu itinerário pessoal, centrando-se na experiência espiritual que marcará os seus últimos anos a partir do início da luta contra um câncer.

A trajetória de Terzani como jornalista e suas simpatias ideológicas pelo comunismo são postas à prova em meio a grandes acontecimentos sociais e políticos do século XX, como a Guerra Fria, a China maoísta, a Guerra do Vietnã e o apartheid sul-africano. O ocaso das ideologias marcará uma reviravolta em sua vida para a dimensão espiritual. O mundo só pode mudar se cada ser humano mudar, ele afirmará.

Em 2004, quando foi diagnosticado um câncer no protagonista, acentuou-se o seu chamado a fechar o círculo de sua vida enfrentando a morte. Depois de um retiro de três anos com um sábio no Himalaia, ele se afasta de sua esposa Angela para uma casa na Toscana. Ali, nos últimos dias, ele convida o seu filho a escrever esta espécie de testamento espiritual.

O testemunho vai se centrando em oferecer uma visão diferente da morte. Que não seja exclusivamente trágica, mas sim confiante, alegre e esperançosa. A debilidade do corpo contrasta com um crescimento do espírito que vai progressivamente se identificando com o Ser Supremo ao qual vai se incorporando. Esse processo de dissolução representa um contraste com a perspectiva cristã da ressurreição. Mas o contraste é muito sugestivo, e o caráter testemunhal o situa em uma validade especial.

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