Arquivos da categoria ‘Teologia’

Para o teólogo jesuíta norte-americano Roger Haight, a Igreja perdeu relevância pública, estimulando, assim, uma espiritualidade em contrapartida à religião. “Temos que lidar com o pluralismo religioso de uma maneira crível. A globalização nos forçou a entrar no diálogo inter-religioso, e novas compreensões inter-religiosas de nossa própria fé têm de surgir a partir disso”, afirma Haight, que também diz ser essa uma missão “desafiadora e empolgante”.

Ex-presidente da Sociedade Teológica Católica dos EUA e professor visitante no Union Theological Seminary, em Nova Iorque, tradicional casa de formação de teólogos em que estudaram grandes nomes da teologia mundial, também foi professor de teologia por mais de 30 anos em escolas da Companhia de Jesus em Manila, Chicago, Toronto e Cambridge e autor de produções como Dinâmica da teologia (São Paulo: Paulinas, 1990) e O futuro da cristologia (São Paulo: Paulinas, 2005). Destaque para Jesus, símbolo de Deus (São Paulo: Paulinas, 1999), que teve suas teses duramente criticadas pela Congregação para a Doutrina da Fé e seu então presidente Joeph Ratzinger (atualmente Papa Bento XVI). Nele, o teólogo teoriza sobre a legitimidade de certos dogmas da Igreja em função de muitos deixarem o Catolicismo nos Estados Unidos por não haver repostas adequadas aos seus questionamentos.

Roger Haigth estará presente no XIII Simpósio Internacional IHU: Igreja, Cultura e Sociedade. A semântica do Mistério da Igreja no contexto das novas gramáticas da civilização tecnocientífica, no dia 04 de outubro, às 10h45, com a palestra “Seguir a Cristo em uma era científica”.

Para mais informações e programação completa do evento, acesse o site.

Por Mariana Staudt

Para ler mais:

A semântica do Mistério da Igreja no contexto das novas gramáticas da civilização tecnocientífica é o tema debatido na nova edição da revista IHU On-Line. No 50º aniversário do início do Concílio Vaticano II, a Unisinos debate as várias formas e possibilidades de interlocução da Igreja com a sociedade e a cultura contemporânea, entre os dias 2 e 5 de outubro, no XIII Simpósio Internacional IHU: Igreja, cultura e sociedade.
.
A revista IHU On-Line desta semana subsidia a discussão do tema central do evento com a participação de pesquisadores/as de várias áreas do conhecimento, como Marcelo Gleiser, físico, professor no Darthmouth College, em Hanover, que assevera: “a religião não pode ignorar os avanços da ciência; por sua vez, a ciência não pode proclamar que sabe como resolver questões que, ao menos no momento, estão muito além de sua competência. O perigo é, de um lado, o obscurantismo e, de outro, a prepotência”.
.
George Coyne, astrofísico, da Universidade do Arizona, que debaterá com Gleiser no dia 03/10, descarta o “grande Deus das Lacunas”, ou seja, um Deus a quem se recorre quando não se tem mais explicações. Já Paul Valadier, filósofo francês, constata que a “Igreja Católica só terá credibilidade se admitir em seu seio um justo pluralismo”. Mas, segundo ele, “uma revolução copernicana como essa é improvável de imediato”.
.
Peter Phan, teólogo vietnamita, professor na Universidade de Georgetown, EUA, constata o pluralismo religioso contemporâneo e ele o vê como “uma nova maneira de ser cristão que nos permite sermos fiéis à nossa particularidade como cristãos e, ao mesmo tempo, estarmos abertos para as outras pessoas religiosas e as valorizarmos em suas próprias particularidades”. Segundo ele, “para nós hoje, portanto, ser religioso é ser inter-religioso”.
.
Semana que vem o XIII Simpósio IHU inicia e a equipe de comunicação cobrirá as palestras, trazendo novidades para tod@s! Confira a edição 403 da IHU On-Line e fique por dentro dos temas que serão debatidos no evento.

Um dos teólogos mais importantes do século XX, Gustavo Gutiérrez, veio para o Brasil em 1969, época em que o país vivia então as horas mais escuras da ditadura militar. Aqui encontrou estudantes, militantes da Ação Católica, padres cujo testemunho enriqueceriam a sua reflexão que desembocou na sua obra fundamental: Teologia da Libertação. Perspectiva.
.
Gutiérrez situa a libertação em três níveis que se cruzam.  O nível econômico: é preciso combater as causas das situações injustas. O nível do ser humano: não basta mudar as estruturas, é preciso mudar o ser humano. O nível mais profundo, teologal: é preciso se libertar do pecado, que é a recusa de amar a Deus e ao próximo. Quanto à teologia, ela é o meio para fazer com que o compromisso com os pobres seja uma tarefa evangélica de libertação, uma resposta aos desafios que a pobreza coloca diante da linguagem sobre Deus.
.
Essa teologia também se choca com oposições. As mais violentas vêm dos poderes econômicos, políticos e militares da América Latina, assim como nos EUA. Mas também vêm de católicos que a acusam de fazer referência, ao analisar certos aspectos da pobreza, à teoria da dependência, que usava noções provenientes da análise marxistas.
.
O dominicano peruano que consagrou sua vida ao reencontro de Deus e dos pobres estará presente na Conferência do dia 09 de outubro, durante o Congresso Continental de Teologia, às 20 horas, e em seguida debaterá sobre “A Teologia Latino-Americana: Trajetória e Perspectivas“. Para mais informações sobre o evento, consulte o sítio do IHU.

Com a proposta de uma integração entre grandes teólogos e teólogas de várias instituições da América Latina, acontecerá entre os dias 07 e 11 de outubro o Congresso Continental de Teologia. O evento propõe dialogar sobre dois marcos da Igreja em geral, particularmente na América Latina:  os 50 anos da inauguração do Concílio Vaticano II e os 40 anos da publicação do livro Teologia da Libertação. Perspectivas, de Gustavo Gutiérrez, que inaugura a rica trajetória da teologia em nosso continente.

O objetivo é olhar para o futuro, ser um congresso prospectivo, que se pergunte sobre os desafios e tarefas futuras da teologia na América Latina, a partir do nosso novo contexto cultural, social, político, econômico, ecológico, religioso e eclesial, globalizado e excludente.

A vasta programação conta com nomes importantes deste contexto e é uma oportunidade de discussão e conhecimento. Para fazer a inscrição para o Congresso Continental de Teologia, clique aqui.

“A ciência é uma narrativa que se ocupa do mistério, do não saber. Ela não tem capítulo final. Seu foco não é a busca pela verdade, mas por uma descrição do mundo que esteja de acordo com nossas observações”. A afirmação é do físico brasileiro Prof. Dr. Marcelo Gleiser, professor de física e astronomia do Dartmouth College, em Hanover, nos EUA.
.
Como sacerdote e astrônomo, o padre jesuíta George Coyne levanta pontes entre os mundos da fé e da ciência, mas ele logo reconhece que eles servem a dois propósitos diferentes. “Eu não posso saber se existe um Deus ou se não existe um Deus por meio da ciência”, diz.
.
Para debater sobre “Fé e ciência: um diálogo possível?”, Gleiser e Coyne estarão presentes no XIII Simpósio Internacional IHU: Igreja, Cultura e Sociedade, no segundo dia (03/10), entre 19h30min e 22h. Para participar do evento, confira informações sobre valores e faça sua inscrição no sítio do evento.
.
Lembramos que está aberta o sorteio de duas inscrições gratuitas para o evento, na página do IHU no Facebook. O sorteio será realizado no dia 14 de setembro (sexta-feira).