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Ação e co-criação são extremamente importantes. Assistir palestras é uma posição muito cômoda, grande parte do tempo o sujeito pode ficar refletindo e não partir para uma ação concreta de transformação. A área das tecnologias caracteriza-se fortemente pela inovação, pela força empreendedora e pela aplicação do conhecimento, da ciência na criação de novas tecnologias.
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Sua prática é o fazer tecnociência. Portanto, o ciclo de seminários tecnológicos irá abordar o fazer, o quanto podemos melhorar o mundo com a computação, com as engenharias, com a geologia, com as novas formas de visualização de dados, com a segurança da informação e com a computação criativa.
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O intuito do evento será enfocar essas ciências ditas duras não sob uma perspectiva tecnocrata, cibernética, mas como com um enfoque baseado nas pessoas, na criatividade, na criação coletiva, como tecnologias transformadoras. Aplicações tecnológicas não só como um modelo econômico, capitalista, no contexto das propriedades privadas, registros de patentes, mas as aplicações tecnológicas como artefatos sociais criados para melhorar a vida das pessoas.
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A palestra principal do evento contará com palavras do Prof. Dr. José Palazzo Moreira de Oliveira (UFRGS) sobre “Tecnologia, Computação e Educação“, no dia 13 de março, às 19h30min.
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Para obter mais informações, acesse a agenda de eventos no sítio.


Foto: Luana Taís Nyland

“As Conferências anteriores mostram que houve pequenos avanços, os acordos tem pouco valor, o cenário ambiental ficou pior devido as secas, chuvas intensas, biomas e biodiversidade ameaçadas”, disse Dieter ao se referir sobre as expectativas para a Rio+20 e as questões de recursos hídricos, baseando-se em um contexto histórico.
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O Professor Doutor Dieter Wartchow (foto), após conceder uma entrevista para a Revista IHU On-Line, compareceu ao evento IHU Ideias nesta última quinta-feira (24/05), para abordar o tema “Rio+20 e recursos hídricos: tecnologias sustentáveis no tratamento de águas residuais”. Durante sua palestra, o professor disse que há problemas geopolíticos, pois cada país defende sua economia, seus pontos de vista, as propostas são fragmentadas, não transversais, e não consideram as singularidades do ambiente, esses problemas atingem também os rios.
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A ausência de compromissos causa impactos das mineradoras sobre mananciais de água doce, causando tragédias que se repetem nos rios. O professor questiona “Até quando vão ocorrer essas tragédias?” e cita o exemplo da tragédia dos peixes no Rio dos Sinos, em 2006.
Dieter explica que as tragédias ocorrem devido aos cenários de um cotidiano de seca e inundações, cujas variações climáticas são extremas.
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Foto: Luana Taís Nyland

.O professor fez outro questionamento: “Qual é o ciclo da vida de um indivíduo?” e completou argumentando que a análise do que o indivíduo faz é importante para alcançar objetivos referentes ao meio ambiente. “Todos deveriam fazer a sua parte para que nós, num novo contexto social e político, possamos empreender novos valores. A intenção da Rio+20 é boa, as propostas são boas, mas falta, de fato, a ação. Talvez, tenhamos nós, uma responsabilidade muito maior do que pensamos que podemos empreender. Temos um grande desafio na busca da sensibilização de quem toma decisões”, solicita Dieter.
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“Nós temos que estabelecer uma nova cultura de projetos que não precisam ser sofisticados”, disse o Professor Dieter, que logo após utilizou uma citação de Eduardo Galeano “Somos água e se a defendemos, defendemos a vida”. O professor enfatizou que ainda não compreendemos que o trabalho começa dentro de casa com pequenos gestos, separando o lixo, por exemplo.
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Dieter Wartchow
finalizou a palestra com um aviso: “Precisamos saber que tecnologia não é só uma máquina, é um processo, uma forma de fazer as coisas e nós não devemos ser passivos ou indiferentes a tudo que acontece ao nosso redor, mas devemos protagonizar, mudar a mente para progredir, criar, construir uma perspectiva de futuro, pois, aqueles que não mudam sua mente, não serão capazes de mudar nada. Para haver sustentabilidade é preciso criar um equilíbrio, utilizar recursos naturais para colaborar com as gerações futuras. Cada um deve fazer a sua parte”.

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Por Luana Taís Nyland
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Para ler mais:

Foto: Fabio Pozzebom/ABr

“O problema do mundo é que o barato está saindo caro, porque poderão ocorrer mudanças climáticas e dificuldades que irão afetar as populações dos países.” Essa é a questão, segundo Luiz Pinguelli Rosa ao falar sobre as inovações tecnológicas que não estão sendo utilizadas no Brasil. Quando questionado sobre os objetivos da Rio+20, o pesquisador contesta que “os objetivos da Rio+20 não serão rapidamente atingidos. Vai haver um período ainda para que essas tecnologias, que estão sendo discutidas, possam ser utilizadas, implantadas. A nossa ideia é que tecnologias que permitem evitar as emissões dos gases do efeito estufa venham a ser mais utilizadas e é essa a nossa intenção”.

Sobre a Conferência obter sucesso ou não,  o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas acredita que não vai ser um grande sucesso, mas espera que se avance alguma coisa em direção a um mundo um pouco mais equilibrado. Luiz Pinguelli Rosa acredita que o Brasil melhorou a sua situação quanto a pobreza nos últimos anos, com políticas sociais como o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo, etc. Segundo ele, isso contribui, mas há muito mais a fazer, porque as pessoas melhoraram de vida, mas ainda tem uma diferença enorme entre as condições de vida das classes média e alta e as da grande população.
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Luiz Pinguelli Rosa (foto) concedeu uma entrevista para a Revista IHU On-Line, por telefone e estará presente no IHU no próximo dia 23 de maio, onde abordará o tema “Rio + 20 e a questão das mudanças tecnológicas”. Para mais informações sobre o evento, acesse o sítio do IHU.

A questão da Educação à Distância é estudada por Bruno Pucci (foto) há três anos e tem como principal objetivo desenvolver pesquisas sobre tecnologia, cultura e informação, assim como entender a questão da presença da tecnologia na formação de docentes. O professor trouxe para dialogar com a sua pesquisa alguns autores contemporâneos, tentando estudar duas experiências, uma em Instituição pública e outra em Instituição privada. Pucci parte dos escritos de Adorno dizendo que ”desde o início da era moderna, a técnica se aliou ao sistema tecnológico e a perspectiva que a fez dominante não apaga de vez a potencialidade que a ciência e a tecnologia já apresentavam nos primeiros pensadores, como Galileu, Bacon, entre outros. Adorno, mostra ainda, que a questão da tecnologia não está apenas em ela ser utilizada para o bem ou para o mal.
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O professor Pucci sugere que se reflita sobre a possibilidade em tempos de tecnologias digitais e do predomínio da informação, é possível lutar pela formação da educação à distância? O teólogo tenta caracterizar que o lado que traz mais malefícios da tecnologia para a humanidade tende a prevalecer em relação aos benefícios que ela traz. Pucci ainda argumenta que “com o crescimento de todas as tecnologias, a articulação entre ela e o capitalismo global se faz mais expressiva” e questiona: “Como fazer prevalecer a autonomia do indivíduo? E como fazer com que o elemento da formação e da qualidade do ensino esteja presente?” O pesquisador sistematizou alguns dos problemas em relação a ead, principalmente de que a Educação à Distância não fala a um bloco monolítico, existem experiências diferentes. O palestrante também sistematizou que a qualidade enquanto processo formativo exige um rito de passagem, em que não basta que o aluno saiba utilizar o computador e ter conhecimentos específicos da informática se não souber estabelecer a relação com a educação e a formação. “O termo “qualidade” se converte no critério para firmar o que é importante para toda a formação escolar”, expressa o professor. Uma outra questão de Pucci é sobre a autonomia do educando que deve existir tanto no discurso quanto nos documentos, e cita ainda que “o aluno autônomo e o seu relacionamento com a tecnologia dependem de o aluno conhecer bem para utilizar bem e, assim, desenvolver competências e habilidades exigidas pela Educação à Distância”.
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Bruno esclarece dizendo que “ser autônomo significa ir além e a autonomia só pode ser construída socialmente”. Para ser autônomo, segundo o Pucci, é preciso o desenvolvimento do senso crítico, a construção do conhecimento e a capacidade de tomar decisões éticas e a aceitação do novo e do diferente. A autonomia é conceito chave na educação a distância e é fundamental lidar com o computador e com os instrumentos de aprendizagem, mas reduzir a autonomia do aluno a isso é muito pouco. O grande problema do trabalho docente na EaD é a necessidade de um trabalho em equipe, devido aos recursos utilizados para levar o conhecimento além; um elabora as disciplinas e o outro explica o material repassado. Para isso, é preciso a formação adequada e suficiente para a tutoria, mas acontece um esvaziamento do trabalho docente, pois ele exige que o docente seja facilitador, animador, tutor e desenvolva todas as funções. Podendo ocorrer, assim, uma crise de identidade dos professores pela desvalorização da função tutorial que exige as várias facetas desse profissional, além de exigir estudos e pesquisas.
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Bruno Pucci esteve no evento IHU Ideias, no dia 22 de março e finalizou sua palestra citando que “a Educação à Distância gera sobrecarga de trabalho ao docente, pois requer que o professor prepare aulas, dê aulas, faça pesquisas, entre outros compromissos” sugerindo uma reflexão sobre as questões e problemas sobre Educação a Distância (EAD) nos cursos de formação inicial de docentes da Educação Básica. Bruno Pucci é graduado em Teologia, pela Pontifícia Universidade de San Tomás de Aquino, em Roma, em Filosofia, pela Organização Mogiana de Ensino e Cultura, em Mogi das Cruzes, São Paulo, e em Letras Português e Literatura pela Universidade Metodista de Piracicaba – Unimep, onde também cursou mestrado em Educação. Pucci concedeu uma entrevista para a IHU On-Line.
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Por Luana Taís Nyland

“A questão da autonomia, sobretudo do aluno, um dos jargões mais utilizados pelos defensores acríticos da EAD, é problemática. Eles carregam por demais a perspectiva técnica da autonomia e não a perspectiva crítica. Ser autônomo não é apenas saber dominar bem as tecnologias, os aparelhos; é ter a capacidade de elaborar juízos analíticos e críticos sobre a própria tecnologia e suas consequências no mundo de hoje”, constata Bruno Pucci em entrevista exclusiva, concedida por e-mail à IHU On-Line.

Pucci
reitera que as tecnologias não são neutras: “elas conduzem em seu interior a racionalidade instrumental e ideológica de onde provêm e para que foram feitas. O computador, com sua intencionalidade, suas características de precisão, rapidez, sistematização, nos impõe um ritmo de trabalho e uma maneira de agir à sua imagem e semelhança. É preciso ter consciência disso e, no processo formativo, desenvolver outros elementos que confrontem com essas características. Caso contrário, nos tornamos escravos das máquinas”.

Bruno Pucci é graduado em Teologia, pela Pontifícia Universidade de San Tomás de Aquino, em Roma, em Filosofia, pela Organização Mogiana de Ensino e Cultura, em Mogi das Cruzes, São Paulo, e em Letras Português e Literatura pela Universidade Metodista de Piracicaba – Unimep, onde também cursou mestrado em Educação. Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP concluiu doutorado em Educação com a tese Por uma praxis educacional da Igreja 1968-1979. É livre docente pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR. É autor de Adorno: o poder educativo do pensamento crítico (Petrópolis: Vozes, 2000) e de A pedagogia radical de Henry Giroux: uma crítica imanente (Piracicaba: Editora Unimep, 1999), entre outros.

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O pesquisador estará no Instituto Humanitas Unisinos, no evento IHU Ideias em 22-03-2012 participando da atividade sobre Questões e problemas sobre EAD nos cursos de formação inicial de docentes da Educação Básica. Acompanhe a programação completa.

Para ler mais:

“Ser autônomo não é apenas saber dominar bem as tecnologias”