Arquivos da categoria ‘Revista IHU On-Line’

Mensurar o real espaço que a temática da religião possui no cinema contemporâneo. Esse é o tema da edição nº 412 da revista IHU On-Line, intitulada Cinema e Transcendência. Um debate.

Seria o cinema um meio efetivo de enviar mensagens sobre transcendência e espiritualidade ao público? Ou ele serviria como um espelho que apenas reflete aquilo que vivenciamos? Seriam os filmes de Malick, Lars Von Trier, James Cameron e de outros diretores, eficazes ao mostrarem uma visão espiritualizada da vida?

Luis Vadico, doutor em Multimeios pela UNICAMP, afirma que o cinema mainstream (comercial) representa Deus com neutralidade ou mesmo com despreocupação, “A postura relativamente a ‘Deus’ encontrada em algumas produções recentes, como Avatar ou ainda mais antigo como a coprodução americano-japonesa Final fantasy, que trouxeram formas ditas panteístas da manifestação da divindade. Não estavam de fato preocupados com Deus, mas em vender para uma larga faixa de público filmes cujo principal chamariz eram os efeitos especiais”.

Vadico diz ainda que as pessoas nem sempre esperam ver Deus nas telas de cinema, mas esperam conseguir reconhecer seus valores na produção que assistem, sejam eles valores religiosos ou pessoais e, para tanto, ele cita o filme Chico Xavier (2010).

A visão do pecado, do pecador e da moralidade nas obras de Malick e Lars Von Trier é posta sob a luz da filosofia em entrevista concedida pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, “Deus não resiste a quem percebe como somos verdadeiramente: somos pó que vê Deus. O pecado é o conceito do nada moral que somos.

A edição 412 de IHU On-Line ainda conta com entrevistas do teólogo alemão Peter Hünermann, do músico Vitor Ramil e do biólogo Eduardo Vélez.

Confira a revista na íntegra!

Por Wagner Altes

Por que a tropicália continua um tema candente até nossos dias? Segundo o cientista social Gilberto Felisberto Vasconcellos, é porque esse movimento interessa sobretudo jornalistas de televisão e de jornal, mas não o povo. “Atinge estes caras: redator, chefe de segundo caderno. Mas eu não acho que o povo curte isso não…”
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E o que seria a tropicália? Para Eduardo Guerreiro Brito Losso, um mito de origem que fez a indústria cultural brasileira ingressar na fase pós-moderna. Ele a caracteriza por “terremoto tropicalista”, que unificou a “eureca da antropofagia com uma entrada simultaneamente simpática e subversiva na indústria cultural”. Para Júlio Cesar Valladão Diniz, “definir o tropicalismo em uma palavra ou uma frase é tarefa impossível. O tropicalismo, antes de ser um movimento cultural e artístico, é um modo de ser, uma condição existencial nos trópicos, ou seja, uma maneira cosmopolita e contemporânea de olhar e tentar compreender o país, a sociedade brasileira, seus dilemas, angústias, grandezas e misérias”.
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Pedro Bustamante Teixeira diz que “o tropicalismo vem a reboque dos ventos pré-revolucionários, mas se posta para além da causa, pois enxerga na política cultural das esquerdas uma visão deveras reducionista do que poderia ser a cultura brasileira”. Segundo ele, “a Terra estava em transe, não só no Brasil, não só em Eldorado. O tropicalismo marcou uma época porque foi capaz de aceitar a outridade e conseguiu sintetizar o transe em canções. Assim, a prática tropicalista resultou na edificação de uma identidade nacional mais complexa, mais tolerante, mais atenta, híbrida e maior.
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E surge a questão: O tropicalismo poderia se repetir atualmente? Na avaliação de Celso Fernando Favaretto, autor de Tropicália: alegoria, alegria, em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line, “ele foi uma intervenção e o caráter de intervenção é conceitualmente muito importante. Intervir é entrar em uma situação, trabalhar com os dados dessa situação, produzir mudanças e não precisa mais repetir. A repetição, aí, torna-se enfraquecimento”.
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Confira também o debate com André Monteiro, Pedro Rogério, Armando Almeida e Frederico Oliveira Coelho. Ainda nesta edição: entrevista sobre o filme Elefante Branco com Celso Sabadin, o perfil da professora de arquitetura, Tânia Torres Rossari, no IHU Repórter e os Destaques da Semana.
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Acesse o sítio da revista e confira a edição sobre “Tropicalismo. O desejo de uma modernidade amorosa para o Brasil“.

“Admite-se que atualmente exista um descarte mundial de 30 bilhões de toneladas de resíduos por ano. Seria meritório advertir que os lixos já assumiram os contornos de uma calamidade civilizatória. Em termos mundiais, apenas a quantidade de refugos municipais coletados – estimada em 1,2 bilhões de toneladas – supera nos dias de hoje a produção global de aço, orçada em 1 bilhão de toneladas”, confessa Maurício Waldman, em entrevista à IHU On-Line.
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O lixo gerado pela população tem aumentado em uma escala assustadora. O mundo passa por uma necessidade de conscientização e mobilização demasiada. Nesse sentido, reduzir nada mais é do que o consumo consciente; pensar bem antes de comprar. Reciclar é transformar um produto-resíduo em outro, visando poupar os recursos naturais que seriam extraídos do meio ambiente. E é nesse sentido que surgem associações como a Aturoi, localizada no Bairro Vicentina, em São Leopoldo/RS, que do material reciclado extraem suas fontes de renda mensais e seus modos de sobrevivência diários. Com o objetivo de explicar um pouco mais sobre o trabalho da associação Aturoi, o vice-presidente José Alencar Ponciano Pereira conversou pessoalmente com a IHU On-Line e explicou o funcionamento de suas atividades na associação.
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A revista IHU On-Line desta semana propõe-se a discutir sobre “A era do lixo“, visto que a preocupação quanto ao destino dos resíduos sólidos aumenta em grande proporção de um ano para outro. Debater e opinar apenas sobre a utilização das sacolas plásticas não é suficiente. É preciso repensar lógicas para toda uma sociedade que está acostumada com o mundo das embalagens de plástico, restos de alimentação no prato, poucas lixeiras nas cidades, muito lixo na rua e, principalmente, dentro de casa.
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O jornalista alagoano, Audálio Dantas, conta sobre seu novo livro As duas guerras de Vlado Herzog (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012) abordando questões que ainda não foram esclarecidas da morte de Herzog, a atuação da Comissão da Verdade e o papel dos jornalistas na contemporaneidade, nos Destaques da Semana.
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Confira também, entre outros temas, os 300 anos do nascimento de Rousseau, lembrados em entrevista com Wilson Alves de Paiva. Acesse a edição de número 410 da revista IHU On-Line.
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Por Luana Taís Nyland 

Um mergulho pelos oceanos

Em 20 novembro, 2012 Comentar

Quantas espécies marinhas sobrevivem? Quanta água ainda há em nossos oceanos? O que há no fundo do mar? Para conhecer melhor os oceanos e debater sobre as questões mais pertinentes da conjuntura atual, a edição de número 409 da revista IHU On-Line convidou os entrevistados a refletirem sobre “Oceanos. Ecossistemas sob ameaça“.
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Segundo Jorge Luís Valdés, chefe do setor de Ciência Oceânica da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Unesco, a principal preocupação do nosso tempo é a mudança climática, que afetará os oceanos, em termos globais, de duas maneiras: com o aquecimento e a acidificação. O oceano absorve quase um 1/3 de todo o dióxido de carbono emitido a cada ano, e a acidificação dos oceanos aumentou 30% desde o início da revolução industrial; finalmente, espera-se que a taxa de acidificação acelere nas próximas décadas. A acidificação dos oceanos e o aumento das temperaturas oceânicas contribuem para a ameaça estimada de 58% dos recifes de corais do mundo, muitos dos quais já terão sido extintos em 2040.
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Há a preocupação quanto aos lixos que poluem a água dos oceanos. A fama de uma ilha nada glamorosa correu mundo via internet. Trata-se da ilha de plástico do Pacífico Norte formada por dejetos pouco degradáveis, entre os quais sacolas, fragmentos de garrafas PET e bolinhas plásticas de cerca de 5mm de diâmetro, matéria prima para a fabricação de outros artefatos, e que caem dos contêineres no transporte oceânico. Para debater sobre o assunto, a IHU On-Line entrevistou Jorge Pablo Castello.
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Também foram escolhidos temas como “O risco das tintas anti-incrustantes à biota marinha”, “A importância do gerenciamento costeiro”, “Educação ambiental pela preservação de oceanos e costas” e “A influência da temperatura dos mares nas chuvas amazônicas” para as entrevistas. Para conhecer melhor a vida que há nos oceanos, pode-se também assistir ao vídeo que foi exibido durante o Ciclo de Filmes e Debates: Sociedade Sustentável no Cinema, “Oceanos (Oceans)“.
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É preciso estar atento para o alerta de Nathalie Rey: “Poços do pré-sal são mais profundos que aqueles do Golfo, e um desastre ambiental em função da extração petrolífera seria devastador. Empresas que lucraram com o derretimento do Ártico agora querem explorar seus combustíveis fósseis”.
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Além do tema principal, também são debatidos outros temas nos Destaques da Semana, como “Thomas Kuhn, metaciência escorada na ciência real”. Em entrevista concedida à IHU On-Line, por e-mail, Alberto Oliva declara que “a estrutura das revoluções científicas é a obra metacientífica até hoje mais lida. Vários são seus méritos. Sua grande novidade é a proposição de uma abordagem da ciência em que se tenta promover a articulação da dimensão epistemológica com a histórica e a sociológica. Pode-se discutir o quanto a empreitada “multidisciplinar” de Kuhn  foi bem sucedida”.
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Confira a edição 409 da IHU On-Line no sítio da revista!
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Por Luana Taís Nyland 

O papel mais importante da pessoa religiosa no conflito não é tanto propor soluções, e sim falar uma nova linguagem que, por princípio, rejeite todo e qualquer desprezo pelo outro, tendo um discurso de respeito, avalia David M. Neuhaus.
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“Eu era uma criança que não levava Deus a sério. Minha família era composta de refugiados do Holocausto de Hitler, e o que fiquei sabendo sobre o que aconteceu durante o Holocausto fez com que fosse difícil para mim levar a sério a ideia de um Deus onipotente. Como esse suposto Deus podia permitir tanto sofrimento?”, relembra Neuhaus, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
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Nos dias 28 de novembro a 1º de dezembro, realiza-se, em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial Palestina Livre e o tema foi a inspiração para a edição 408 da revista IHU On-Line, que com a assessoria de  Nancy Cardoso Pereira, mestre e doutora em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo – Umesp, e pós-doutora em História Antiga pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, pastora da Igreja Metodista e membro do Palestine Israel Ecumenical Forum (PIEF)/World Council of Churches (WCC), debate o grave e dramático conflito de mais de 50 anos e discute os desafios, os limites e as possibilidades de uma ‘Paz Justa’.
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Busca-se entender o que de fato está em jogo. Quais as origens do conflito? Trata-se de uma questão econômica e geopolítica, ou religiosa e cultural? Ou todas elas estão mutuamente implicadas? Os entrevistados desta edição buscam responder à questão. Entre eles, Rifat Odeh Kassis acredita que “o Kairós Palestina deu aos cristãos no mundo árabe um modelo novo e diferente de como necessitam participar de sua própria sociedade, de seus assuntos e suas lutas; procura lembrar às pessoas de que não faz sentido nos isolarmos e vivermos com medo”.
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Também nesta edição, o professor Gilberto Faggion explica como se desenvolve o Ciclo de Estudos em Educação a Distância (EAD) – Sociedade Sustentável, promovido pelo IHU e destaca que “se cria no espaço virtual um ambiente que não existe em lugar algum. Passa a existir ali dentro, por meio da interação. É o próprio viver, a própria existência. E dessa maneira cria novos mundos, novas ligas e novos sentires que não existem em outro meio”.
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Nos Destaques da Semana, o teólogo alemão residente na França, Christoph Theobald, fala sobre a crise que vive hoje a Igreja. Ele acredita que isso deve-se   “à incapacidade tanto de ouvir Deus falar quanto de ouvir os outros, uma vez que Deus fala através deles, de nos escutarmos e nos entendermos mutuamente. Então, o silêncio é a condição absoluta para que se possa escutar”.
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Além disso, o silencioso, duradouro e doloroso martírio do povo Guarani-Kaiowá é o tema da Análise de Conjuntura da Semana publicada no sítio do IHU, 06-11-2012, e sintetizada no artigo de Cesar Sanson.
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Confira a edição 408 da IHU On-Line no sítio da revista.