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“A Rio+20 corre o risco de ser um fracasso”, afirma o senador Cristovam Buarque em entrevista à jornalista Graziela Wolfart, da Revista IHU On-Line.
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De acordo com Buarque, isto poderá ocorrer por dois motivos: o não comparecimento dos principais chefes de estado e de governo, e se o documento que sair não for satisfatório. “Teremos um documento ousado, com um alerta para os riscos à humanidade inteira? Ou se vai esquecer-se desse risco, falando apenas da economia verde?”, questiona.
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Cristovam Buarque é engenheiro mecânico, economista, educador,

professor universitário e político brasileiro, membro do PDT. Atualmente é senador pelo Distrito Federal.

Para o senador, o atual crescimento econômico é impossível de
ser sustentável. De acordo com ele, “o melhor caminho para erradicar a pobreza chama-se educação e ela depende menos de crescimento econômico do que do bom uso do dinheiro que já temos. O Brasil já tem renda suficiente para poder ter uma boa educação para todos”.
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Esta entrevista compõe a Revista IHU On-Line “Rio+20. Desafios e perspectivas”, tendo sido o material mais acessado desta edição. Você pode conferir a entrevista na íntegra clicando aqui.

Com a participação de pesquisadores e profissionais da área do Direito, a Revista IHU On-Line desta semana analisa a elitização do Poder Judiciário e discute as possibilidades de democratizá-lo.
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Segundo a ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon Alves, “em um país como o Brasil que durante quatro séculos foi patriarcal, agrário, patrimonialista e de forte exclusão social é natural que tenha criado uma desigualdade tal que sequer a Justiça consiga vencer, por enquanto. Afinal, a exclusão social e a pobreza ainda obstam o acesso de qualidade à Justiça”.
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Em entrevista André Luiz Olivier da Silva critica que “o direito no Brasil é rigoroso e punitivo somente para alguns segmentos da sociedade; para outros, como os colarinhos brancos, é leniente”. De acordo com Jacques Alfonsín, “’cortes’ estão distantes do povo seja pela linguagem hermética, seja pelo cerimonial intimidatório, impondo respeito em função do temor”.
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Composto por ministros nomeados pelo presidente da República, o STF guarda laivos de patrimonialismo e compadrio, afirma Lênio Streck. A justiça funciona de uma forma para “o andar de baixo” e de outra para o “de cima”, com uma estrutura processual em duas velocidades
Realizada em 2004, a reforma do Judiciário ainda não é suficiente, e esse poder continua fechado e “avesso a investigações e distante dos anseios e demandas populares”, analisa José Carlos Moreira da Silva Filho.
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Assim como a relação do Estado com o capital é de cumplicidade orgânica, “a relação do Judiciário com os movimentos sociais e as organizações populares é de repressão estrutural”, denuncia Roberto Efrem Filho. Para Leonardo Grison, “é preciso asseverar que o Judiciário é sim, estamental e elitista. Ou por algum acaso os pobres e a elite são punidos com o mesmo rigor?”
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Serge Latouche
No intervalo entre as conferências ministradas na Unisinos no último mês de novembro, o economista Serge Latouche fez uma pausa para falar um pouco sobre sua trajetória pessoal e profissional.
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Em conversa com a IHU On-Line, regada a um bom chimarrão, Latouche relembrou os principais momentos de sua vida. Com a cuia na mão, ele falou sobre sua caminhada rumo ao conceito do decrescimento, sobre seu dia-a-dia, seu sonho e sobre seu voto nas próximas eleições francesas. Confira aqui.
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Na segunda parte da Revista desta semana:

O SUS em debate

Em 20 outubro, 2011 Comentar
Quais são os avanços e desafios do Sistema Único de Saúde? Este é o debate e a reflexão da Revista IHU On-Line desta semana. Jairnilson Paim explica que o SUS é um sistema “que foi institucionalizado a partir da Constituição de 1988, resultante de um amplo movimento social, que envolveu estudantes, profissionais de saúde, setores populares, professores e pesquisadores, defendendo o direito à saúde”. Para a historiadora Virginia Fontes, o SUS mostra exatamente como a luta de classes atravessa a sociedade civil brasileira.
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De acordo com José Gomes Temporão, o SUS “é responsável pelo atendimento exclusivo de 75% da população. Consultas, exames, internações, transplantes, atendimento de urgência, vacinação, tratamento da Aids, medicamentos de alto custo para doenças crônicas e câncer, além do programa Saúde da Família, que atende 100 milhões de pessoas”.
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Para Ligia Bahia, “o SUS nos tornará mais humanos e, portanto, mais brasileiros, na medida em que nos convencermos que a saúde é necessariamente um bem coletivo tal como deve ser a educação e outras políticas sociais”. Segundo o médico Gilson Carvalho, o melhor caminho para a saúde em nosso país hoje “é a União colocar mais recursos para a saúde, como já foi prescrito anteriormente e nunca cumprido no pós-constitucional, até cair na fórmula atual, que é bem menor e insuficiente”.
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Confira também desta edição:

Os manifestos sociais e políticos estão em pauta. Neste ano, uma série de mobilizações emergiu em todos os cantos do mundo, inclusive no Brasil. Mas quais são os desafios e perspectivas dos movimentos sociais brasileiros?
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A Revista IHU On-Line publicou em 2010, uma edição especial para o debate deste tema. Diversos pesquisadores e especialistas foram entrevistados, com o intuito de aprofundar as visões sobre estas iniciativas.
Manifestantes participam da 2ª Marcha Contra a Corrupção na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
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Segundo Rudá Ricci, “o movimento ambientalista ainda mantém características de movimento social: sua força vem da mobilização social, pensando direitos e regras gerais, são pluriclassistas e ainda não se partidarizaram concretamente.”
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Para Maria da Glória Gohn, na “atualidade, os movimentos sociais são extremamente diferenciados entre si, segundo o tipo e grau de organização, demandas, articulações, projeto político, trajetória histórica, experiências vivenciadas – principalmente no plano político-organizativo, assim como quanto sua abrangência territorial. Enquanto houver injustiças sociais e desigualdades socioeconômicas, haverá movimentos sociais.”
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“Os movimentos sociais partilham da crise que perpassa toda a sociedade brasileira, inclusive os intelectuais e parte do funcionalismo público: a crise em relação ao sentido da democracia”, aponta o cientista social Ivo Poletto.
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Para Silvio Caccia Bava, a sociedade está perdendo o “imaginário de transformação social” e, com isso, não se discutem mais projetos de mudanças. Nesse contexto, assegura, os movimentos sociais estão fragmentados e também encontram “dificuldade de defender propostas de transformação social.”
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Segundo Ivo Lesbaupin, o governo procura “quebrar a combatividade dos movimentos, dividi-los, desmobilizá-los e mantê-los apenas como massa de apoio quando necessário. Conseguiu, em boa parte, seu intento de colocar como limite máximo de utopia as mudanças dentro dos quadros do neoliberalismo. Muitos, nos movimentos, contentam-se com as pequenas conquistas obtidas.”
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Para o cientista político Marcus Abílio Gomes Pereira, o dilema dos movimentos sociais gira em torno da questão: “Como deverão agir de forma a radicalizar as propostas do governo, sem ao mesmo tempo criarem as condições para o retorno ao poder de seus adversários políticos?”
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Para ler mais:

O tema da Revista IHU On-Line desta semana é a Arqueologia da Mídia. “Não aceitamos a ideia de que a mídia tenha sido inventada no século XIX com o advento da fotografia, telefonia e cinematografia, ou seja, que a mídia seja resultado da industrialização”, diz o pesquisador alemão Siegfried Zielinski, um dos entrevistados desta edição.
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Para Erick Felinto de Oliveira, a arqueologia da mídia nasce do encontro do pós-estruturalismo francês com a contribuição alemã de certas formas de abordagem históricas e filosóficas.”Os estudos de arqueologia da mídia, pela sua própria metodologia, estabelecem confrontação de seus resultados com o culto do novo que tanto marca a cultura da mídia e o avanço das tecnologias”, constata Francisco Rüdiger.
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De acordo com Norval Baitello Junior, as pesquisas que investigam uma arqueologia da mídia englobam naturalmente os estudos sobre a comunicação visual. “Mais que abordar os conteúdos da comunicação, os estudos da arqueologia da mídia preocupam-se com a história dos aparatos tecnológicos”, diz Fabrício Lopes da Silveira. Já Gustavo Fischer acredita que a arqueologia e a genealogia das mídias são uma articulação necessária.
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Na segunda parte da Revista, confira a entrevista “Hans Jonas e a vida como valor máximo”, com Bartolomeu Leite da Silva e a entrevista “Abolicionismo, vida e tempo”, com Marco Antonio de Abreu Scapini. Nesta parte da Revista você também encontra o artigo “Tecnologias da Informação e a marginalização social”, produzido pelo CEPOS, e “A testemunha, um acontecimento”, de Castor Bartolomé Ruiz.
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IHU Repórter
Conheça a história de Uwe Schulz. “Gosto de fotografar. Fazer caminhadas. Praticar esportes. Ler. Viajar; acho que esse é o meu maior prazer. Desde os meus 15 anos, já viajava sozinho. Então, acabei indo para vários lugares da Europa e América do Sul”, conta.