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Passado o primeiro ano do governo de Dilma Rousseff, chega-se à conclusão, a partir da atenta leitura das notícias sobre a conjuntura política atual, que as amarras que ligam o Brasil moderno ao Brasil atrasado prosseguem no governo de coalizão herdado de Lula pela presidente.
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Para entender esse jogo de forças e as marcas do primeiro ano de Dilma no poder, a IHU On-Line retoma a publicação semanal neste ano de 2012 ouvindo a opinião de diversos estudiosos e cientistas políticos brasileiros, que reforçam a tese de que é preciso muitas vezes recuar para, paradoxalmente, avançar.

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Para o sociólogo e professor-pesquisador da PUC-Rio, José Werneck Vianna, Dilma Rousseff é uma grande racionalizadora, uma grande administradora. “A política não é o ramo dela”, constata. Na visão de José Vicente Tavares dos Santos, professor no Departamento e no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS, do ponto de vista da distribuição de renda, estamos vivendo um momento de inclusão social no Brasil. Já para Marco Aurélio Nogueira, professor na UNESP, quanto mais democrático, republicano e sensível o governo for, mais chance teremos de ele ser uma espécie de líder da sociedade para o ataque aos problemas sociais que são os mais dramáticos hoje. O sociólogo e professor na UFRJ, Ivo Lesbaupin, identifica uma abertura por parte do governo Dilma para as vozes vindas de baixo. No entanto, não percebe mudanças nas estruturas geradoras da desigualdade. Marcos Costa Lima, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco, e Marianne Wiesebron, professora na Universidade de Leiden, da Holanda, contribuem para o debate defendendo um otimismo diante do primeiro ano de Dilma no poder. Para o sociólogo e professor do PPG em Ciências da Religião da PUC-Minas, Pedro Ribeiro de Oliveira, o governo Dilma está enredado por chantagens de autoridades religiosas, e “dança conforme a música”. E para o sociólogo Francisco de Oliveira, o governo Dilma é de “combate ao fogo amigo”.  Enquanto isso, o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo e professor de Direito Civil, José Osório de Azevedo Júnior, analisa o episódio do bairro Pinheirinho sob o viés jurídico e defende que casos como esse não podem ser cumpridos de forma direta, específica.
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O debate interessou? Então, já sabe: segunda-feira, dia 19-03-2012, a partir das 16h, a revista IHU On-Line estará no ar nesta página. Acesse e confira.
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Por Graziela Wolfart
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Para ler mais:

A primeira década de funcionamento do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Unisinos inspirou o debate da IHU On-Line 379, de 07-11-2011. Quais são os rumos da Filosofia em plena era da tecnologia da informação, da globalização do saber e da fragmentação do sujeito? A filosofia tem conseguido estabelecer diálogos com os demais saberes, refletir sobre o mundo contemporâneo ou, tal como a coruja de minerva a que Hegel se refere na sua Filosofia do direito, só levanta voo ao entardecer?
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Para Celso Candido de Azambuja (Unisinos), a sociedade da informação em rede perdeu “para sempre a chance de produzir seus grandes sábios”, mas por outro lado nos fez avançar por novos caminhos, repletos de possibilidades.
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Alfredo Culleton, coordenador da graduação em Filosofia da Unisinos, reflete sobre a memória como possibilidade de crítica à filosofia, pontuando a importância de Ockham e Suarez no pensamento contemporâneo.
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Na opinião de Ernildo Stein – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS – é preciso atentar para o uso precoce da denominação de filósofo àqueles que se ocupam “com a história, a filologia e a justaposição eclética de textos”. Filosofar exige continuidade e produção de livros e volumes de investigação, assevera.
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Massimo Canevacci, italiano e docente na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, é rigoroso em sua crítica à filosofia, apontando-a como arraigada num historicismo e atrasada no diálogo com o mundo digital. Estaria a filosofia “muda” em relação às redes sociais, atrás de uma muralha, como ele afirma?
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O argentino Julio Cabrera, professor na Universidade de Brasília – UnB, pondera que o filósofo está constantemente “inventando a roda”, e que sem grandes intuições, não há grande filosofia.
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Luiz Rohden, da Unisinos, traça as aproximações entre filosofia e literatura, enquanto Oswaldo Giacóia, da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, frisa que a independência do pensamento é a prerrogativa máxima da filosofia.
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Roberto Romano, também da Unicamp, esclarece que “o desejo de produzir um sistema é recente na filosofia”, surgido no corolário do romantismo alemão.
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O platonista francês Jean-François Mattéi ressalta que o mito da caverna continua sendo fundamental e relevante em nossa época.
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Duas entrevistas completam a discussão: uma com o coordenador do PPG em Filosofia da Unisinos, Adriano Naves de Brito, que menciona o respeito da comunidade acadêmica brasileira pelo curso da instituição, e outra com o filósofo jesuíta francês, Paul Valadier.
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Confira aqui a íntegra da IHU On-Line 379 em PDF.
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Por Márcia Junges

 

O ano de 2012 inicia com muitas ideias e atividades na redação da Revista IHU On-Line. Diversas edições já estão sendo preparadas antecipadamente, aproveitando o período de recesso da publicação.

As políticas públicas brasileiras para as mulheres inspiram a primeira edição do ano, prevista para circular em 5 de março, três dias antes do Dia Internacional da Mulher. Uma análise do primeiro ano do governo Dilma deve ser a próxima temática explorada pela revista.

Dando continuidade à série de edições que abordam os biomas brasileiros, a IHU On-Line desenvolve a temática da caatinga. Exclusivamente brasileiro e ocupando 10% do território nacional, esse bioma tem seu nome originário da paisagem esbranquiçada apresentada pela vegetação durante o período seco.

A obra do filósofo e antropólogo francês René Girard inspira uma edição que reúne diversas entrevistas com especialistas em seu pensamento. A ideia desse número surgiu de uma entrevista com o historiador João Cezar de Castro Rocha, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ e coordenador da Biblioteca René Girard no Brasil, publicada pela É Realizações.

Outras temáticas em desenvolvimento pela equipe de jornalistas da IHU On-Line são o religioso no cinema e o perdão, assuntos que estão previstos para publicação próximos a Páscoa.

O decrescimento e a questão ambiental, o papel tirânico das finanças e o legado filosófico de Edgar Morin completam a programação da IHU On-Line para os primeiros meses deste ano.

A Revista IHU On-Line existe desde 2001. Anualmente, publica cerca de 40 edições, realizadas por uma equipe de três jornalistas, um editor geral e revisor de língua portuguesa.

Por Márcia Junges

A expectativa para a Rio+20 é de que não seja vista só como uma conferência, mas com um significado maior. “Temos que fazer da Rio+20 um momento para demonstrar a insatisfação da sociedade civil e dizer que temos de ir além.”, diz Rubens Born.

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A cidade do Rio de Janeiro será a sede da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a qual ocorrerá de 20 a 22 de junho de 2012. O encontro recebeu o nome de Rio+20 e visa renovar o engajamento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do planeta, vinte anos após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). Na Eco 92 vieram ao Rio 109 líderes e mais de 30 mil pessoas circularam no evento oficial, que também foi no Riocentro. O conteúdo da Rio+20, bem mais modesto, começa a ser discutido este mês, em Nova York. O nível de ambição do que será obtido em junho, no Rio, depende das negociações até lá, dos rumos da campanha eleitoral nos EUA e da crise econômica global.

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Uma das grandes diferenças da Rio+20 com a Eco 92 é a prioridade que os chamados “major groups” têm hoje em relação há 20 anos. O conceito, em voga nas Nações Unidas, reúne nove segmentos da sociedade civil – empresas, crianças e jovens, produtores agrícolas, comunidades indígenas, governos locais, ONGs, cientistas, mulheres, trabalhadores e sindicatos – e é intenção do governo aproximá-los o máximo das decisões da conferência. Na edição de 1992, os governos reunidos no Rio Centro, e a sociedade civil, no Aterro. Eram dois mundos separados. A arquitetura proposta agora é diferente.


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Rio+ONU20

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“É preciso que se entenda que durante dez dias o Rio de Janeiro será a ONU”, diz o diplomata Laudemar Aguiar, 50 anos, fluminense de Niterói e responsável por toda a logística do que o governo brasileiro quer que seja “a maior conferência da história das Nações Unidas”.

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Rio+20 faz parte de uma família de conferências da ONU que discute como o planeta quer se desenvolver. Será um debate importante sobre desenvolvimento sustentável com sua vertente econômica, ambiental e social, tendo como pano de fundo a redução da pobreza e a “economia verde“, conceito que pressupõe o uso de tecnologias limpas.

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Rascunho zero: ”documento tem mais chance de frustrar do que de atender as expectativas”.

Confira o trecho da entrevista realizada com o coordenador executivo do Vitae Civilis Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz, Rubens Born para a IHU On-Line.

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“O Brasil está acreditando que o pré-sal será a redenção do país para a superação da pobreza. Só que investir em pré-sal significa consumir mais e mais combustíveis fósseis e comprometer as emissões brasileiras para além do ano 2020. O Brasil tinha que se engajar para uma transição radical dos seus planos energéticos, sobretudo, fomentar a energia eólica, solar etc. Hoje, no Brasil, se desperdiça 18% de energia para aquecer água dos chuveiros elétricos. Se reduzíssemos esse consumo, teríamos evitado a construção das usinas de Santo Antônio e Jirau na Amazônia e poderíamos evitar a construção de outras termoelétricas. A posição brasileira é equivocada, põe o Brasil na contramão da história e mantém a alocação de recursos públicos e privados em investimentos que são insustentáveis.”

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Para ler mais:

O mais incômodo dos hóspedes não cessa de mover nosso chão e certezas. Quais são os valores e uma ética comum a todos os seres humanos? Que espaço sobra para a solidariedade numa sociedade marcada pelo relativismo? Enfim, trata-se de mercadejo ético ou da emancipação e da salvação?

A temática do niilismo é recorrente nas edições da Revista IHU On-Line. O assunto foi abordado pela primeira vez em 2006, na edição 197, sob o título A política em tempos de niilismo ético. Que tipo de política pode surgir quando são aceitos como “menores” crimes do colarinho branco ou mesmo fraudes eleitorais?

Em 2010, diversos pesquisadores analisaram o niilismo e o relativismo de valores que vem em seu corolário.

Assim, na edição 354, a IHU On-Line intitulou-se Niilismo e relativismo de valores. Mercadejo etico ou via da emancipacao e da salvacao?. Bolhas de sabão ilustravam a capa, metaforizando a fragilidade não apenas dos valores e de nossa sociedade como um todo nas suas mais variadas instituições, mas das próprias certezas e respostas que nos norteiam. Afinal, o que há de fundamento por trás de um todo movente, no qual o horizonte foi apagado, como Nietzsche vaticinou há dois séculos?

Vinte edições mais tarde, em setembro de 2011, trouxemos à discussão o legado do filósofo jesuíta Henrique Cláudio de Lima Vaz, analisando seu sistema como uma resposta ao niilismo ético. Para o filósofo Rubens Godoy Sampaio, em toda sua obra de estrutura triádica, Lima Vaz promove uma invectiva contra o niilismo, procurando superá-lo.

Mais do que respostas prontas e acabadas, é preciso aceitar a provocação nietzschiana contida na epígrafe do quinto livro da Gaia Ciência, de autoria do General Turénne: “Tremes, carcaça? Tremerias ainda mais se soubesses onde vou te levar”. Não ficarmos paralisados frente ao incerto, ao desconhecido, ao erro e ao comodismo. Ao invés do pessimismo schopenhaueriano, a afirmação incondicional da vida e de suas facetas luminosas e sombrias. Numa época de contornos borrados, cabe a cada sujeito ajuda a redesenhar o horizonte.

Por Márcia Junges

Para ler mais: