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Os exames de DNA voltados para atestar a paternidade ganharam destaque considerável nos tribunais, na mídia e na atenção das pessoas principalmente após o início dos anos 1990. Até mesmo alguns programas exibidos na televisão aberta e com público-alvo mais popular conseguiam ampla audiência mostrando casos onde o teste de paternidade era fator central.

Nestes casos, o direito une-se a tecnologia em busca de um melhor entendimento e esclarecimento de casos onde a resolução não depende apenas de considerações teóricas, mas onde a ciência também é crucial. É o que Cláudia Fonseca, professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRGS e do Doutorado em Antropologia Social na Universidad Nacional de San Martin (Buenos Aires) procura mostrar na edição nº190 dos Cadernos IHU ideias intitulado Ciência e justiça: Considerações em torno da apropriação da tecnologia de DNA pelo direito.

“Meu interesse pelo tema surge de uma pesquisa que realizei nos tribunais do Rio Grande do Sul no início dos anos 2000 sobre investigações de paternidade. Sugiro que a tecnologia de DNA já nessa época, era raramente contestada nas varas de família, onde tendia a ser aceita como instrumento objetivo da realidade”, diz Cláudia acerca do objetivo do tema proposto.

De acordo com Cláudia, a tecnologia utilizada para esse tipo de teste talvez não tenha 100% de acerto, “pesquisadores no hemisfério norte nos chamam a atenção para a quantidade (pequena, mas não negligenciável) de pessoas que foram condenadas durante os anos 1990 por causa de um ‘falso positivo’. Quando em 1999, o banco britânico de perfis genéticos mudou para um sistema mais sofisticado de análise, resolveram rever 600 casos em que um ‘acerto’ entre dois perfis genéticos tinha sido detectado: este controle indicou que até ¼ dos resultados positivos registrados entre 1995 e 1999 devia ter revisto (LYNCH ET AL. 2008)”.

Os Cadernos IHU ideias podem ser adquiridos diretamente no Instituto Humanitas Unisinos – IHU ou solicitados pelo endereço humanitas@unisinos.br.

Informações pelo telefone 55 (51) 3590 8247.

A partir de 24 de julho de 2013 esta edição estará disponível na íntegra, no site do IHU, em PDF.

“Até que ponto o que sabemos pela ciência a respeito da evolução da vida no universo pode influenciar nossa atitude religiosa? E, por outro lado, até que ponto o pensamento religioso pode dar uma contribuição para nossa compreensão científica das origens e da evolução da vida no universo?”. A partir destas questões, George V. Coyne constitui o pano de fundo geral do tema abordado pela edição 78 do Cadernos Teologia Pública “As implicações da evolução científica para a semântica da fé cristã”.

“Esta dupla pergunta implica sério risco de transgredir a independência epistemológica das várias disciplinas: teologia, filosofia, astrofísica, biologia e cosmologia, e de criar, com isso, mais confusão do que compreensão”, comenta Coyne e acrescenta que a história já mostrou o efeito negativo de não preservar a integridade das respectivas disciplinas.

George V. Coyne é jesuíta, formado em matemática e licenciado em filosofia pela Universidade Fordham, Nova Iorque. Com PhD em astronomia, completou seus estudos teológicos em 1965, quando foi ordenado sacerdote católico. Defensor do darwinismo, trabalha com o diálogo entre fé e ciência e as implicações religiosas da evolução científica na Universidade do Arizona, EUA.

Esta e outras edições dos Cadernos Teologia Pública podem ser adquiridas diretamente no Instituto Humanitas Unisinos – IHU ou solicitados pelo endereço humanitas@unisinos.br. A partir do dia 13 de julho de 2013 a edição estará disponível na íntegra em PDF, aqui.

“Nos últimos anos o desenvolvimento e o uso das tecnologias em reprodução assistida estão em franco crescimento, expandindo-se para outros domínios que não mais os da gravidez. O cenário mudou em muitos de seus aspectos desde os primeiros olhares. Eu observo estas dinâmicas a partir das ciências humanas e vejo que, nas décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000, muitos conteúdos foram marcados por importantes problematizações para o contexto da experiência de mulheres e de casais em reprodução assistida”, aponta a professora da Universidade Federal do Paraná – UFPR, Marlene Tamanini, em artigo publicado na edição nº 189 dos Cadernos IHU ideias Produções tecnológicas e biomédicas e seus efeitos produtivos e prescritivos nas práticas sociais e de gênero.

A pesquisa envolvendo quais as possíveis causas e efeitos do crescimento das práticas de reprodução assistida e o panorama das novas tecnologias que possibilitam tais práticas na América Latina e na Espanha. Sobre esse ponto, Marlene afirma que “Mostra-se um aumento significativo de fertilizações e de concepções com doação de gametas. Em 2008 foram realizados no Brasil 15.642 ciclos em 57 clinicas, dos quais 4.316 transferências embrionárias com doação de óvulos, 63% das aspirações com doação exclusiva – ou seja, a mulher foi estimulada para doar seus óvulos”.

Os Cadernos IHU ideias podem ser adquiridos diretamente no Instituto Humanitas Unisinos – IHU ou solicitados pelo endereço humanitas@unisinos.br.

Informações pelo telefone 55 (51) 3590 8247.

A partir de 12 de julho de 2013 esta edição estará disponível na íntegra, no  sítio, em PDF.

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A modelagem das feminilidades favorecidas pelas revoluções tecnocientíficas contemporâneas é o tema de capa da IHU On-Line desta semana.

Marlene Tamanini, professora na Universidade Federal do Paraná – UFPR, reflete sobre as técnicas de reprodução assistida. Segundo ela, no que diz respeito à biomedicina, “o útero, as diferenças entre os gametas e as representações segue-se apontando a necessidade de maternidade, como experiência fundante e imprescindível para uma mulher heterossexual, casada, que quer um filho”. E continua: “as representações compartilhadas pelos casais resultam de uma interpretação híbrida entre a ideia de que um filho é um pouco da genética de cada um, e uma obra de arte de ambos, como resultado de um processo de conjugalidade e seu projeto. O filho aparece entre casais heterossexuais (…) como um capital narcísico e emocional e como a possibilidade de transcendência sanguínea e cultural”.

Diana Maffía, pesquisadora do Instituto Interdisciplinar de Estudos de Gênero da Universidad de Buenos Aires e diretora do Observatório de Gênero na Justiça, do Conselho da Magistratura da capital argentina, acredita que “o feminismo latino-americano está cada vez mais comprometido e mais consciente de suas lutas plurais”. Segundo ela, “é muito importante que não nos fechemos a estes debates, porque não podemos falar apenas e simplesmente ‘uma mulher’. Somos o que algumas feministas chamam ‘mulheres com sobrenome’, ou seja, mulheres negras, mulheres indígenas, mulheres pobres, mulheres lésbicas…”.

O teólogo espanhol José Ignacio González Faus concede uma entrevista sobre a atual conjuntura eclesial e outros temas em debate na contemporaneidade. “O que vem antes do começo” é o título da reportagem da semana, que conta a história de Mônica, 32 anos, e Felipe, 35 anos, que, ao decidirem ter filhos, tiveram que recorrer à medicina.

Confira essas e outras matérias no site da revista. A todas e a todos uma ótima semana e uma excelente leitura!

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Enquanto governos e patrocinadores enaltecem a realização dos megaeventos no Brasil, um contingente de milhares de brasileiros, em grande parte composto por pessoas em situação de vulnerabilidade social, vem sofrendo as mais variadas violações de direitos humanos. É neste contexto que se inicia no próximo sábado, em Brasília, a Copa das Confederações, um evento que será um ensaio para o mundial de futebol, que ocorrerá em 2014 no Brasil. Esse é o tema da nova edição da revista IHU On-Line.

“Com o apito inicial da Copa do Mundo no Brasil toda a esperança do povo brasileiro, depositada na seleção verde e amarela, será transformada em uma grande e apaixonada torcida pelo sucesso dos canarinhos tupiniquins, a ser materializado em muitos gols e vitórias, até o som do apito final. Porém, engana-se quem acredita tudo ser festa”, avalia o advogado Paulo Lemos.

Um dos impactos do evento são as violações dos direitos humanos. “Elas se dão nas mais variadas esferas e uma das principais são as remoções forçadas em detrimento das obras de infraestrutura. Nosso cálculo aponta que mais de 200 mil pessoas serão removidas no Brasil em função dos megaeventos”, denuncia Claudia Favaro, arquiteta.

Outro aspecto da Copa do Mundo é apresentada na Reportagem da Semana, que traz a história de Damian Steppacher, voluntário. Ele considera que a oportunidade de poder trabalhar em um megaevento traz bons frutos para a carreira profissional, além de ser  um trabalho divertido, não pela remuneração, mas pelo fato de conhecer pessoas e se sentir fazendo parte de algo maior. “É muito legal saber que fazemos as coisas acontecerem, pois a grande força de trabalho nesses megaeventos é a grande massa de voluntários. A questão da autorrealização é impagável”, conta.

Confira também a entrevista com Gustavo Andrada Bandeira, palestrante do IHU Ideias dessa semana (13) com o tema Torcidas Queer e a homofobia nos estádios de futebol. Segundo ele, “a homofobia nos estádios de futebol é tão marcada que a própria imprensa esportiva nem mesmo a entende como algo violento ou como um acontecimento digno de ser narrado”.

Confira essas e outras entrevistas na edição 422 da IHU On-Line.

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