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O cientista político Rudá Ricci faz uma interessante análise da atual conjuntura política brasileira em entrevista concedida à TV mineira.

Tanto a revista IHU On-Line como as Notícias do Dia têm publicado várias entrevistas e artigos de Ricci. Para conferir, basta digitar, na busca do sítio do IHU, ‘rudá ricci’ para ter acesso aos textos.

Eis a entrevista.

“O PSOL realiza uma consulta sobre os possíveis candidatos do partido à presidência. Qual deles seria o melhor candidato?”, foi uma das enquetes do sitio do IHU.

O resultado foi:

Plínio de Arruda Sampaio – 43.09 %

Babá – 0.81 %

Martiniano Cavalcante – 1.63 %

Nenhum dos acima indicados – 18.7 %

Tanto faz como fez – 35.77 %

Eis alguns comentários dos internautas:

“O PSOL todo cabe numa Kombi, logo tanto faz como tanto fez, pois o discurso do partido é como tosa de porco. “Muito grito e pouca lã”, escreve Lino Moura, com quem concorda o internauta Xarbel.

Por sua vez, Flávio, afirma que não votará em qualquer candidato do Psol, seja quem for. O Psol, apesar de defender algumas bandeiras justas, como a ética na política, é um partido ideologicamente anacrônico. Uma espécie de revival do programa do PT de 25 anos atrás”. E continua: “Mas, vendo do ponto de vista da extrema esquerda, o melhor candidato, ou “anticandidato”, é Plínio de Arruda Sampaio. Ele é mais conhecido que os demais “presidenciáveis” do partido. É articulado e sarcástico. O perfil ideal para alguém que fará campanha somente para denunciar o sistema e ser contra tudo-que-aí-está”.

Raul Quadros relembra que “Plinio foi o candidato de Lula contra Erundina para a disputa da prefeitura de São Paulo. A Erundina ganhou”.

E comenta:

“Prá ver como é história, se Plinio fosse o escolhido, teria virado prefeito e poderia ter alçado voos maiores… hoje termina a “carreira” política no nanico e aguerrido Psol”.

“Será que as estruturas do poder são tão herméticas e avassaladoras que não é possível fazer fermentar o germe da revolução e das profundas transformações desde dentro delas?”, pergunta João Saraiva.

Segundo ele, “é pena que o Plínio, a Erundina, a Marina, o Chico Alencar, a Heloísa Helena e outros nomes de peso dos movimentos populares tiveram que migrar do PT para nada…”

Segundo Ricardo Zaki Francisco, “Plínio é um político sério, coereinte, compromentido com as questões sociais e humanas. Acredito que o candidato que o Brasil precisa para romper com as mesmices”.

Lúcio Santos, sugere que “o Psol deveria passar por um profundo processo de auto-critica sobre sua capitulação a candidatura de Marina Silva/Sarneys/PV e caminhar decisivamente para um processo socialista, sem financiamento de transnacionais e buscar coligar-se com o PSTU e o PCB. Construir uma frente de esquerda e se contrapor ao campo Lula/Serra/Marina com a Heloisa Helena/Zé Maria na cabeça de chapa”.

Cláudio Barbosa critica a enquete: “Pedir a opinião dos leitores para uma decisão dessas é mesmo falta de criatividade!” e pergunta: “Quem é o Psol??? Tenho até respeito histórico pelo Plínio de Arruda Sampaio, mas francamente…”.

Os 30 anos do PT

Em 8 fevereiro, 2010 Comentar

Nesse final de semana o sítio do IHU publicou uma série de reportagens e análises dos 30 anos de vida do PT. Fica evidente em todas elas que o PT definitivamente incorporou-se a realpolitik, ou seja, tornou-se um partido que se acomodou as regras do jogo político.

Prova inconteste são as palavras do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao afirmar:  “Tenho certeza de que o medo do PT não existe mais”. Na sequência, o empresário destaca que o relacionamento do empresariado com Lula e também com o PT é “excelente” e “de carinho”. Note-se que ele não fala apenas do relacionamento com Lula, mas também com o PT.

Outro testemunho de que o PT já não produz mais receio e incorporou-se ao status quo da lógica partidária brasileira é dado por Luiz Carlos Mendonça de Barros, economista prestigiado entre as grandes corporações empresarias e ex-ministro de FHC responsável pela privatização da telefonia. Mendonça disse nessa semana  que “enquanto a eleição estiver entre Dilma e Serra, não vejo grande preocupação no mercado”.

A mudança de rota ideológica do PT é justificada pelo seu presidente, José Eduardo Dutra, com o surrado argumento: “O PT mudou como o Brasil mudou, como o mundo mudou”. Sempre é bom lembrar que a inflexão doutrinária definitiva do PT se deu com a ‘Carta ao Povo Brasileiro’. Essa carta – que afastava qualquer perspectiva de ruptura com o grande capital (financeiro, produtivo e do agronegócio) – sinalizou que quem mudou foi o PT.

O cientista político David Fleischer, da UnB (Universidade de Brasília), afirma que dois movimentos do PT em 2002 foram decisivos para a mudança na relação com o capital: a Carta aos Brasileiros, em que o então candidato Lula se comprometia a honrar compromissos econômicos caso vencesse as eleições, e a escolha do empresário José Alencar como vice na chapa presidencial. Segundo ele, “o preço pago pela guinada que conquistou os empresários foi jogar na lata do lixo o dogma do PT” e emenda: “Colocar Meirelles no BC foi uma heresia, que muitos petistas não aguentaram”, diz ele. E não agüentaram mesmo, essa decisão foi a gota d’água que significou a rendição do partido.

Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula para questões internacionais e responsável pela elaboração do programa do PT para as eleições de 2010, desdenha daqueles que acreditaram que o partido promoveria rupturas. Segundo ele,  “alguns clamaram por uma ruptura mais forte com o status quo, prodigando lições revolucionárias. Outros culparam o povo por deixar-se comprar pelas “migalhas” das políticas sociais implementadas. Persistiram no estigma à experiência brasileira, usando paradigmas teóricos ultrapassados”. Os paradigmas teóricos ultrapassados de que fala o estrategista de geo-política do governo Lula era a crença que o partido não faria pactos com as forças econômicas e políticas responsáveis pela modernização conservadora da sociedade brasileira e que era possível uma radical distribuição de renda, muito para além do Bolsa-Família.

Porém, um dos aspectos que mais desencantou milhares que apostaram no PT, foi o abandono do jeito novo de fazer política. “Uma das mais importantes alterações sofridas pelo PT foi o movimento de adaptação estrutural para a dinâmica do poder nacional, que resultou na autonomia do grupo partidário no governo. Isso afetou o projeto de democracia interna participativa, traduzido inicialmente nos núcleos de base, a mais importante novidade petista no campo da organização partidária”, atesta Rachel Meneghello, professora de ciência política da Unicamp.

Como diz o sociólogo Francisco Oliveira, o PT virou uma espécie de “suplício da saudade”. Saudades até mesmo ingênuas de uma história que não mais se repetirá. Chico de Oliveira é categórico: “O PT já não é um partido da transformação”. Infelizmente, cada vez mais o PT se resume ao fenômeno lulismo. Quem quiser compreender a essência desse fenômeno deve ler a excelente análise de André Singer, da qual o IHU publicou uma síntese.

Postado por Cesar Sanson

Coordenadora Internacional da Pastoral da Criança Zilda Arns! O arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, disse na manhã desta quarta-feira (13) que sua irmã, Zilda Arns Neumann, “está no coração de Deus”, segundo a secretária pessoal do arcebispo, irmã Devanir. Coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda morreu no terremoto no Haiti ocorrido nesta terça-feira (12).

“Acabo de ouvir emocionado a notícia de que minha caríssima irmã Zilda Arns Neumann sofreu com o bom povo do Haiti o efeito trágico do terremoto. Que nosso Deus, em sua misericórdia, acolha no céu aqueles que na Terra lutaram pelas crianças e os desamparados. Não é hora de perder a esperança.”

Paulo Evaristo Cardeal Arns

Este é o título do artigo de André Singer publicado na revista Novos Estudos CEBRAP.

Eis o resumo, feito pelo autor do artigo:

“O artigo sugere hipóteses para compreender o realinhamento eleitoral que teria ocorrido em 2006. O subproletariado, que sempre se manteve distante de Lula, aderiu em bloco à sua candidatura depois do primeiro mandato, ao mesmo tempo em que a classe média se afastou dela. A explicação estaria
em uma nova configuração ideológica, que mistura elementos de esquerda e de direita. O discurso e a prática, que unem manutenção da estabilidade e ação distributiva do Estado, encontram‑se na raiz da formação do lulismo.”

Rudá Ricci, sociólogo, comenta, no seu blog, 08-01-2010:

“O texto de André Singer é mais relevante que as notícias veiculadas na grande imprensa dão a entender. A partir do cruzamento de várias pesquisas de intenção de voto (desde 89) percebe-se que Lula foi se deslocando da aceitação das classes médias e mais instruídas para as camadas mais pobres (até 2 salários mínimos mensais de renda). O ápice deste deslocamento ocorreu em 2006. Os dados apresentados são consistentes.

Este é o fundamento para Singer sugerir que o lulismo é bonapartista, justamente porque os muito pobres (lumpensinato, no jargão marxista) não se organizam enquanto classe ou grupo social, historicamente dependentes de um pai ou guia político.

A tese sobre o bonapartismo, confesso, parece-me algo forçado. Não que o lulismo não seja identificado como um pai protetor. A questão é que estes mais pobres estão em franca ascensão social. Neste caso, o conceito de bonapartismo ficaria incompleto já que a tendência seria da organização dos novos membros da classe média baixa.

De qualquer maneira, os dados analisados por Singer revelam a pujança do lulismo e, ainda mais, o forte impacto que estaria criando no mercado de consumo de massas e até mesmo na sobrevivência dos velhos formadores de opinião (lidos e ouvidos pela velha classe média)”.