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“A América Latina está vivendo um clima político e social sem precedentes. Parece despertar de uma velha letargia. ‘Presidentes de Latinoamérica’ é um ciclo de documentários de produção nacional [argentina] que registra de forma integral as transformações que esta nova época vai deixando em cada um dos países da região”.

Essa é a definição da produtora argentina Occidente do seu novo trabalho, que foi exibido pela primeira vez pelo canal público argentino Encuentro.

A série de documentários incluem entrevistas com os presidentes da América do Sul, incluindo o presidente Lula, numa tentativa de aproximar e revelar “os sonhos e as lutas daqueles homens que hoje presidem os destinos dos povos latino-americanos”. Em suma, uma tentativa de “humanizar” seus governos, mostrando sua face “gente como a gente”.

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Dom Erwin, Lula e Marina

Em 17 dezembro, 2009 Comentar

Dom Erwin Kräutler é hoje, de longe, a maior liderança na luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Em uma forte entrevista ao IHU On-Line no dia de hoje, o bispo de Altamira no coração da Amazônia, não poupa críticas à pessoa de Lula, o seu governo e a Marina Silva por quem se diz profundamente decepcionado.

Sobre Lula afirma o bispo: “Será que Lula sonha com um Shangri-La tropical para esse povo que será atingido pela desgraça de Belo Monte, será que ele quer recuperar o paraíso perdido ou fazer emergir das águas represadas do Xingu uma Atlântida submersa. Déjà vu! Esse filme já conhecemos desde Itaipu, e ainda mais desde Tucuruí e a desastrosa Balbina! Quem dá a garantia para as promessas presidenciais se concretizarem? Quando o lago submergir um terço da cidade de Altamira, o presidente Lula e seu staff já obterão suas polpudas aposentadorias e irão lavar suas mãos, pois não terão que prestar homenagem ou satisfação a quem, naquela altura, governará o Brasil”.

Para Dom Erwin, “a futura geração amazônica irá condenar ao inferno a quem causou toda essa desgraça e arrasou irreversivelmente essa região magnífica. Mas, o arrogante setor energético do Governo não se dispõe a ouvir o brado do povo. Dane-se quem for contra a hidrelétrica! Bem de acordo com aquele antigo provérbio árabe: Os cães ladram e a caravana passa!”.

Em outro trecho da entrevista, o bispo, manifesta sua decepção com a candidata à presidente pelo PV: “Marina Silva me decepcionou. Jamais pensei que ela se submetesse tão tranquilamente aos ditames de sua candidatura à presidência da República. Nunca pensei que ela abrisse mão de sua convicção de defender o meio ambiente contra projetos insanos e imperdoavelmente omissos nos seus estudos de viabilidade. Marina fala como candidata do Partido Verde e, como tal, deveria exatamente assumir a defesa do “Verde das Florestas”! A afirmação “não há como fugir do aproveitamento energético do rio Xingu” é a mesma cantilena que estamos cansados de ouvir da boca dos intransigentes tecnocratas do Governo. Pior, ao repetir esse refrão, Marina capitula diante dos ideais que fizeram dela uma voz respeitada e uma referência em nível nacional e internacional em se tratar da defesa da Amazônia”.

Conclui Dom Erwin: “Não é mais a Marina que eu conheci e hospedei em Altamira no dia em que mataram a Irmã Dorothy! Marina traiu sua missão de vanguarda dos povos da floresta. O que ela espera alcançar com essa mudança de seu visual? Alguns votos dos que até agora fizeram oposição à ela?”, pergunta o bispo.

Uma entrevista arrasadora.

Postado por Cesar Sanson

Hoje, 25 de novembro é o Dia internacional de Combate à violência contra a mulher.

Mulheres vem sofrendo a violência dos homens presentes em suas vidas (companheiros, pais, irmãos, filhos) há alguns séculos, e cotidianamente, muitas vezes em silêncio e culpadas por acontecer, ou muitas vezes sem saber reconhecer como uma violência e especialmente contra elas, por serem mulheres. Só recentemente e nos últimos anos, a agressividade social e individual contra nós está sendo nomeada e combatida, com o avanço dos movimentos sociais, feministas e de mulheres, muita coisa avançou no sentido de reconhecer como uma forma específica de privação dos direitos ao exercício da cidadania.

São 3 mulheres assassinadas por semana em Curitiba e Região Metropolitana, mães de família, trabalhadoras, jovens ou não, pelas mãos de seus maridos e companheiros. Segundo os dados do DataSus, a cada 4 minutos uma mulher é agredida no Brasil. Essas cenas estão acontecendo o tempo todo e agora, e muitas dessas violências acabam por ter um fim trágico, com a morte das mulheres que a sofrem.

A raíz dessa violência está na desigualdade de poder entre homens e mulheres, e numa forma de controle social exigida pela lógica própria ao sistema patriarcal.

O Coletivo de Ação Feminista de Curitiba estará realizando um ato nesse dia e convida a todas para participarem:

das 11:30 às 13:30 na Boca Maldita (rua XV).
das 17:30 às 19:30 na Praça Rui Barbosa.

O livro “Justiça e memória. Por uma crítica ética da violência” é fruto de um trabalho sobre o tema justiça e ética em diferentes grupos de pesquisa no Brasil. É um esforço coletivo de produção, ressaltou o professor Castor Ruiz, organizador da referida obra.

A partir desta introdução, Castor falou um pouco dos diferentes artigos que estão apresentados no livro. Ressaltou que pelo elenco dos trabalhos a obra apresenta uma linha transversal, a partir do tema violência e justiça.

Para ele a obra tem duas grandes linhas transversais que conectam os diferentes artigos. A primeira é a questão da violência, que é um tema que tem marcado o imaginário social, que precisa ser repensado. A partir da violência surge um segundo tema, que é pensar o direito e a justiça e partir deste contexto da presença da violência.

Conforme Castor, a violência parece ser um mal endêmico que nos acompanha desde sempre na América Latina, por exemplo. Por isso, uma questão central do livro é como a violência se legitima e como há tentativas de se naturalizar a violência. Ou seja, partir do princípio que o ser humano é violento por natureza e há que se pensar alternativas para limitar esta violência.

Por vezes, segundo Castor, parece que para poder frear esta violência precisa-se utilizar doses maiores de violência. Para ele se faz necessário desconstruir este pensamento ou criaremos sociedades constitutivamente violentas.

Refere ainda, que há uma falácia deste argumento naturalista que confunde agressividade com violência. A agressividade dos animais está em sua genética, tornando-os agressivos, na busca de seus territórios, de comida, etc. No ser humano há uma agressividade, porém trabalhamos os sentidos das nossas necessidades genéticas. Temos fome, mas não comemos qualquer coisa. Assim como precisamos significar nossa agressividade.

Então, a crítica ética da violência está no sentido de percebermos que nós acabamos transformando a nossa agressividade na função violência. Assim podemos trabalhar esta função da agressividade de maneiras diferentes, em energia para superar obstáculos, por exemplo. Então a agressão transformada em violência tem do e no ser humano uma intencionalidade.

Estes fatos permeiam diferentes dimensões da sociedade e, nos modelos de direitos que temos, a violência é e está inerente a este direito. Toda ordem social é constituída a partir da violência, que institui o direito legítimo e que permite mantê-lo. O direito ainda demanda o monopólio da violência. Então, até onde será que a violência é constitutiva do direito e há saída? Há uma teoria da justiça que possa pensar diferente este tema? Pensar a violência a partir das vítimas, por exemplo? O livro debate estas questões.

O professor José Carlos, autor de uns dos artigos do livro, seguiu a apresentação falando que a justiça de transição tem seu viés relacionado a uma justiça constituída a partir das vítimas.

José Carlos ressalta que outro tema que é fundamental ao livro é a questão da memória, ou seja, um esforço para se pensar uma justiça que está relacionada sempre a um vício de origem, uma presunção de igualdade ao tratar com a violência entre os diferentes atores sociais. É necessário perceber o quanto a sociedade está comprometida em uma mão linear do progresso, que naturaliza o fato de ter um preço, que deve ser pago pela sociedade e que vai apagando os rastros, a memória da sociedade. Assim perde-se também a memória da violência e, até mesmo a naturalizamos, naturalizamos a existência de vítimas da violência; como um custo da marcha do progresso.

Assim não se reconhece uma desigualdade estruturante, que traz a violência fundacional à sociedade e que precisa ser pensada para nos dirigirmos ao conceito de justiça, por exemplo. Estas são algumas das questões do instigante livro, que recomendamos a leitura. (postado por Lucas Luz).

O (des)governo biopolítico da vida humana é o tema do XI Simpósio Internacional IHU a ser realizado nos dias 13 a 16 de setembro de 2010.

O Simpósio é uma realização do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, em parceria com os Programas de Pós-Graduação em Filosofia, Saúde Coletiva e Direito, da Unisinos.

Em breve, teremos mais informações.