Arquivos da categoria ‘Memória’

Vinte anos não foram suficientes para apagar da memória o terrível assassinato de seis padres jesuítas, a funcionária de sua residência e sua filha de 15 anos, no dia 16 de novembro de 1989, no jardim da comunidade jesuíta da Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas (UCA), em El Salvador.

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Na madrugada daquela quinta-feira, Ignacio Ellacuría, reitor da UCA; o vice-reitor, Ignacio Martín-Baró; o diretor do Instituto de Direitos Humanos da UCA, Segundo Montes; o diretor da biblioteca de teologia Juan Ramón Moreno; o professor de teologia Amando López; o fundador da universidade, Joaquín López y López, todos jesuítas; a funcionária Elba Ramos e sua filha Celina foram fuzilados a sangue frio no campus da UCA.

Paramilitares do Exército salvadorenho invadiram a residência dos jesuítas deliberadamente para matar aqueles que incomodavam a ditadura, no rastro do assassinato de outro jesuíta, Pe. Rutilio Grande, amigo próximo de Dom Óscar Arnulfo Romero y Galdámez, arcebispo da capital, San Salvador, que também foi fuzilado enquanto celebrava a missa.

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Para reforçar essa lembrança e celebrar a importância desse martírio para o contexto latino-americano, o IHU irá exibir, o debate “Memory and Its Strength: The Martyrs of El Salvador” [A memória e sua força: Os mártires de El Salvador], que irá ocorrer no Boston College, nos Estados Unidos, no dia 30 de novembro. Nesse encontro, o filósofo norte-americano Noam Chomsky e o jesuíta, teólogo e co-fundador da UCA, Jon Sobrino – que, no dia do massacre, estava fora de El Salvador –, irão debater sobre a importância dessa memória, mediados pelo jesuíta e reitor emérito do Boston College, J. Donald Monan.

A exibição no IHU, traduzida ao português, irá ocorrer no dia 10 de dezembro, em um evento que está sendo especialmente preparado para celebrar o aniversário do martírio dos jesuítas de El Salvador.

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Nessa data, como homenagem póstuma de nosso Instituto, a atual sala de eventos do IHU – 1G119 – será reinaugurada como Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros.

As Notícias do Dia, hoje, publicam uma entrevista sobre Ignacio Ellacuría. Para lê-la, clique aqui.

A luta do operário Santo Dias da Silva, assassinado há 30 anos, dia 30 de outubro de 1979, foi imortalizada em composição – letra e música – de Luiz Augusto Passos.

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Mercedes Sosa

Em 4 outubro, 2009 Comentar

Os portais dos jornais argentinos desta manhã informam a morte de Mercedes Sosa.

As Notícias do Dia, hoje, fazem a memória desta voz latino-americana.

“Ausencias: Arte visual para comprender la desaparición forzada de personas durante la dictadura militar”. Este é um dos trabalhos do fotógrafo argentino, Gustavo Germano. Lançada em 2008, a mostra retrata a dimensão da perda de desaparecidos e assassinados durante a ditadura militar argentina. O próprio fotógrafo teve seu irmão desaparecido.

Confira abaixo algumas das fotografias.

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(por Juliana Spitaliere)

Nesta sexta-feira, dia 25 de setembro, a Igreja Preta como é conhecida popularmente a Igreja do Sagrado Coração de Jesus no Pinheirinho, região sul de Curitiba, ficou literalmente lotada para a missa de sétimo dia de Alceu Cordeiro da Fonseca.

Entre as centenas de pessoas que compareceram à missa estavam os velhos militantes da Pastoral Operária e da Oposição Sindical Metalúrgica. Alceu Fonseca, metalúrgico, soldador de profissão, foi “cabeça” de chapa da oposição nas eleições para o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba em 1986. A oposição perdeu as eleições e Fonseca amargou por muito tempo o desemprego.

Militante da Pastoral Operária, da Oposição Sindical Metalúrgica, fundador do primeiro núcleo do Partido dos Trabalhadores do Pinheirinho e atuante membro da comunidade, Alceu Fonseca era muito querido por todos. Figura discreta, fala mansa, era profundamente determinado em suas convicções e sempre acreditou e apostou na organização popular.

Alceu trabalhou como metalúrgico em várias fábricas em Curitiba. O seu último emprego foi na Isdralit onde trabalhou como soldador. Nessa empresa se aposentou e dedicava os seus dias à família e a comunidade. Fonseca, casado com Terezinha Aparecida Leal da Fonseca, deixou três filhos e dois netos. Dois dos seus filhos – Maurício e Moisés – são metalúrgicos.

O Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (Cepat) registra a sua tristeza pela morte de Alceu Fonseca, bom amigo, companheiro e exemplar militante das causas sociais.

Alceu Cordeiro Fonseca (10-11-1946/19-09-2009).