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Valeu, Zumbi!

Em 20 novembro, 2012 Comentar

Em 1971, representantes do Grupo Palmares, situado no Rio Grande do Sul, organizaram-se para implementar no dia 20 de novembro o Dia da Consciência Negra, que segundo registros históricos seria o dia da morte de Zumbi dos Palmares pelas mãos do bandeirante Domingos Jorge Velho em 1695 .

Zumbi nasceu em Alagoas no ano de 1655 e seu nome deriva-se de ‘nzumbi’ palavra do dialeto kimbundo, que ainda é falado em Angola. Ele foi um dos líderes da resistência negra contra a escravidão no território de Palmares. Logo após o seu nascimento, foi capturado e entregue a um missionário português que o batizou com o nome Francisco e o ensinou português e latim. Aos quinze anos, Zumbi escapa e volta para o lugar onde nasceu. Ao contrário do que muitos pensam, o quilombo dos Palmares não foi criado por Zumbi, mas por escravos fugidos dos engenhos de açúcar em Pernambuco no ano de 1600.

Sobrinho do líder do quilombo Ganga Zumba, Zumbi foi contra a proposta feita pelo governador da Capitania de Pernambuco que era a de libertar somente os escravos do quilombo e acabou tomando a liderança de seu tio.

O líder negro se valia de táticas de guerrilha para conter os ataques das tropas do governo. Segundo alguns historiadores, a vocação de Zumbi para o combate vinha de família. Ele seria descendente da tribo dos imbangalas, hábeis estrategistas e soldados da África Centro-Ocidental.

Desde 2009, o 20 de novembro é ponto facultativo em todo o Brasil e feriado em mais de 700 cidades. Além deste dia, há outras quatro datas flexíveis que embora sejam consideradas feriados pela população, não são reconhecidas pela legislação brasileira: A sexta-feira da Paixão, a terça-feira de Carnaval, o Corpus-Christi e o Domingo de Páscoa.

Muito mais do que simplesmente um dia em que talvez não se trabalhe em muitos lugares, o Dia da Consciência Negra é mais uma oportunidade que nós brasileiros temos de lembrar essa passagem histórica e também refletir sobre a situação do país em relação a miscigenação e ao progresso e protagonismo do povo negro na sociedade.                          <br/><a href="http://oi45.tinypic.com/2e1xcib.jpg" target="_blank">View Raw Image</a>

Mesmo após 124 anos da abolição da escravatura e de todas as lutas em busca de sua real afirmação, os negros ainda tem muito que pensar e buscar. O conhecimento de suas raízes, da história de seus antepassados em África e de tudo o que aconteceu é fundamental para que haja um reconhecimento por inteiro. Sem saber de onde viemos de fato,  jamais saberemos para onde ir.

A busca por uma educação plena, que proporcione acesso a todos os lugares e que dê muito mais que ascensão social, que mostre as crianças e aos jovens que é possível ter desenvolvimento intelectual e cultural.

Devemos buscar conhecer os traços da cultura africana, tão rica, para podermos enxergar no caleidoscópio que é a cultura brasileira a sua contribuição efetiva.

E por fim, lutar contra todo e qualquer tipo de preconceito. Seja ele racial,  social ou de gênero, pois enquanto não se extinguir do maior número de mentes possível o pensamento de qualquer superioridade que seja, não poderemos nos considerar habitantes de um país igualitário.

Viva Zumbi e todos aqueles que lutam todos os dias por um Brasil diferente!

(Por Wagner Altes)

Para ler mais

A passagem do economista, antropólogo e sociólogo francês Serge Latouche pelo IHU, para suas conferências dentro do Ciclo de Palestras: Economia de Baixo Carbono. Limites e Possibilidades, deixou diversos “rastros” no sítio do IHU.

Conceitos como decrescimento e convivialidade, e fortes críticas ao imaginário econômico e ao desenvolvimento foram abordados nas falas de Latouche, professor emérito de economia da Universidade de Orsay.

Confira aqui a cobertura dos eventos e conferências de Latouche pelo IHU:

Revista IHU On-Line:

Notícias do Dia:

Blog do IHU:

Publicações:

Para mais documentação, confira também a revista Entropia, de “estudos teóricos e políticos do decrescimento”, organizada por Latouche, no sítio www.entropia-la-revue.org.

Confira abaixo outros artigos e entrevistas republicados pelo sítio do IHU.

Para ler mais:

Mártires da UCA: um legado

Em 16 novembro, 2011 Comentar

Já se passaram 22 anos desde o dia 16 de novembro de 1989. Aquela noite, que entrou para a história dos movimentos sociais e da Igreja da América Latina, marca o brutal assassinato de seis jesuítas da Universidade Centro-Americana – UCA, a cozinheira da residência e sua filha de 15 anos.

Elba e Celina Ramos, mãe e filha, e os jesuítas Armando López, Ignacio Ellacuría (então reitor da UCA), Ignacio Martin-Baró, Joaquín López y López, Juan Ramón Moreno e Segundo Montes foram crivados de balas pelo Batalhão Atlacatl, do Exército salvadorenho, no jardim da residência dos jesuítas. Esse batalhão era compostos por homens treinados pela Escola das Américas, dos EUA.

Jon Sobrino, outro jesuíta que morava na mesma residência mas escapou do massacre por estar em viagem à Tailândia, afirmou que, na UCA, a inspiração cristã dos jesuítas era “algo central, […] aquilo que dava vida, direção, ânimo e significado a todos os nossos trabalhos, e […] algo que também explicava os riscos que a universidade continuamente corria. […] Através da fé cristã vivida dessa forma, a universidade se fazia mais salvadorenha”.

E, por isso, cada um deles, a partir de suas mais diversas áreas acadêmicas e práticas sociais, “incomodavam” o governo salvadorenho.

Segundo Sobrino, seus coirmãos deram ainda mais visibilidade à chamada “Igreja dos pobres”: a Igreja “mais ativa e criativa, […] mais comprometida com as justas causas populares. É a que mais fomenta a comunidade para superar o mal endêmico do individualismo, também religioso. É a que gera mais esperança para superar a resignação. É a que mais unifica o salvadorenho e o cristão. Certamente, é a que gera mais misericórdia, mais justiça, mais compromisso e mais amor pelo povo que sofre”.

Por isso, diversas são as homenagens – 22 anos depois – aos seis jesuítas e às duas mulheres assassinadas. Além dos eventos realizados pela própria UCA, a Universidade Ibero-Americana de Puebla, no México, promove o Colóquio Internacional “O legado jesuíta: Da América Central ao mundo”, entre os dias 14 e 18 de novembro. O evento também é uma homenagem a Sobrino, por suas contribuições à teologia da libertação.

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Dentre a programação, destacamos as quatro mesas redondas:

  • Herança e continuidade na defesa dos Direitos Humanos, com Benjamín Cuéllar (UCA), Oscar Castro Soto (Ibero) e David Morales (diretor-geral de Direitos Humanos do governo de El Salvador);
  • A herança intelectual jesuíta para a construção democrática, com Juan José García (vice-ministro do Ministério de Relações Exteriores de El Salvador), Roberto Rodríguez (da Secretaria Técnica da Presidência de El Salvador) e Helena Varela (Ibero).;
  • Legado teológico da comunidade da UCA e novos horizontes, com Javier Ulloa (Seminário Batista do México), Dan González (reitor da Comunidade Teológica do México) e Edgar Cortéz (Instituto Mexicano de Direitos Humanos e Democracia);
  • Os jesuítas, atores políticos do seu tempo, com José Luis Benítez (Cátedra Ignacio Ellacuría da UCA), Víctor Flores García (Cátedra Ignacio Ellacuría S.J. da Ibero) e Rubén Aguilar Valenzuela (ex-jesuíta e ativista político em El Salvador e México).

Além das mesas, o Colóquio conta com grandes conferências de Jon Sobrino (dia 14), de Héctor Samour, secretário de Cultura de El Salvador (dia 15), e de Almudena Bernabéu, do Center for Justice and Accountability, dos EUA (dia 16).

Veja a programação completa aqui.

Assista aqui a um vídeo que relembra o martírio dos jesuítas e de Elba e Celina Montes:

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Para ler mais:

Há 494 anos, no dia 31 de outubro de 1517, um monge agostiniano católico bateu à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha. Com um martelo à mão. E lá pregou – e publicou – aquelas que ficariam conhecidas como as 95 Teses.

O nome oficial do documento era Disputação do Doutor Martinho Lutero sobre o Poder e Eficácia das Indulgências, e, nele, Lutero, o monge do martelo, questionava os ensinamentos da Igreja com relação à penitência, à autoridade papal e às indulgências, que então eram vendidas para a construção da Basílica de São Pedro, de Roma.

A proposta era promover uma reforma no catolicismo, especialmente a partir de cinco princípios fundamentais, os chamados Cinco Solas:

  • Sola fide (somente a fé);
  • Sola scriptura (somente a Escritura);
  • Solus Christus (somente Cristo);
  • Sola gratia (somente a graça);
  • Soli Deo gloria (glória somente a Deus).

Com o passar do tempo, Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, que começou na Alemanha e se estendeu pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste Europeu, como os Países Bálticos e a Hungria.

Esse amplo movimento religioso levou a uma resposta por parte da Igreja, a chamada Contrarreforma, iniciada no Concílio de Trento.

Desdobramentos

Em 31 de outubro de 1999, em um gesto histórico, luteranos e católicos assinaram a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, entre a Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica. O documento – como desdobramento das discussões da Reforma – confessava que: “Somente por graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa de nosso mérito, somos aceitos por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para as boas obras”.

Bento XVI, o primeiro papa compatriota de Lutero desde a Reforma, visitou recentemente seu país natal, passando também pela cidade de Erfurt, onde Lutero iniciou seus estudos ao sacerdócio.

Lá, Ratzinger elogiou em Lutero a “paixão profunda, impulso da sua vida e de todo o seu caminho” pela “questão de Deus”. E acrescentou que “o seu pensamento, toda a sua espiritualidade foi totalmente cristocêntrica”. Para Bento XVI, a “candente pergunta” que norteou a vida de Lutero foi: “Como me encontro diante de Deus?”. Para o pontífice, essa pergunta deve “tornar-se de novo, e certamente de uma forma nova, também a nossa pergunta”.

Em 2017, completam-se os 500 anos daquele primeiro gesto de Lutero, às portas de Wittenberg. Para Walter Altmann, pastor protestante luterano, moderador do Conselho Mundial de Igrejas – CMI e ex-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, essa grande celebração “deve ocorrer em espírito ecumênico e na noção de que a Igreja da Reforma deve ser sempre Igreja em Reforma (semper reformanda)”.

Por isso, continua, “ainda que a celebração recorde o evento ocorrido 500 anos atrás, seu olhar deve estar voltado à frente, detectando os desafios comuns que a cristandade como um todo tem diante de si e refletindo sobre a substância do testemunho evangélico diante deles”.

Para ele, “Lutero jamais pretendeu fundar uma ‘nova’ igreja, muito menos que um segmento da cristandade se designasse por seu nome, o que ele rechaçou com veemência, mas que, contudo, por contingência histórica, aconteceu”.

Nesse sentido, só será fiel ao espírito da Reforma – afirma – “aquela celebração que refletir a sério tanto as limitações da própria Reforma quanto a contribuição que ela pode proporcionar não a uma parte, mas ao conjunto da cristandade”.

(Por Moisés Sbardelotto)

Para ler mais:

Funcionário da Unisinos há seis anos, Jackson Junges, 37 anos, faleceu no último sábado (15) em decorrência de um acidente de moto.

Jackson fazia parte da eficiente e altamente profissional equipe de motoristas da universidade, que sempre atende ao público com presteza, gentileza, eficiência e segurança.

Pai de duas filhas e esposo de Viviane, Jackson foi um homem reto, de caráter afável e um grande profissional, sempre muito dedicado e atencioso.

Como forma de homenageá-lo, relembramos a entrevista concedida por ele à edição 279 da revista IHU On-Line, em 2008.

Confira: IHU Repórter – Jackson Junges

A ele nossa lembrança e nossa saudade,
Instituto Humanitas Unisinos.