Arquivos da categoria ‘Indígenas’

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Em exatos dois meses, no dia 29 de janeiro de 2010, completam-se os 100 anos de nascimento de Dom Leonidas Proaño (1910-1988), símbolo nacional do Equador.

A Fundação Povo Índio do Equador, fundada por Proaño, está organizando uma série de homenagens ao falecido bispo de Riobamba, no Equador. Durante mais de 30 anos nessa função, esse “bispo que se esforçou para ser cristão”, como ele mesmo dizia, deparou-se com os graves problemas dos camponeses chimborasenses em sua diocese, procurando soluções adequadas aos problemas dos agricultores e índios.

O “Jubileu de Dom Leonidas Proaño” irá buscar “aprofundar e atualizar o pensamento teológico e a ação libertadora do nosso Profeta em meio aos nossos povos”, afirma o convite enviado à equipe do IHU.

Nesse sentido, segundo a Fundação, será realizado um Encontro Teológico Latino-Americano em homenagem ao primeiro centenário de nascimiento de Dom Leonidas Proaño. Intitulado “Pachamama, povos, libertação e Sumak Kawsay [Bem viver]”, o encontro será realizado em Quito e em Imbabura, no Equador, entre os dias 27 e 31 de janeiro de 2010.

No dia 31, haverá uma peregrinação ao túmulo do Profeta, com o fechamento do encontro com uma “concelebração pela vida”, em Pucahuaico, comunidade indígena de Imbabura, onde, por vontade própria, descansam os restos mortais de Proaño.

Buscando render uma homenagem a partir do agir concreto de Proaño, difundindo e refletindo seu pensamento neste momento histórico do Continente, o Encontro Teológico já tem as presenças confirmadas de:

Frei Betto (Brasil)
Pe. François Houtart (Bélgica)
David Choqueguanca (Bolivia)
Raúl Suarez (Cuba)
Elsa Tamez (Nicarágua)
Raúl Fornet Betancourt (Alemanha)
Juan José Tamayo (Espanha)
Nancy Cardoso (Brasil)
Juana Batzibal (Guatemala)
Esperanza Martínez (Equador)
Humberto Cholango (Equador)
Felipe Ogaz (Equador)

Mais informações pelo e-mail da Fundação (fpie@fundacionpuebloindio.org), site ou blog.

(por Moisés Sbardelotto)

Com a presença de oito pessoas, foi realizado no dia 16 de abril de 2009, mais um IHU Ideias, cuja temática discutiu a questão dos “povos indígenas na contemporaneidade: estratégias de luta, relações e desafios”. Temática esta que o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, vem abordando sistematicamente, pela sua importância, quando por exemplo, é um dos poucos veículos de informação e comunicação a cobrir e informar sobre a realidade da reserva Raposa Serra do Sol, quase que diariamente em seu site, no espaço das notícias diárias.

Os palestrantes Iara e Roberto iniciaram com a apresentação de algumas imagens contemporâneas dos povos indígenas, para mostrar a pluralidade de formas de viver e as diferentes realidades sócio-culturais dos mais de 240 povos que habitam o nosso país. Salientaram que existem no Brasil alguns povos em situação de isolamento, que não estabelecem nenhum tipo de contato com o mundo ocidental.

Por outro lado, existem também muitas famílias indígenas que habitam os centros urbanos, em áreas a elas destinadas ou não. Tudo isso mostra que não se pode lançar um olhar simplista para a temática indígena.  Os principais problemas enfrentados por povos  relacionam-se a posse, usufruto e garantia das terras, direito reconhecido e assegurado na Constituição Federal de 1988. Sem a terra não há como os povos indígenas viverem de acordo com suas tradições e crenças, portanto não se pode vislumbrar um futuro com dignidade e autonomia.

Os conflitos fundiários tem gerado também uma série de violências contra os índios, que envolvem ameaças de morte, assassinatos, e agressões diversas. A falta de terra é talvez a forma mais efetiva de violência praticada na atualidade – os Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, por exemplo, vivem situações cotidianas de dor e sofrimento (registra-se nas áreas desse povo os mais altos índices de assassinatos, espancamentos e de suicídios) em decorrência do confinamento desta população em áreas muito inferiores ao que seria necessário para assegurar sua sobrevivência. Para que este quadro seja revertido, é necessário realizar estudos antropológicos que indiquem os limites de terra necessários, estabelecendo-se também medidas para recuperação destes territórios que atualmente se destinam ao monocultivo de cana-de-açucar, a criação de gado, entre outros.

No Rio Grande do Sul também se pode ver povos indígenas privados do direito à terra: várias famílias guarani vivem em acampamentos situados nas margens das BRs, e lá permanecem para nos lembrar que suas terras foram loteadas, vendidas, transformadas em fazendas. Os acampamentos são uma entre tantas estratégias silenciosas e cotidianas de luta, encontradas pelas comunidades para expressar sua indignação, sua coragem, sua crença na justiça, sua vontade de viver.

Cabe destacar que no estado do Rio Grande do Sul vivem os povos indígenas Kaingang, Guarani e Charrua, numa população superior a 38.700 pessoas (o que significa 5,2% da população indígena do país). As aldeias espalham-se por vários municípios do estado, e existe também grande circulação dos indígenas pelos centros urbanos. Para maiores informações sobre os povos indígenas no Brasil, consultar o site http://www.cimi.org.br. (Postado por Lucas Luz, com base em relato enviado pelos palestrantes do evento).

Os Paresí no IHU

Em 9 fevereiro, 2009 Comentar

Escreve José Afonso Botura Portocarrero:

“Parabéns pela excelente e pertinente entrevista com a professora Maria Fatima Roberto, a memória dos Paresí e Rondon são partes da história do Brasil que poucos conhecem”.

Confira também: Morte e violência. Um debate sobre a discriminação contra os índios. Entrevista especial com Aloir Pacini