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“A imagem de ser velho está completamente deturpada no mundo atual”  – Katiusce Faccin

Por que consideramos o idoso alguém fraco, incapaz ou inferior? Isso pode não ser o que acreditamos ao pensar sobre o assunto, mas continuamente estranhamos ao ver pessoas de idade praticando esportes ou fazendo alguma atividade que dependa do corpo. Achamos que esse tipo de atitude não se encaixa no perfil de alguém frágil e já em uma idade avançada. Médicos e pessoas na saúde seguidamente tratam com tom condescendente e quase infantil pessoas acima dos 60 anos, independente de eles possuírem ou não qualquer problema cognitivo. Agimos sem pensar, seguindo uma forma de pensamento que nos foi implantada desde cedo, de que idosos são e devem ser tratados “diferente”.

A Professora Dra. Katiusce Faccin Perufo, doutora em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (PPGCS/UNISINOS), diz ter se interessado em ter a situação do idoso como objeto de estudo após uma série de acontecimentos em seu cotidiano que a levaram a perceber um padrão de interpretação dessa parte populacional pelo resto da sociedade. Segundo ela, essa idealização do idoso está tão entranhada na coletividade que as próprias pessoas mais velhas classificam-se como incapazes, ou, no outro extremo, fogem da taxação de se considerar uma “pessoa de idade”.  No dia 7 de novembro Katiusce apresentou no Instituto Humanitas Unisinos – IHU a palestra intitulada “‘desmodelização’ do idoso: dimensões do envelhecimento e sociabilidades na contemporaneidade”, onde falou sobre o assunto e sua experiência de anos de pesquisa.

Durante o evento, a pesquisadora abordou o diferencial de classe, e o modo como o idoso de classe baixa trata a fase, diferente daquele de classe média-alta. De acordo com ela, aqueles com menores condições financeiras tratam a velhice como algo negativo; ao serem questionados sobe sua idade se lembram das doenças e remédios, da incapacidade e da perda de entes queridos. Já aqueles cuja situação financeira é mais estável mencionam a sabedoria adquirida e a vivência.

Katiusce diz que o modo como interpretamos essa fase da vida precisa ser repensada para uma forma mais realista. Segundo a pesquisadora, muitos das pessoas de idade que entrevistou praticam esportes, saem de casa pelo menos uma vez ao dia e não gostam de ser associados com roupas ou objetos que indiquem “velhice” (sapatos fora de moda, roupas de cores sóbrias, etc). No entanto, seguimos padronizando-os como se fossem incapazes, mesmo quando muitos deles são mais ativos do que jovens que hoje seguem tendências de couch potato (1).

Como forma de atividade mental, Katiusce apresentou um desafio para os presentes: Tentar juntar os quatro pontos abaixo usando apenas 3 retas. Segundo ela, é uma forma de compreender que precisamos pensar fora daquilo que estamos acostumados, fugir da idealização de idoso que nos é imposta, e perceber que há mais do que apenas uma forma de interpretar determinadas situações. Tente você também achar a solução para o problema:

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Notas:

1- Couch potato é um um termo de origem americana recente que indica uma pessoa inativa e sem imaginação, que prefere passar o tempo ociosamente no sofá (couch), assistindo à televisão, a fazer qualquer atividade, principalmente física.

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Katiusce Faccin Perufo

Doutora em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (PPGCS/UNISINOS), Katiuce fez estágio doutoral sanduíche no Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho/Portugal (CICS) e é Mestre em História Latino-Americana pelo Programa de Pós-graduação em Integração Latino-Americana (MILA-UFSM). Graduada em Ciências Sociais-Bacharelado (UFSM), ela possui Licenciatura em Sociologia (UFSM) e atualmente realiza estágio Pós-doutoral pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (PNPD/CAPES). Tem experiência nas áreas de História e Sociologia com ênfase em envelhecimento populacional, sociabilidades contemporâneas, políticas públicas, identidade, gênero e poder.

Em 2017 vão se completar exatamente 500 anos desde que Martinho Lutero afixou suas 95 Teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, na Alemanha.

O Instituto Humanitas Unisinos – IHU promoveu, na última quinta-feira (30), a palestra intitulada “500 Anos da Reforma: Luteranismo e Cultura nas Américas” com o Prof. Vítor Westhelle.

O professor enfatizou que Lutero não representa apenas uma figura importante que criou duas igrejas luteranas minoritárias na América Latina, mas alguém que fez um movimento de revolta e rebelião contra a ordem das coisas estabelecidas naquela época, fato de extrema importância que revolucionou o cristianismo.

“A revolta de Lutero era destinada a três objetivos específicos: a estrutura da igreja na época, a ordem política vigente e a ordem econômica dominante (emergência do capitalismo financeiro nos séculos XV e XVI). Essa crítica à prática de usura até hoje é considerada um dos avanços mais importantes de Lutero, constatou o professor.

Quem é Vítor Westhelle?

Vítor Westhelle é graduado em Teologia pela Escola Superior de Teologia – EST, de São Leopoldo. Mestre e doutor em Teologia pela Escola Luterana de Teologia de Chicago. De seus vários livros publicados, citamos “O Deus Escandaloso. O uso e abuso da cruz” (São Leopoldo: Editora Sinodal, 2008).

Além disso, Vítor Westhelle já concedeu diversas entrevistas para a revista IHU On-Line.

Destacamos duas: “A Reforma. Um ato de liberdade” e “Os desafios do luteranismo, hoje”.

Suélen Farias

Como preparação para o Dia Mundial da Alimentação o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, juntamente com o Instituto Harpia Harpyia, realizou o lançamento dos Cadernos IHU sobre alimentação e nutrição, os Cadernos IHU Ideias e o Guia alimentar para a população brasileira, na Sala Ignácio Ellacuría e companheiros, nesta quarta-feira.

O lançamento contou com a presença do bispo Dom Mauro Morelli, presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Minas Gerais (CONSEA-MG) e referência no combate à fome e à miséria no país. Dom Mauro já participou também do XV Simpósio Internacional IHU – Alimento e Nutrição no contexto dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio.

“O problema não é a fome, ter fome é saudável, o problema é não atender a demanda do organismo” comenta o bispo, que achou muito válido ter participado do XV Simpósio. Também alertou aos problemas que enfrentamos atualmente: “O problema da fome não atendida persiste no país”.

O Dia Mundial da Alimentação é celebrado no dia 16 de outubro.

Pátio interno da Unidade Carlos Santos preparado para a partida do Brasil contra o México pela Copa do Mundo (Fonte: FASE-RS)

“Antes a gente fazia prevenção. Era um trabalho muito bom. A FEBEM dava muitos cursos, vinha gente de toda cidade querendo colocar seus filhos aqui. Mas depois do ECA… a Maria Josefina Becker (presidente da FEBEM) foi um horror para nós. Ela assumiu num dia e no outro acabou com o cargo de instrutores, aqueles que davam os cursos para os adolescentes. O cargo foi extinto, eles não tinham mais onde trabalhar. O que eles iriam fazer? Ficamos só com os infratores. Agora está tudo diferente. Não fazemos mais nada de prevenção… O que a gente faz? Aqui a gente molda eles (imita com as mãos a figura de um quadrado), impõe limites”.

Este é o depoimento de Lúcia, uma pedagoga que trabalhou há 30 anos na  Fundação de Atendimento Sócio-Educativo  (FASE). Seu relato foi um dos exemplos dados para mostrar das mudanças que ocorreram nas práticas do governo em relação ao trabalho realizado com adolescentes autores de atos infracionais. E para Patrice Schuch (Departamento de Antropologia/PPGAS UFRGS), mostra também uma visão nostálgica das formas de intervenção feitas pela FEBEM, além de apontar uma distinção entre prevenção e processos de enquadramentos de conduta.

DSC_0002A professora, especializada nas áreas da antropologia do direito, infância e juventude, estado e políticas públicas, direitos humanos e ética em pesquisa antropológica, participou na última quinta-feira (18) do IHU ideias, intitulado Práticas de Governo, Cultura e Subjetividade: etnografia dos circuitos de atenção à juventude violenta.

Durante o evento, a professora trouxe como tema questão como a da Justiça Restaurativa: ela baseia em um procedimento de consenso onde vítima e infrator, junto com outros membros da comunidade afetados pelo crime, participam de forma coletiva em debates para construírem soluções sobre traumas e perdas causados pelo crime. No Brasil, para Patrice, este método é tratado como uma justiça alternativa devido à pretensão de ser uma ruptura com o sistema judicial tradicional, que é considerado autoritário e altamente punitivo.

Outra questão foram em relação das mudanças sofridas após a substituição do  Código de Menores (1979), que tinha como política um autoritarismo estatal e desigualdade no controle social, e do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), que incluía uma democratização e a universalização dos direitos, e que servia também como um instrumento de desenvolvimento social.

Para contextualizar e mostrar um pouco dos resultados e das situações de quem atua com estas práticas do governo, Patrice trouxe relatos, tanto relatos positivos quanto graves, que, segundo a professora, não podem ser analisados como ferramentas neutras de cuidado e ação, mas como elementos políticos e morais onde são “configurados autoridades, populações e modos preferenciais de intervenção”.

“É de conhecimento da comunidade que, há alguns anos, a Unisinos terminou com os centros e fez uma reforma administrativa no seu organograma, estabelecendo uma estrutura matricial. Nessa estrutura, a experiência mostrou que faltava um elemento, acadêmico, para fazer a conexão da administração com uma dimensão acadêmica mais substantiva. Isso são as escolas, um polo de articulação acadêmico das áreas da universidade”, explica Adriano Naves Brito, Decano da Escola de Humanidades da Unisinos, cuja inauguração ocorre nesta semana,  dia 17 de setembro, das 10h às 17h.

O conceito de Escolas surgiu com a necessidade de inovação em termos de estrutura acadêmica para responder às novas exigências de transversalidade, na superação das limitações da segmentação da estrutura acadêmica antiga, de departamentos e centros. Ao todo a Universidade dividiu-se em seis Escolas, sendo elas: de Direito, da Indústria Criativa, de Gestão e Negócios, de Saúde, Politécnica e de Humanidades. Ao centro de cada um desses grupos encontra-se um Decano, que serve como articulador e norteador dos temas que envolvem cada um dos conjuntos.

Adriano Naves de Brito – Decano

A Escola de Humanidades, em específico, possui 42 cursos dentro de sua administração, sendo 11 deles de graduação, nove de mestrado e doutorado, 12 de especialização e 10 cursos de extensão (Clique aqui e saiba quais são). Na quarta-feira, dia 17, o objetivo do evento de inauguração será apresentar esses cursos, e a Escola de Humanidades em geral, à comunidade universitária e ao público. Isso será feito mediante um conjunto de atividades e oficinas sobre temas diversos das ciências humanas, oferecidas pelos professores da Escola em cooperação com docentes das demais escolas da Unisinos. Também será incentivada uma discussão sobre a área em face de suas relações com os demais campos de conhecimento.

Para os interessados, a inscrição para participar da Inauguração da Escola pode ser feita a partir do site, clicando aqui. Ela está disponível para alunos e ex-alunos da Instituição. Outra opção é inscrever-se presencialmente ou por e-mail, conforme informações na página. Pessoas Jurídicas também podem participar, seguindo os passos apresentados.

A programação completa do evento está disponível para ser acessada aqui.

 Saiba mais:

► Como parte da programação de inauguração da Escola, o ObservaSinos desenvolverá uma Oficina intitulada “Diagnóstico socioterritorial e políticas públicas”. Clique aqui para mais detalhes.