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Com a presença de 64 pessoas, a maioria delas estudantes da graduação da Unisinos, bem como da pós-graduação, e do palestrante Prof. Dr. Paulo Brack, foi realizado no dia 12 de março de 2009 mais um IHU Ideias, cuja temática discutiu as crises climática, ecológica e econômica, alertando que estamos diante de uma das últimas chances de reflexão sobre os paradigmas que ameaçam o planeta.

Sim, pode parecer algo um tanto precipitado ou então pessimista, mas foi justamente uma fala em forma de alerta, uma fala militante, em tom de “temos que despertar”, que o professor Brack trouxe à grande plateia que interagiu bastante. Para Brack a crise se acentua a partir de setembro de 2008, na sua face econômica, mas na realidade, o que está por trás das diferentes crises que são “propagadas”, é uma só crise, é a crise portanto.

É a crise de um paradigma dominante, do capitalismo, que tem como princípio que as pessoas podem acumular a vontade, ou seja, o máximo que puderem e conseguirem. Porém, não considera que a natureza não é infinita. Ou seja, para o Professor estamos vivendo não somente uma crise econômica, mas socioambiental e de paradigmas, com um tamanho incomensurável. Crise esta que é sistêmica e que precisa ser vista, pensada e analisada, de forma conjunta, pois é resultado de uma situação que já estava ficando inevitável, sendo prevista por cientistas e pensadores, há mais de um século.

Mostrou ainda que o próprio Planeta Terra vem mostrando esta crise sistêmica quando temos, por exemplo, 90% das mudanças climáticas sendo decorrências das atividades humanas, ou ainda quando se estima um crescimento da temperatura entre 1,8 ºC a 4 ºC, sendo que se ele for maior do que 2 ºC, causa prejuízos à qualidade de vida. Trazendo estes alertas para o Brasil, Brack lembrou que as queimadas na Amazônia já colocaram o Brasil em quarto lugar no ranking dos países que emitem gases que contribuem para o aquecimento global, como o CO2. Mais ainda, a monocultura, principalmente na região da Amazônia, fez com que as secas se espalhassem pelo país nos últimos anos, uma vez que a Amazônia é responsável por um terço das chuvas no Brasil.

Estes paradigmas nos levaram ao desapego do ser humano em relação ao que o rodeia e o que realmente garante a sua sobrevivência. Afirma que temos um paradigma de desapego a Terra, a biodiversidade. No Brasil, por exemplo, temos mais de 50.000 espécies vegetais comestíveis, que poderiam gerar alimentos e inclusive riquezas econômicas. Porém acabamos matando estas espécies com herbicidas, pois as consideramos ervas daninhas e nos alimentamos de pouquíssimos vegetais. Será isso sustentável, questiona ele.

Diante destes fatos que Brack afirma a crise como sistêmica, uma vez que “o neoliberalismo e a economia de mercado, com sua sanha de acumular sem limites os bens da natureza e da força de trabalho dos pequenos, foram longe demais. Dados científicos comprovam também que o uso dos recursos da Terra, atrelado ao circulo vicioso de sempre mais consumo e mais produção, está ultrapassando em muito a capacidade de suporte e recuperação do Planeta. Trata-se do esgotamento não só dos recursos naturais, mas do próprio sistema econômico mundial”.

Para ele “convivemos agora com uma destruição ecossistêmica nunca vista na história. Uma opressão e falta de perspectivas e de valores nos seres humanos. A depressão já é uma doença epidêmica. Algumas grandes corporações que investiram, sem parar, na especulação financeira e no acúmulo dos bens alheios comandam os caminhos errantes de uma economia cada vez mais sem sentido. A globalização econômica é o próprio “Titanic” de um modelo que busca a hipertrofia de capitais, propriedades e poder crescente. Para tal, contam com a privatização dos seus benefícios e a socialização dos prejuízos. Mas tudo isso tem limites. Os icebergs já eram previstos e são vários: mudança climática, desigualdade social insuportável, violência desmedida, esgotamento dos recursos naturais, falta de água potável e de local para o lixo crescentemente descartável, etc. Cabe saber, quando o Titanic afundar de vez – pois já está fazendo água por todos os lados – se têm botes salva-vidas para todos. Ora, se for como o filme – o que é mais provável – já sabemos quem vai se salvar. A primeira classe da claque do próprio Titanic. E o resto?…”

De forma a ilustrar esta vinculação entre problemas como a questão ecológica, econômica, e o equilíbrio do Planeta e dos homens, enfim a crise como sistêmica, Brack compara o mapa do desmatamento do Brasil, com o mapa da emissão de fumaça que contribui para o efeito estufa, comparando-os ainda com o mapa do número de homicídios no país. Os três mapas reproduzidos aparecem nas mesmas regiões, ou seja, é quase óbvio que o mapa da emissão de fumaça e das queimadas sejam muito semelhante. Porém, poucos percebem e sabem que das 10 cidades aonde mais ocorrem homicídios no país, oito delas estão dentro desta região do mapa das queimadas e da emissão da fumaça. Talvez, muitos destes homicídios motivados pelos conflitos de terra, pelo paradigma econômico e de propriedade privada atual. Então, a crise é sim sistêmica. É a crise e não são as crises.

Outro alerta muito importante feito por ele diz respeito à matriz energética que o mundo utiliza e o Brasil também. Ele afirma que a centralização da energia não é mais possível. Precisamos descentralizá-la. As hidroelétricas são responsáveis por mais de 400 mil araucárias submersas em água no RS. Na percepção de Brack “estamos diante da perda de sentido na vida, de uma patologia econômica que vivemos e nos afoga. O paradigma é a produtividade máxima, mais modernamente a competição via “inovação” para manter o consumo máximo, o conforto físico, a uniformidade e a “qualidade” (?), obviamente com competitividade. O caminho individual, imediato, com lucros e sem horizontes é a obsessão. Para isso, o único sentido é o acúmulo de poder e de capital pelos governos, corporações ou pessoas, movido pelo consumo. O emérito geógrafo Milton Santos chamava isso tudo de fundamentalismo”.

Olhando para a realidade local, “tudo indica que no Brasil não é diferente. Os jogadores deste cassino, ou seja, as mesmas grandes empresas e os setores econômicos, engordados pelo BNDES, responsáveis pela crise financeira são os mesmos que agora estão buscando auxílio governamental, apesar das demissões em massa de seus trabalhadores. As perspectivas de o ciclo vicioso seguir são amplas. Lamentavelmente, o Estado brasileiro sempre foi usado pelos setores econômicos mais imediatistas e entreguistas, mantendo benefícios privados pomposos, com os recursos públicos, principalmente ao capital internacional”.

Diante de tudo isso, para o Professor, talvez a crise venha a ser importante pois pode levar a mobilização diante da percepção de que nosso sistema atual está esgotado. Para ele a crise poderá mexer com paradigmas que historicamente vem legitimando o neoliberalismo, mesmo diante da sua não sustentabilidade latente. Mas, para isso, precisamos perceber a crise por meio de uma visão holística e não de forma fragmentada, isolada, como quer a mídia de massa. Está feito o alerta!!!!

Eu, Lucas, concordo com as colocações e me somo aos alertas feitos pelo professor!!! E vocês, o que acham???

A partir da próxima terça-feira, dia 17 de março, a mostra “Imaginando o Divino: Jesus no Cinema”, promovida pelo Instituto Humanitas Unisinos, começa a ser exibida na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (Av. Presidente João Goulart, 551 – 3º andar), em Porto Alegre. A mostra é um dos eventos da programação da Páscoa IHU 2009.

Até domingo, dia 22 de março, os espectadores poderão ver ou rever títulos clássicos como “O Evangelho Segundo São Mateus” (França/Itália, 1964, 133min), de Pier Paolo Pasolini, e “Jesus de Montreal” (Canadá, 1989, 118min), de Denys Arcand.

O grande destaque será a exibição das primeiras versões cinematográficas da vida de Jesus, realizadas ainda no período do cinema mudo: “A Vida e a Paixão de Cristo” (A Paixão da Pathé) (França, 1905, 44min), de Ferdinand Zecca (de 1902), “A Vida de Cristo” (A Paixão da Gaumont) (França, 1903, 27min), de Alice Guy (de 1903), e “Da Manjedoura à Cruz” (EUA, 1912, 115min), de Sidney Olcott (de 1912).

Entre estes títulos, merece especial atenção o filme da diretora francesa Alice Guy (1873-1968). Tida como a primeira diretora de cinema da história, Guy estreou na direção em 1896, com “La Fée aux Chox”, que seria, segundo diversos historiadores, anterior às obras de Georges Méliès. Depois de trabalhar para a produtora Gaumont, pela qual assinou “A Vida de Cristo”, mudou-se para os Estados Unidos e lá fundou sua própria companhia produtora. Durante toda a década de 1910 dirigiu vários títulos. O último deles, “Vampire”, lançado em 1920, marcou sua despedida do cinema. Alice Guy voltou para a França em 1922, mas não conseguiu retomar sua carreira na direção, permanecendo esquecida até 1953, quando recebe a Legião de Honra do governo francês.

O ponto alto da mostra “Imaginando o Divino: Jesus no Cinema” será a palestra do Prof. Dr. Luiz Antônio Vadico (da Universidade Anhembi/Morumbi, de São Paulo), na quarta-feira, 18, às 20h. Intitulada “Jesus no Primeiro Cinema: Estética e Narrativa”, a palestra acontece após a exibição dos filmes programados para essa noite.

Todas as sessões têm entrada franca.

Confira a programação:

Terça-feira (17 de março)

– 15:00 – Vida de Cristo (A Paixão da Gaumont) + A Vida e a Paixão de Cristo (A Paixão da Pathé)
– 18:30 – Da Manjedoura à Cruz

Quarta-feira (18 de março)

– 19:00 – Vida de Cristo (A Paixão da Gaumont) + A Vida e a Paixão de Cristo (A Paixão da Pathé), seguido de palestra com o Prof. Dr. Luiz Antônio Vadico

Quinta-feira (19 de março)

– 15:00 – Vida de Cristo (A Paixão da Gaumont) + A Vida e a Paixão de Cristo (A Paixão da Pathé)
– 18:30 – Da Manjedoura à Cruz

Sexta-feira (20 de março)

– 15:00 – Da Manjedoura à Cruz
– 17:00 – Vida de Cristo (A Paixão da Gaumont) + A Vida e a Paixão de Cristo (A Paixão da Pathé)
19:00 – O Evangelho Segundo São Mateus

Sábado (21 de março)

– 15:00 – Da Manjedoura à Cruz
– 17:00 – Jesus de Montreal
19:00 – O Evangelho Segundo São Mateus

Domingo (22 de março)

– 15:00 – Vida de Cristo (A Paixão da Gaumont) + A Vida e a Paixão de Cristo (A Paixão da Pathé)
– 17:00 – O Evangelho Segundo São Mateus
– 19:00 – Jesus de Montreal

Confira também a programação completa da Páscoa IHU 2009.

Com a presença de 27 mulheres e homens, principalmente integrantes de movimentos sociais relacionados ao movimento de mulheres e estudantes e professores da Unisinos, foi realizado no dia 05 de março, o primeiro IHU Ideias do ano de 2009, cuja temática discutiu o movimento de mulheres e a construção da igualdade. Para tanto, contamos com as palestras e reflexões iniciais da Eliane Teresinha de Souza Silveira (Marcha Mundial de Mulheres) e da Euli Marlene Necca Steffen (Secretaria de Políticas para Mulheres de São Leopoldo).

Eliane iniciou falando da importância não apenas da reflexão teórica sobre o movimento de mulheres e sim, da necessidade de fazer com que esta discussão teórica se concretize em práticas. É para isso que luta a Marcha Mundial de Mulheres que se assume como um movimento ativista.

A partir da sua experiência na marcha e em outros espaços, Eliane ressalta que a grande dificuldade do movimento de mulheres hoje é de fazer o diálogo do feminismo com o verdadeiro cotidiano das mulheres. Fazer com que o movimento consiga realmente dialogar com questões como a concretização do direito à moradia das mulheres e suas famílias, o direito a educação dos filhos e da própria mulher, dentre outros. Ela acredita que o movimento não consegue dialogar com outras iniciativas e movimentos sociais, o que dificulta ainda mais o entendimento e a concretização destas questões cotidianas exemplificadas anteriormente. Afirma que o movimento de mulheres não consegue dialogar, por exemplo, com movimentos de bairros, de luta pela moradia, com movimentos ecológicos. Acaba então, sendo um movimento para si próprio. Para Eliane, a construção da emancipação das mulheres, a concretização da igualdade passa necessariamente por este diálogo.

Sua opinião decorre do fato de, segundo a palestrante, haver uma cultura construída que impõe uma série de opressões. E o problema é que se questiona estas opressões isoladamente. Questiona-se a opressão ao idoso, ao adolescente, a mulher, dentre outros. Mas não se questiona o todo, a cultura vigente em si. Este é o desafio, a provocação deixada por Eliane.

A segunda palestrante “Necca” iniciou afirmando a sua convicção na necessidade de se defender políticas públicas feministas. E, assim como Eliane, defendendo a necessidade de “colar” estas políticas públicas ao movimento de mulheres e ao cotidiano das mulheres em geral.

Neste sentido, para Necca, o termo mulheres transpõe o sentido de mero agrupamento feminino e adquire a dimensão de coletividade política, ciente de sua condição social historicamente construída – excluída, discriminada, oprimida – que vem sendo transformada ao longo dos tempos. Então as relações de gênero precisam ser debatidas e entendidas para aí sim podermos ter políticas públicas emancipatórias relacionadas às mulheres.

Em sua fala Necca também fez uma retrospectiva histórica do movimento de mulheres, destacando alguns fatos, tais como: que o feminismo dos anos setenta no Brasil encontra motivações nos movimentos feministas americano e europeus – que emergem desde os anos sessenta –, na realização da I Conferência Mundial sobre a Mulher (México/1975) e na Década da Mulher (1976-1985), ambas promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU); que em 1985 é criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher; o processo de internacionalização dos direitos das mulheres, que ocorre nos anos 90, principalmente a partir das Conferências Internacionais, como a sobre Mulher (Beijing/1995); a política de cotas de 20% estabelecida em 1995 e depois passando a 30% em 1997; e o início do novo século sendo marcado pela III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância (África do Sul/2001).

Para Necca pode-se destacar duas participações principais dos movimentos de mulheres: a primeira refere-se a movimentos com composição de mulheres e demanda a qualificação em termos de seus objetivos (pela anistia, contra a carestia, por creches, pela paz, etc). Já a segunda refere-se a movimentos que lutam pela transformação da condição de subordinação feminina na sociedade e por relações democráticas e simétricas entre homens e mulheres.

Destacou ainda que o empoderamento das mulheres é importante para a sociedade como um todo e deve ocorrer em dois sentidos: primeiro o de apropriação, por parte das mulheres, dos rumos e destinos de sua própria vida, o que abre para a formulação/realização de projetos pessoais, demandando a ruptura com as relações de dominação no âmbito do privado e a construção de relações de diálogo e de negociação (enfrentamento do sexismo e do autoritarismo no âmbito da esfera pública e das institucionalidades). Segundo, o sentido de ocupação de posições de poder, por parte das mulheres, no âmbito dos poderes do Estado (Legislativo, Executivo e Judiciário) e dos poderes da sociedade civil organizada e dos partidos, visando à reestruturação do cenário político, território masculino por excelência, e a transformação social rumo à superação das desigualdades de gênero e à construção da cidadania das mulheres.

Enfim, acredito que foi uma excelente forma de retornarmos nossas reflexões, a partir de um tema que está nos eixos que norteiam e retroalimentam o ser e o pensar do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, qual seja, o sujeito mulheres enquanto sujeito social. Para mim, mulheres estas que não estão representadas pelas personalidades e pensadoras feministas, mas sim, principalmente por aquelas mulheres dos diferentes lugares da sociedade, que abaixo da falta de espaço e opressão do seu ser e fazer, hoje assumem o protagonismo de muitas famílias e de muitos movimentos. É nesta mulher também e principalmente que está o diálogo com outras mulheres, com outros humanos, com outros movimentos e é ela que, junto com muitos outros sujeitos, sonha e precisa de um outro mundo possível. Ou não? (Postado por Lucas Luz).