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Um novo manifesto intitulado “Ética Econômica Mundial – Consequências para os Negócios Globais”, promovido pela Fundação Ética Mundial, foi publicado durante um simpósio sobre ética nos negócios na sede da ONU, em Nova York, no dia 06 de outubro.

Desenvolvido pelo teólogo suíço-alemão Hans Küng, presidente da Fundação, o documento busca apresentar “uma visão fundamental comum do que é legítimo, justo e correto” nas atividades econômicas.

Os primeiros signatários do manifesto incluem a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson; o professor Jeffrey Sachs, diretor do Earth Institute da Columbia University; o prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu, arcebispo anglicano emérito da Cidade do Cabo, na África do Sul; e Michel Camdessus, presidente honorário do Banque de France.

Baseando-se na “Declaração de Ética Mundial” do Parlamento das Religiões Mundiais de 1993, o manifesto destaca cinco princípios e valores universalmente aceitáveis: o princípio de humanidade; o da não violência e do respeito à vida; o da justiça e solidariedade; o da honestidade e tolerância; e o da estima e colaboração mútuas.

Agora, o documento será disponibilizado para a coleta de assinaturas no mundo inteiro. Os signatários do manifesto se comprometem, dessa forma, a “ser guiados pelo seu conteúdo e por seu espírito nas decisões, ações e comportamentos econômicos cotidianos gerais”.

Confira o documento original aqui, em inglês, no formato PDF.

(por Moisés Sbardelotto)

Em busca da paz

Em 26 setembro, 2009 1 comentário

O budismo marcou o último dia de debates no IHU do evento Religiões do Mundo. O documentário produzido e apresentado por Hans Küng mostrou alguns peculiaridades do budismo que, segundo ele, não é uma filosofia e não apresenta qualquer explicação sobre o mundo, mas é, sim, um caminho da cura. “A compaixão e a preocupação de cada um em percorrer seu caminho. Estas são as contribuições do budismo para uma ética da paz”, diz Küng.

Depois de quase uma hora de filme, a Monja Kokai pediu a todos para que participassem de um exercício de relaxamento e, assim, iniciarem o debate.

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Ela conta aos presentes como é a filosofia Zen e como um pouco da história do budismo. “A coletividade e a ética voltada para a preocupação com a vida devem ser resgatadas. Não estamos nutrindo a compaixão”, lembra ela que é discípula da Monja Coen, que participou do Simpósio Internacional IHU: Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades.

Ricardo Aveline contou a sua história com o budismo. Disse que seu pai é mestre budista e a mãe professora universitária e como essas peculiaridades da sua família influenciaram de forma decisiva suas escolhas. Hoje, ele segue o budismo e vive com a família na comunidade budista Caminho do Meio, mas também é professor universitário. Atualmente, ele cursa o doutorado na Unisinos e pesquisa o budismo hoje nos países de origem e em lugares onde ele é muito recente, como o Brasil. “Os países onde o budismo é predominante vivem um problema hoje, pois não sabem de que forma devem tratar da ‘não violência’. As disputas estão contribuindo para isso”, falou Aveline.

Henrique Lemes da Silva vive hoje integralmente em função do Instituto Caminho do Meio, em Viamão. Mas contou ao público do Religiões do Mundo suas experiências anteriores que, aos poucos, o levaram até o momento que vive atualmente.  Ele também contou um pouco sobre o histórico da religião. “Só pela maneira intelectual as coisas não funcionam bem. É preciso praticar as reflexões budistas”, frisou.

O evento não finalizou apenas com o debate sobre essa interessante religião. O segundo momento gastronômico baseado nas culturas dos lugares de origem das religiões que fizeram parte do evento. Desta vez, “saboreamos” as religiões chinesas, tribais e o budismo, claro.

Aqui no IHU o Religiões do Mundo chegou ao fim. Outros eventos organizados pelo Escritório Fundação Ética Mundial no Brasil estão por vir. No entanto, quem quiser acompanhar outros debates, confira a programação que continua na Casa de Cultura Mário Quinta, em Porto Alegre.

Semelhanças e diferenças de sabor, doçura ou amargura, ingredientes picantes ou suaves, líquidos ou sólidos. Os alimentos, independentemente de seus formatos, cores, cheiros ou sabores, foram o “prato principal” do primeiro momento gastronômico do programa “Religiões do Mundo”. A partir da experiência de degustar cada alimento, os participantes do evento puderam também experimentar um pouco mais daquilo que perpassa as grandes religiões do mundo: a experiência do sagrado e dos dons que recebemos.

Antes de degustar os pratos, o monge Swami Krishnapriyananda Saraswati, presidente latino-americano da Sociedade Internacional Gita, fez um pequeno momento de oferecimento do alimento, já que, para o Sanātana Dharma (vulgarmente chamado de Hinduísmo), não devemos apenas agradecer pela nossa comida, mas sim oferecê-la a Deus como um dom. E com um canto em um dos idiomas indianos, Swami elevou os alimentos que em breve seriam degustados como a oferta dos que ali estavam presentes.

Em nome do curso de Gastronomia, o Prof. Ms. Marcelo Fernando González da Costa agradeceu a presença de todos e abordou alguns aspectos centrais dos pratos que foram servidos no primeiro momento gastronômico. E destacou a importância da dieta mediterrânea presente nos alimentos do Judaísmo, do Cristianismo e do Islamismo, diretamente relacionados ao transporte e ao deslocamento dos povos dessas regiões.

Segundo ele, há ainda uma explicação mais profunda sobre a pureza ou impureza dos alimentos para essas religiões. Para as tradições abraâmicas, todos os animais têm uma natureza relacionada com o ar, a água e a terra. Assim, aqueles animais que infringem essa natureza são considerados impuros. Por outro lado, o Hinduísmo trata o alimento não a partir de sua pureza ou não, mas sim a partir de uma relação diversa: pelo respeito por aquilo que se come. E é por isso que a vaca é sagrada na Índia, pelo seu significado que envolve a vida, a maternidade. É pelo respeito à vida animal que a dieta hindu é vegetariana.

Foi nesse clima de reconhecimento do alimento como dom e como algo que está profundamente enraizado nas tradições e culturas religiosas que os pratos foram saboreados. Preparados com muito carinho e dedicação pelos professores, alunos e laboratoristas do curso de Gastronomia, os alimentos foram elogiados por todos os presentes pelo seu sabor e beleza.

Para os que não puderam estar presentes neste primeiro momento gastronômico, o convite é para que participem do segundo encontro, com alimentos referentes às tradições chinesas, tribais e do Budismo. A degustação irá ocorrer no dia 25 de setembro, a partir das 18h, logo após a exibição comentada sobre Budismo, realizada na Sala 1G119.

A inscrição pode ser feita presencialmente nas próximas exibições comentadas, ou também pelo site do IHU (clique aqui). Confira também o cardápio:

Religiões Chinesas
– Rolinhos primavera na folha de arroz com lombo, broto de feijão e cenoura
– Espetinhos de frango aromatizados com cinco especiarias chinesas
– Creme de banana e canela ao leite de coco servido no copinho

Religiões Tribais
– Bolinhos de inhame
– Caldinho de camarão
– Quadradinhos de bolo de aipim com coco

Budismo
– Paratha crocante
– Minichapatis com salada de pepino, cenoura e iogurte
– Arroz de leite com especiarias
– Chá verde com melado de cana

Clique aqui para ver a programação completa do programa “Religiões do Mundo”, que segue debatendo as grandes tradições religiosas do mundo a partir da perspectiva de uma ética mundial. Os encontros ocorrem semanalmente no IHU e na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Participe.

(por Moisés Sbardelotto)

As contribuições do Judaísmo para uma Ética Mundial foram o tema de debate do encontro ocorrido na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, nesta quinta-feira, dentro do programa “Religiões do Mundo”.

Com a presença do Prof. Guershon Kwasniewski, líder religioso da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência – Sibra, de Porto Alegre, o evento contou também com a exibição do documentário sobre o Judaísmo, a partir de alguns de seus pontos principais que entram em contato com as demais religiões do mundo, no sentido de fomentar padrões éticos para o comportamento humano. Segundo o teólogo Hans Küng, produtor e apresentador dos documentários, “é sobre o fundamento desses padrões ou parâmetros éticos em comum, a chamada ‘ética mundial’, que os seres humanos de todas as culturas e nações podem viver e trabalhar juntas em favor de um mundo mais pacífico e mais justo”.

Nesse sentido, Kwasniewski, que está em formação para o rabinato, destacou traços da história e dos rituais do Judaísmo, a partir de seus fundamentos, como a Torá e a Pessach, a Páscoa judaica. Resgatando e reinterpretando o significado de algumas tradições judaicas, afirmou que o Judaísmo busca viver “do” passado, mas não “no” passado. Por isso, disse, “todos os rituais, em qualquer religião, buscam o bem do homem”, assim como no Judaísmo.

Kwasniewski abordou ainda a importância do ciclo da vida para o judeu, a partir dos rituais judaicos para o nascimento, a acolhida no templo, o casamento, a morte. Como afirmou em entrevista à revista IHU On-Line, “o judeu tem a sua identidade marcada por esses rituais de passagem, os quais estão engajados com preceitos e mandamentos da vida que devemos cumprir. Sem isso, ficamos completamente descaracterizados”.

O programa “Religiões do Mundo” continua na Casa de Cultura Mário Quintana (Sala A2B2) na próxima quinta-feira, das 19h às 21h, com o documentário sobre Cristianismo, com a presença do Rev. Jessé Castro Ramos, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, e do Prof. Dr. Joe Marçal Gonçalves dos Santos, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB.

Já nesta sexta-feira, 28, das 16h às 18h, na Sala 1G119 da Unisinos, ocorre a exibição comentada do documentário sobre Hinduísmo, com a presença do presidente latino-americano da Sociedade Internacional Gita, Swami Krishnapriyananda Saraswati.

Logo após, será realizado o primeiro momento gastronômico sobre as religiões, em parceria com o curso de Gastronomia da Unisinos, no Bistrô da Gastronomia. Por meio de pratos preparados com ingredientes que remetem às culturas e tradições do Judaísmo, Cristianismo, Islamismo e Hinduísmo, os participantes podem aprimorar seu conhecimento sobre as religiões também a partir do paladar. Confira aqui o cardápio e faça a sua inscrição.

(por Moisés Sbardelotto)

Nesta sexta-feira, 28 de agosto, ocorre o primeiro momento gastronômico do programa “Religiões do Mundo”. Em parceria com o Curso de Gastronomia da Unisinos, o evento irá oferecer a apresentação e a degustação de pratos e belisquetes, por meio dos quais os participantes poderão conhecer um pouco mais sobre as origens culturais das grandes tradições religiosas.

Como indica o Prof. Marcelo Fernando da Costa, do Curso de Gastronomia da Unisinos, em entrevista à Revista IHU On-Line, “em tempos de fast-food, de serialização e homogeneização, da desintegração das relações à mesa e da percepção do alimento como repositório de energias para o trabalhador, dotar o alimento da sua tradição simbólica permitirá e motivará uma valorização do ato de comer e de preparar os alimentos, independentemente da religião que comunguemos”.

Neste primeiro encontro, chefs, professores e alunos apresentarão alimentos das tradições culturais e religiosas do Judaísmo, Cristianismo, Islamismo e Hinduísmo, no Bistrô da Gastonomia (Centro 2), após a exibição comentada que ocorre no IHU. O valor por adesão é de R$ 15,00.

As inscrições podem ser feitas pelo site do IHU ou presencialmente, no IHU e nas exibições comentadas que ocorrem na Unisinos. Mais informações pelo telefone (51) 3590-8223 ou clique aqui.

Confira o cardápio:

Judaísmo
– Minissanduíche de pastrami, mostarda e mix de folhas
– Guelfite fish (bolinhos de peixe com raiz forte)
– Bolinho de mel com nozes

Islamismo
– Hommus com cebolas douradas e gergelim no pão pitta
– Tabule servido em copinhos com creme de iogurte e alho
– Toast de pão pitta com Baba Ghanouj e coalhada
– Baklava

Cristianismo
– Sanduíche de pão de ázimo com alfaces e compotas de maçãs, tâmaras, nozes, passas e especiarias.
– Desfiado de cordeiro com ervas amargas servido no copinho
– Bolo com especiarias, nuts, frutas secas e queijo

Hinduísmo
– Pakoras com molho de pêssego
– Minichapatis com sambal de coco e chutney de coentro e amendoim
– Lassi Doce

O segundo encontro irá ocorrer no dia 25 de setembro, com pratos que apresentam um pouco das tradições culturais das Religiões Chinesas, das Religiões Tribais e do Budismo.