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A escolha do fim

Em 7 setembro, 2012 Comentar

Desde o final do mês de agosto, um procedimento chamado de testamento vital ou diretiva antecipada foi publicado no Diário Oficial. A ação consiste na escolha do paciente, sempre que lúcido e maior de idade, a que tipo de tratamento quer ser exposto. No caso de doença terminal e irreversível, o paciente poderá dizer ao médico e à família se prefere a morte natural ou tratamentos alopáticos que tentem prolongar sua vida.

Segundo o diretor do Conselho Federal de Medicina – CFM, Roberto D’Ávila, essa iniciativa não caracteriza de forma alguma a prática da eutanásia, já que o médico tem a obrigação de tentar curar o paciente da melhor forma possível.

A atualização feita em 2010 do Código de Ética da Medicina, contem em uma de suas resoluções  justamente que os profissionais da medicina não devem insistir em práticas desnecessárias em pacientes terminais.

Em entrevista a IHU On-line, o teólogo e membro da Associação Internacional de Bioética, Leo Pessini, classificou como um avanço em relação à autonomia do paciente: “Estamos superando uma tradição basicamente marcada pelo paternalismo e autoritarismo, ideologia esta em que, quem tem a verdade e dita o que vai ser feito é sempre o profissional médico e o paciente é um mero recipiente receptivo, passivo e calado”.

Pessini também assinalou que o novo código aceita o fato da finitude humana: “É incrível que, no código anterior (1988), entre os dezenove princípios elencados, o paciente nunca morre!”. Ele ainda apontou que a palavra ortotanásia é a definição da morte “certa”, sem abreviaturas do lado do médico nem do paciente sendo que assim tudo flui naturalmente.

A decisão ainda divide opiniões mas em outros países o testamento vital já é realidade. Em Portugal, uma lei foi criada para a situação, que é chamada de “morte digna”. EUA, Holanda, Argentina e Espanha também já possuem esse tipo de regra hospitalar.

Por Wagner Altes

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“Juntos por um trânsito mais humano, por cidades mais bonitas e alegres, por um mundo mais respirável”, esse é o lema da Massa Crítica. A Massa Crítica é uma celebração da bicicleta como meio de transporte que ocorre em mais de 300 cidades ao redor do mundo. Ela acontece quando dezenas, centenas ou milhares de ciclistas se reúnem para ocupar seu espaço nas ruas e criar um contraponto aos meios mais estabelecidos de transporte urbano.
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Em entrevista à IHU On-Line (2011), por telefone, Olavo Ludwig Jr., integrante do Massa Crítica, falou da falta de conscientização da população e mencionou que, no Brasil, o automóvel é sinônimo de status social. “Quanto mais dinheiro a pessoa ganha, maior é o carro. (…) Infelizmente, no imaginário coletivo ainda está presente a ideia de que quem anda de bicicleta é pobre, operário e não tem dinheiro para comprar um carro e, por isso, teria menos valor de quem está de carro.”
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“Bicicletas saem de fábrica, no Brasil, sem farol nem lanterna, situação impensável na Alemanha onde quem pedala com luz queimada é multado. Nas grandes cidades brasileiras os que saem em duas rodas para trabalhar são birutas ou suicidas”, escreveu Daniela Chiaretti, em reportagem publicada no jornal Valor, ainda no início de 2011.
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A ideia de defender a locomoção inteligente, que não polui o ar, não congestiona as ruas e humaniza a cidade não surgiu agora, mas cada vez mais as pessoas estão se conscientizando sobre essa questão. Para debater este tema, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU receberá o Prof. MS Marcelo Sgarbossa, do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais – LAPPUS, no dia 23 de agosto. Mais informações sobre o evento podem ser encontradas no sítio do IHU.
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Confira alguns vídeos explicativos sobre o tema.
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Por Luana Taís Nyland

O mais incômodo dos hóspedes não cessa de mover nosso chão e certezas. Quais são os valores e uma ética comum a todos os seres humanos? Que espaço sobra para a solidariedade numa sociedade marcada pelo relativismo? Enfim, trata-se de mercadejo ético ou da emancipação e da salvação?

A temática do niilismo é recorrente nas edições da Revista IHU On-Line. O assunto foi abordado pela primeira vez em 2006, na edição 197, sob o título A política em tempos de niilismo ético. Que tipo de política pode surgir quando são aceitos como “menores” crimes do colarinho branco ou mesmo fraudes eleitorais?

Em 2010, diversos pesquisadores analisaram o niilismo e o relativismo de valores que vem em seu corolário.

Assim, na edição 354, a IHU On-Line intitulou-se Niilismo e relativismo de valores. Mercadejo etico ou via da emancipacao e da salvacao?. Bolhas de sabão ilustravam a capa, metaforizando a fragilidade não apenas dos valores e de nossa sociedade como um todo nas suas mais variadas instituições, mas das próprias certezas e respostas que nos norteiam. Afinal, o que há de fundamento por trás de um todo movente, no qual o horizonte foi apagado, como Nietzsche vaticinou há dois séculos?

Vinte edições mais tarde, em setembro de 2011, trouxemos à discussão o legado do filósofo jesuíta Henrique Cláudio de Lima Vaz, analisando seu sistema como uma resposta ao niilismo ético. Para o filósofo Rubens Godoy Sampaio, em toda sua obra de estrutura triádica, Lima Vaz promove uma invectiva contra o niilismo, procurando superá-lo.

Mais do que respostas prontas e acabadas, é preciso aceitar a provocação nietzschiana contida na epígrafe do quinto livro da Gaia Ciência, de autoria do General Turénne: “Tremes, carcaça? Tremerias ainda mais se soubesses onde vou te levar”. Não ficarmos paralisados frente ao incerto, ao desconhecido, ao erro e ao comodismo. Ao invés do pessimismo schopenhaueriano, a afirmação incondicional da vida e de suas facetas luminosas e sombrias. Numa época de contornos borrados, cabe a cada sujeito ajuda a redesenhar o horizonte.

Por Márcia Junges

Para ler mais:

Romero e a verdade

Em 24 março, 2011 Comentar

O mundo inteiro celebra hoje o direito à verdade. E é uma data em nada gratuita: há 21 anos, em um mesmo 24 de março como hoje, o arcebispo de San Salvador, em El Salvador, Dom Oscar Arnulfo Romero era assassinado por um atirador de elite ao celebrar a missa na capela do hospital da Divina Providência.

O Dia Internacional pela Direito à Verdade em relação a Graves Violações aos Direitos Humanos e pela Dignidade das Vítimas foi instituído em dezembro do ano passado pela Assembleia das Nações Unidas, como uma forma de honrar a memória de Dom Romero e das vítimas de violações e prestar um tributo àqueles que dedicaram – e entregaram – suas vidas na luta pela promoção e pela proteção dos direitos humanos. Assim, hoje é a primeira celebração oficial da data.

E os últimos anos da vida de Dom Romero foram uma entrega constante para denunciar as violações aos direitos humanos das populações mais vulneráveis do El Salvador, que viviam sob o jugo de uma ditadura de Estado, composta por militares e civis, e apoiada pelos Estados Unidos, especialmente a Escola das Américas.

Enquanto o processo de canonização – iniciado em 1994, concluído em 1995, enviado à Congregação para a Causa dos Santos em 1997, transferido no ano 2000 para a Congregação para a Doutrina da Fé (então dirigida pelo atual Papa Bento XVI) e analisado oficialmente em 2005 – ainda espera novos trâmites burocráticos, o povo salvadorenho e do mundo já considera Romero um santo, mártir e profeta das Américas.

Para ler mais:

Quem é Joseph Ratzinger, o menino, o jovem e o homem que é hoje o Papa Bento XVI?

O desafio de responder a essa pergunta foi assumido pelo jornalista inglês Mark Dowd, encomendado pela rede britânica BBC para fazer um documentário sobre a vida, a obra e a história pessoal do Papa, antecedendo a sua visita à Inglaterra, no ano passado.

Mark Dowd é ex-frei dominicano e homossexual assumido, ativamente engajado nas questões da Igreja Católica. É o fundador do Quest, um grupo de lésbicas, gays e bissexuais católicos, cujo objetivo é proclamar o evangelho de modo a sustentar e aumentar a fé cristã entre os homens e mulheres homossexuais, desde 1973.

O documentário – que disponibilizamos abaixo, no original em inglês, em quatro partes – é uma viagem de descoberta pessoal sobre Ratzinger.

Além das belas imagens dos lugares por onde o Papa passou, desde a sua saída do interior da Alemanha até os Sagrados Palácios do Vaticano, o documentário é fundamentado com os depoimentos do irmão do Papa, Pe. Georg Ratzinger; de seu ex-colega teólogo e presidente da Fundação Ética Mundial, Hans Küng; do diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, o padre jesuíta Federico Lombardi; do jornalista católico norte-americano John L. Allen Jr.; do ex-mestre geral dos dominicanos, Timothy Radcliffe; do arquiteto italiano Guido Rainaldi; do senador italiano Marcello Pera; dentre outros.

Assista aos vídeos abaixo:

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