Arquivos da categoria ‘Dica de leitura’

Poesia, ficção e filosofia compõem as dicas de leitura dessa semana.

Confira o que os professores da Unisinos leram nessas férias e indicam aos leitores do IHU.

“Li, nestas férias, e recomendo o livro ‘O Espírito como Herança’, onde a autora Maria Cristina Poli Felippi discute, com propriedade, a crítica de Hegel à epistemologia de Kant. O livro de Felippi é exuberante no didatismo, sem perder rigor, ao apresentar sua pesquisa sobre as origens da constituição do sujeito e do saber contemporâneo na obra de Hegel. Na conclusão, a autora apresenta a crítica de Habermas a predeterminação das categorias lógicas hegelianas. E conclui ao relacionar o legado contemporâneo de Hegel em contraponto à abordagem do sujeito estabelecido pela psicanálise e o pelo marxismo”.

Dica professor do curso de Comunicação Social da Unisinos, Sérgio Endler.

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“Não consigo ler apenas um livro. Em geral estou sempre lendo algum livro técnico da minha área do conhecimento (lingüística aplicada), um de poesia e alguma ficção. De poesia acabo de reler Emily Dickinson: ‘Poemas Escolhidos’, de , uma edição bilíngue da LPM Pocket. Um livro pequeno, mas com ótimos poemas. Dickinson foi e ainda é uma autora importantíssima para a literatura norte-americana. Quanto à ficção, agora estou lendo um livro chamado ‘Alucinações Musicais’, do escritor e médico Oliver Sacks. Ele se tornou conhecido do grande público pelo livro ‘Tempo de Despertar’, transformado em filme. No ‘Alucinações Musicais’, o autor narra fatos reais ocorridos com seus pacientes relacionados à musica. São casos curiosos, nos quais as pessoas ao passarem por momentos traumáticos ou de doença subitamente despertam para a musicalidade. Oliver Sacks descreve como o  estudo do cérebro pode explicar tais fatos”.

Dica da professora do curso de licenciatura em Letras da Unisinos, Adriana Riess Karnal.

Um dos livros indicados nessa semana sugere a apreciação de boas histórias da vida real. O outro, que você fique por dentro das questões em discussão sobre as cenas musicais da atualidade. Confira:

“O livro ‘O Olho da Rua’, da jornalista Eliane Brum, é uma ótima dica para quem aprecia histórias reais. A obra reúne várias reportagens da repórter gaúcha que escreve de uma forma profunda e literária. A vida num asilo e histórias de parteiras são alguns dos temas desenvolvidos. Eliane, que já trabalhou no jornal Zero Hora e na revista Época, tem um estilo bastante próprio de escrever. Ela se envolve totalmente com as pessoas que entrevista e sabe descrever com paixão e com detalhes os lugares por onde passou. É uma bela maneira de conhecer vidas e fatos do Brasil que nem imaginamos que existam”.

Dica da professora dos cursos de Jornalismo e Realização Audiovisual da Unisinos, Thaís Furtado.

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“Indico a coletânea ‘Rumos da Cultura da Música – Negócios, estéticas, linguagens e audibilidade’, organizado por Simone de Sá, professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense e editado pela Sulina em 2010. O livro é resultado de um encontro homônimo que teve lugar no Rio de Janeiro em agosto do ano passado. Os capítulos trazem autores nacionais e internacionais e aborda discussões atualíssimas e pertinentes sobre os rumos da indústria fonográfica, da crítica e dos gêneros musicais e da audiência no contexto da cultura contemporânea e da popularização das tecnologias de comunicação como sites de redes sociais específicos para música por exemplo. Destaque para o capítulo sobre performance no videogame Guitar Hero da pesquisadora Kiri Miller, que ganhou prêmio de melhor artigo científico de etnomusicologia por Harvard em 2010. Imperdível para quem trabalha e/ou pesquisa essas questões”.

Dica da professora do Programa de Ciências da Comunicação da Unisinos, Adriana da Rosa Amaral.

Dicas de leitura da semana!

Em 22 fevereiro, 2011 Comentar

A importância que a literatura tem para ampliar e diversificar nossas visões e interpretações sobre o mundo motivou o Instituto Humanitas a buscar boas dicas de leitura com os professores da Unisinos.

Confira as dicas de hoje:

“Estou lendo a coleção MILLENIUM (1, 2 e 3), livros do jornalista e ativista político sueco Stieg Larsson. Estou no terceiro livro, mas vou deixar a dica do primeiro que é o que dá início a trama. O nome do livro é Os Homens que não Amavam as Mulheres‘. O livro é muito bem escrito e o autor nos faz percorrer e refletir por vários aspectos da vida contemporânea (corrupção, ciranda financeira, invasão de privacidade, violência sexual contra as mulheres, neofascismo e abuso de poder de uma maneira geral). Além disso, os personagens são originais e cheios de surpresas. O autor conduz a narrativa de uma forma repleta de suspense do início ao fim. A trama tem, como pano de fundo, uma ilha onde, em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Quase quarenta anos depois, o industrial Henri Vanger, tio de Harriet contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir a investigação particular sobre o seu desaparecimento. Mikael conta com o auxílio de Lisbeth Salander, uma moça estranha, uma hacker genial considerada psicologicamente incapaz, mas que tem uma inteligência e uma mente espetacular para buscar dados. A leitura deste livro vai levar você a querer ler o segundo e depois o terceiro, pois a narrativa é muito bem conduzida e surpreendente”.

Dica da professora do curso de Nutrição da Unisinos, Denise Zaffari.

“Recentemente li um pequeno livro de um grande escritor que recomendo a todos. “Ficções”, de Jorge Luis Borges, é uma compilação de contos que mexe a fundo com a nossa imaginação. Publicado em 1944, o livro nos presenteia com alguns dos mais emblemáticos contos do autor argentino, dentre os quais, pérolas como “O Jardim das Veredas que se Bifurcam”, em que nos é apresentada a história de um escritor que dedicou muitos anos de sua vida a escrever uma história em que todas as possibilidades de desdobramentos narrativos fossem apresentadas ao leitor. Ou ainda, em “Pierre Menard, autor de Quixote”, Borges nos conta a história de um personagem cujo desejo era o de escrever o Quixote de Cervantes. Nãoo uma versão de Quixote e tampouco uma cópia do mesmo, mas o próprio Quixote: “sua admirável ambição era produzir páginas que coincidissem – palavra por palavra e linha por linha – com as de Miguel de Cervantes”, descreve Borges em uma passagem deste conto. E assim, partindo de curiosas premissas, Borges nos conduz por um labirinto de situações insólitas protagonizadas por personagens fabulosos, nas quais o improvável é sempre o alicerce que sustenta o realismo fantástico presente neste livro de um dos maiores escritores de todos os tempos.

Dica do professor dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Entretenimento Digital e Comunicação Digital da Unisinos, Tiago Lopes.

Duas indicações de livros para os amantes da comunicação nas nossas dicas de leitura para as férias de hoje!

Confira:

O cardeal e o repórter – histórias que fazem História“, de Ricardo Carvalho (São Paulo: Global Editora, 2010 ).  Como o título sugere, Carvalho é o próprio repórter – e Dom Paulo Evaristo Arns, o cardeal. O livro trata da relação entre um jornalista e sua fonte, tendo por cenário o Brasil dos “anos de chumbo”, entre 1977 e 1984, marcado pela ditadura militar, pela censura, pela ausência das liberdades e por suas terríveis consequências (torturas, mortes, “desaparecimentos”, imposição de versões alheias à verdade).         Contemporâneo dos fatos tratados na obra (período no qual fui criança, adolescente, estudante, formei-me e iniciei a prática do Jornalismo), tive natural identidade com o universo retratado pelo colega, permitindo-me reviver alegrias, tristezas, ideais e decepções – enfim, emoções inerentes à vida humana.

Extraio dessa leitura recém acabada uma série de ensinamentos que espero poder dividir com alunos das disciplinas que ministro na Unisinos, entre os quais os papéis do Jornalismo e do jornalista, os valores das liberdades e as responsabilidades que se impõem a quem recebe da sociedade e legitimação para apurar informações, interpretá-las e colocá-las à disposição do público”

Dica professor do curso de Comunicação Social da Unisinos, Luiz Antônio Duarte.

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Neste momento, estou lendo “Accesibilidad a la TDT en España para personas com discapacidad sensorial (2005-2007)“, de autoria do Prof. Dr. Francisco Utray Delgado, com edição da Edigrafos (Madri, 2009). Trata-se de um importante estudo sobre a televisão digital e seu potencial de acessibilidade para pessoas com necessidades especiais, de forma a tornar a TV uma mídia mais inclusiva, na sua capacidade de recepção. O livro discute a tecnologia, os serviços de acessibilidade e a regulamentação, sendo estratégico para as investigações que coordenamos no Grupo de Pesquisa CEPOS, da Unisinos. O Prof. Francisco é um importante pesquisador, da Universidade Carlos III de Madrid (UC3M), participou do Seminário que promovemos na Espanha agora em janeiro e deve estar conosco em breve na Unisinos, justamente para podermos estimular este debate também no Brasil, onde as carências são grandes, a inclusão não tem sido uma prioridade e, ao mesmo, a televisão digital terrestre está em processo ainda incipiente de implantação, o que propicia que se avance, discutindo uma regulamentação que imponha obrigações de serviço público aos operadores, como no caso da acessibilidade plena de recepção”.
Valério

Dica do professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, Valério Cruz Brittos.

Muitas pessoas aproveitam esta época para tirar uns diazinhos de férias. Alguns vão viajar, outros aproveitam para colocar em dia as pendências que se acumularam durante o ano, mas independente do lugar escolhido para o tão merecido descanso, férias é sempre tempo de leitura!

Sendo assim, buscamos sugestões de livros com os professores da Unisinos para que nossos leitores possam passar as férias em boa companhia.

Confira as dicas de hoje:

“No livro Fadas no divã, os psicanalistas Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso faziam uma leitura atenta e saborosa do que passeava pelo inconsciente dos contos para crianças. Em seu novo livro, eles ampliam esse repertório e passam a oferecer interpretações muito vivas e muito inteligentes da massiva produção cultural do nosso tempo. Eles vão desde filmes de terror, como A profecia, O bebê de Rosemary ou a série Alien (todos sobre criaturas terríveis que se gestam no corpo de inocentes heroínas), até animações para a TV, como a família capenga mas amorosa de Os Simpsons. A leitura, sempre surpreendente, vale tanto para iniciados na psicanálise quanto para leigos que se animam a pensar a vida”.

Dica do jornalista, crítico de arte e professor dos cursos de Comunicação e Realização Audiovisual da Unisinos, Eduardo Veras.

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“Do escritor francês contemporâneo Michel Houellebecq, lançado pela editora Record em 2006, o livro é descaradamente uma ficção-científica “slipstream”, ou seja que transita entre a chamada “literatura de gueto” (no caso a Ficção-Científica) e o “mainstream”. Como já é característico do autor, ele destila ironia, sarcasmo e acidez sobre a sociedade ocidental, os relacionamentos afetivos, a mídia, as religiões, o politicamente correto e a cultura em geral a partir da narrativa que acontece em um futuro próximo sobre diferentes personagens mas que são o mesmo, todos chamados Daniel (diferenciados pelos números Daniel 1, Daniel 24 e Daniel 25) que na verdade são todos resultado de experiências de clonagem. O livro é áspero, mas vale tanto pelas elocubrações acerca de uma pretensa pós-humanidade como para pensar sobre os incômodos existenciais e sociais que vivenciamos na contemporaneidade”.

Dica da professora do Programa de Ciências da Comunicação da UNISINOS – Universidade do Vale do Rio do Sinos, Adriana da Rosa Amaral.