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#dicadeleitura

Em 2 julho, 2011 Comentar

Uma declaração de amor do princípio ao fim na #dicadeleitura desta semana! Confira a sugestão de leitura do professor do Curso de Administração da Unisinos, MS Lucas Henrique da Luz.

“Estou lendo o livro “Carta a D. – História de um amor”, cujo títuo original é Lettre à D. – Histoire d’ un amour. O autor do livro é André Gorz e a edição brasileira é de 2008, traduzida por Celso Azzan Jr. Para quem, como eu, que leu coisas de Gorz em relação ao tema trabalho, é fantástico poder se deliciar com a leitura deste livro, que Gorz escreve para homenagear sua mulher Dorine, com quem viveu um retiro – a partir da década de 90, devido a uma doença degenerativa dela. Aliás, o casal cometeu suicídio em 22 de setembro de 2007, quiçá para não viverem separados um único dia. No livro, Gorz afirma que “nós desejaríamos não sobreviver um à morte do outro” e “se tivéssemos um segundo de vida, iríamos querer passá-la juntos.”

Para mim, o livro é fascinante e revela um amor incondicional, que por vezes parece doentio ou será cumplicidade? Não sei, mas mesmo num livro onde o trabalho não é tema, Gorz não se separa totalmente (e acredito que isso seria impossível) desta questão, ao escrever, logo no início: “Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e se mantém bela, graciosa e desejável. Já faz cinqüenta e oito anos que vivemos juntos, e eu te amo mais do que nunca… eu só preciso lhe dizer de novo essas coisas simples antes de abordar questões que, não faz muito tempo, têm me atormentado. Por que você está tão pouco presente no que escrevi, se a nossa união é o que existe de mais importante na minha vida?”. Parece-me que ao fazer este questionamento ele mostra um entrelaçamento nem sempre presente entre vida e trabalho, amor e trabalho.

Enfim, é um livro para ser saboreado do início ao fim, para fazer reflexões, para ver exemplos de amor e dádiva. Está sendo fascinante a leitura para mim. Obrigado Gorz e Dorine.”

A #dicadeleitura desta semana é do MS Moisés Sbardelotto, coordenador do Escritório da Fundação Ética Mundial no Brasil com sede no Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Confira:

“Recomendo a leitura das 472 páginas de Joana d’Arc, de Mark Twain, grande escritor norte-americano, autor, por exemplo, de As Aventuras de Tom Sawyer. Mas é bom partir do conceito do próprio autor sobre a obra aqui sugerida: “Prefiro Joana d’Arc a qualquer outro de meus livros, e ela é, de fato, minha melhor obra”. Assim, já não há muito o que discutir.

O livro conta a trajetória, no século XV, da camponesa francesa Joana d’Arc – depois canonizada pela Igreja Católica –, desde a sua infância até sua morte na fogueira como herege. Uma jovem de 17 anos que sai do seu vilarejo, consegue uma audiência com o rei, convence-o de que havia sido eleita por Deus para salvar a França da mão dos ingleses, obtém um exército, lidera-o em muitas vitórias e é condecorada General-em-chefe de todo Exército Francês – com o detalhe de ser mulher, no século XV. Depois, é traída pelos conselheiros do rei, presa em uma escaramuça sem valor nenhum contra os ingleses e interrogada durante longos e inúmeros tribunais – dos quais ela sai vitoriosa, pela sua inteligência e autoridade. Justamente por isso, a única saída do bispo Cauchon é triturar a resistência física de Joana em uma masmorra, cansando-a e matando-a aos poucos por inanição e apresentá-la a uma fogueira. Lá, ela assina, transtornada, um tratado falso, assumindo como sua uma infinidade de mentiras e falsidades.

Não é tanto o pano de fundo histórico e geográfico de Joana que instigam nessa leitura, mas sim a sua eternidade literária e humana, como inspiração que ultrapassa fronteiras de tempo e lugar. Pessoalmente, considero Joana uma personificação histórica de um possível Dom Quixote feminino, com muito menos humor e sandice, e muito mais compaixão, delicadeza e mística – que, além de tudo, partem de um grande amor ao seu povo e ao seu Deus.”
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Editora: Record
Ano: 2001
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#dicadeleitura

Em 15 junho, 2011 Comentar

Três concepções do filósofo francês, Henri Bergson, sugeridas pela professora de Jornalismo da Unisinos, Cybeli Almeida Moraes.

“Recomendo qualquer obra do filósofo Henri Bergson, seja no formato livro completo ou por meio dos diversos textos nos quais o pensador chama atenção para questões essenciais da vida, da ciência e da comunicação humana. Em função de sua interpretação da vida como fluxo, Bergson desenvolveu concepções originalíssimas sobre a inteligência, a matéria, a memória e a intuição filosófica. Suas noções de atualidade e virtualidade são capazes de balançar qualquer projeto de pesquisa. E suas reflexões sobre nossa existência, entre a duração e o tempo espacializado, são hoje fundamentais para pensar a contemporaneidade. Para os já iniciados, considero indispensáveis ‘A evolução criadora‘ e ‘Matéria e Memória‘; para aqueles que gostariam de iniciar-se recomendaria um pocket de Jean-Louis Vieillard-Baron, editado pela Vozes (Rio de Janeiro) em 2007 – ‘Compreender Bergson‘. A obra apresenta, ao longo de 117 páginas, os elementos essenciais da filosofia bergsoniana, além de trazer informações sobre a vida e a influência do legado de Bergson em meio as descobertas científicas e aos acontecimentos históricos de sua época. O livro traz também um índice bibliográfico das obras do filósofo e um pequeno glossário de seus principais conceitos.”

Saiba mais:

Uma narrativa ficcional da origem da humanidade e uma reflexão sobre a cibercultura frente às subculturas do cyberpunk nas dicas de leitura dos professores da Unisinos desta semana. Confira:

“Um livro que adorei ler foi ‘Lo infinito en la palma de la mano’, da escritora nicaraguense Gioconda Belli. Foi publicado em 2008, em Buenos Aires, pela Seix Barral, e não sei se tem tradução em língua portuguesa. Parece que não. Trata-se de uma novela que tematiza a origem da humanidade por meio de uma narrativa ficcional deveras instigante sobre a vida de Adão e Eva desde sua criação, a curta estada no paraíso e as dificuldades que enfrentaram fora dele. Dificuldades, diga-se de passagem, concernentes ao humano que foram: corpos cheios de vida, de sentimentos, de emoções, de pouco conhecimento, condições que os colocaram no paradoxo de obedecer a ordem do criador ou aceitar a condição que lhes foi dada de poder decidir livremente entre comer ou não comer o fruto da árvore do conhecimento. A narrativa é bastante rica e envolvente na descrição das condições e circunstâncias em que os personagens descobrem-se a si mesmos fora do paraíso, num mundo que tiveram de aprender, nomear e inventar para eles. Vale à pena!”.

Dica do professor do curso de Ciência da Computação da Unisinos, Dante Bessa.

“Acabei de ler a obra ‘Visões Perigosas – Uma Arque-Genealogia do Cyberpunk’, da Profa. Dra. Adriana Amaral do PPGCC da Unisinos. A obra foi lançada pela editora Sulina. O mais interessante desta obra é a reflexão feita sobre a cibercultura frente as subculturas  do cyberpunk, movimento essencialmente fomentado a partir da evolução das tecnologias de informação e comunicação. Tendo como ambiente a ficção cientifica, a autora nos remete a um apanhado em que o movimento da ficção cientifica, como gênero literário e cinematográfico,  tem suas raízes resgatadas e representadas pelas lógicas “ideológicas” dos cyberpunks. A obra é fruto da tese de doutorado que Adriana defendeu em 2005”.

Dica do professor do curso de Relações Públicas da Unisinos, Auguto Parada.

Na primeira dica desta semana, “um livro de quase mil e quinhentas páginas que não serve para nada, mas que faz muito bem para a alma”, assim resume o professor Alfredo Culleton. A segunda dica, destinada aos amantes do design, traz uma metodologia para decretar o fim das velhas ideias. Confira:

“O livro ‘The Anatomy of melancholy’, de Robert Burton. Burton (1577-1640) vive no Christ Church College da Universidade de Oxford desde os 16 anos até a sua morte e escreve este livro como uma maneira de fugir da melancolia que o acossava. Tem ao seu dispor uma das bibliotecas mais qualificadas da sua época para escrever um dos livros mais eruditos e finos sobre a melancolia. Ele busca em toda a literatura disponível referencias à melancolia, suas causas e curas. Fala sobre os seus sintomas, diagnósticos e tipos, como a melancolia do amor, a melancolia religiosa, as bílis que a influenciam e a astrologia que a rege. Mesmo que na atualidade nada do que ele tenha escrito tenha alguma validade científica, é reconfortante pensar a melancolia em toda a sua complexidade e não simplesmente como depressão passível de medicação.  Um livro de quase mil e quinhentas páginas que não serve para nada e faz muito bem para a alma. Cheguei ao Burton porque Borges começa o seu conto “La biblioteca de Babel” com uma epígrafe sobre o livro de Burton”.

Dica do professor do curso de Filosofia da Unisinos, Alfredo Culleton.

“O livro ‘Design Thinking’, de Tim Brown, apresenta uma metodologia denominada de pensamento do Design, que começa utilizando as habilidades que os designers possuem de estabelecer a correspondência entre as necessidades humanas com os recursos técnicos disponíveis.  Para tanto, se baseia em rigorosas observações de como utilizamos os espaços, os objetos e os serviços de modo a descobrir padrões e sintetizar nova ideias a partir de fragmentos, convertendo problemas em oportunidades. Por exemplo, aplicando o Design Thinking uma rede hoteleira pode melhorar a experiência de um hóspede ou um banco pode incentivar seus correntistas a investir em determinadas ações”.

Dica da professora dos cursos de Graduação em Comunicação Digital, Publicidade e Propaganda, Administração, e MBA em Estratégias de Marketing e Vendas da Unisinos, Daniela Horta.