Arquivos da categoria ‘Dica de leitura’

O uso descontrolado de agrotóxicos no Brasil tem crescido muito aceleradamente nos últimos anos, afetando agricultores familiares, populações rurais e consumidores. Mas técnicos de assessoria rural, lideranças dos movimentos sociais, profissionais à frente de programas de educação ou de ações comunitárias de promoção da saúde têm ainda uma grande carência de informações abrangentes e sistematizadas capazes de orientar na prática as ações de enfrentamento.

O livro Agrotóxicos no Brasil – um guia para ação em defesa da vida, de autoria de Flavia Londres, traz informações importantes sobre a legislação, programas de monitoramento de resíduos em alimentos, como identificar, encaminhar, notificar e prevenir casos de intoxicação, processos de reavaliação toxicológica dos agrotóxicos autorizados no Brasil, entre outras. Essas informações são acompanhadas de orientações objetivas visando subsidiar ações práticas de combate às irregularidades, de melhoria dos mecanismos de controle e de resistência a este modelo de agricultura que envenena os campos, as cidades, a água, o ar e as pessoas.

O lançamento do livro ocorrerá no dia 28 de setembro, às 18h30min, em Salvador – BA, durante o Encontro Nacional de Diálogo e Convergências (Av. Amaralina, 111 – Hotel Vilamar). Sua publicação é uma promoção da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e da Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA).

A mesa de lançamento contará ainda com a participação de Luiz Cláudio Meirelles – Gerente Geral de Toxicologia da Anvisa, Dr. Pedro Serafim – procurador do Ministério Público do Trabalho e Coordenador do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, Fernando Carneiro – professor da UnB e membro da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva-ABRASCO – e Raquel Rigotto – professora da UFC e Coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde.

Em breve o livro estará disponível  no site da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia!

#dicadeleitura

Em 4 setembro, 2011 Comentar

Na primeira dica desta semana, “uma análise da realidade humana que para lê-la e compreendê-la é preciso estômago”. Na segunda, uma nova perspectiva da filosofia popperiana. Confira:

“Neste ano comemoram-se os 100 anos de nascimento de um dos mais conturbados e céticos filósofos do século XX: o romeno Emil Cioran. Para tanto, a editora Record está relançando algumas de suas obras no Brasil. Entre elas, a que sugiro para leitura, Breviário de decomposição. Esta obra, a primeira escrita pelo filósofo em francês, foi publicada em 1949. Para lê-la, e compreendê-la, é preciso estômago, como diriam alguns. Cioran é mordaz em sua análise da realidade humana e perpassado por uma perspectiva que enxerga o mundo governado pela força do Mal. Expressamente pessimista e cético frente aos constructos teóricos que os humanos constroem a fim de suportá-lo em seu vazio, Cioran, nos deixa, com seu Breviário, um gosto amargo na boca, ao sermos confrontados com as (im)possibilidades de nossas próprias ilusões. Em um de seus momentos altos, entre outros inúmeros, nos diz: “A História: manufatura de ideais…, mitologia lunática, frenesi de hordas e solitários…, recusa de aceitar a realidade tal qual é, sede mortal de ficções…”. Num mundo cheio de soluções “vazias”, o texto de Cioran é um achado.”

Dica do professor do Departamento de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Rodrigo Coppe Caldeira, autor de: “Os baluartes da tradição: o conservadorismo católico brasileiro no Concílio Vaticano II”. Curitiba: CRV, 2011.

“Há livros que compramos e não o lemos de uma vez. Estes livros são objeto de reflexão para nós. Assim é que iniciei a leitura de um livro que pelo número de suas páginas era desanimador. O nome do livro? ‘Los dos problemas fundamentales de la epistemologia‘. O autor? Karl R. Popper.

Trata-se de um livro que tem todo um contexto histórico por detrás dele que é pressuposto para uma leitura proveitosa. Esse livro é baseado em manuscritos de Popper no período compreendido entre 1930-1933. A 1ª edição de Popper foi em 1980. Por que tanto tempo entre a escrita e a publicação? Bem, esse livro por ser extenso foi cortado em várias partes e deu origem a obra ao qual Popper ficaria conhecido. Esse livro era a ‘Lógica da pesquisa científica‘ de 1934. A ‘Lógica’ foi, nas palavras de Popper uma ‘drástica redução’. ‘Los dos problemas fundamentales‘ é muito mais completo e rico de conteúdo. Dá ao leitor uma nova perspectiva da filosofia popperiana. Por exemplo, o uso do método transcendental como alavanca de pesquisa dos dois problemas fundamentais da filosofia desperta o leitor para estudar a influência de Kant na filosofia de Popper. Mas, quais são os dois problemas fundamentais? Ora, Popper escreveu esse livro evocando a obra de Schopenhauer, ‘Os dois problemas fundamentais da ética’ de 1841. Assim, os problemas fundamentais da filosofia são o da demarcação e o da indução, sendo que o problema da indução pode ser reduzido ao da demarcação. Tal problema tem origem na obra de Kant. As 577 páginas do livro de Popper mostram o quanto ele poderia ter dito ainda naquela época. Se o tivesse dito, o que teria mudado no curso do pensamento filosófico?

Dica do professor do curso de Filosofia da Unisinos, Joao Batista Cichero Sieczkowski.

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Em 12 agosto, 2011 Comentar

A professora de Letras, Comunicação e Direito da Unisinos, Graziela Jacques Prestes, convida você a refletir com Franz Kafka. Confira:

“Você gosta de pôr sua inteligência à prova? Gosta de imaginar e representar? Leia, ou então releia, um clássico que diz respeito, em algum grau, a todas as famílias. Ser aceito e aceitar-se é, na minha modestíssima opinião, o cerne da trama cujo personagem-protagonista percebe-se, um dia, transformado em inseto. Com extrema delicadeza e perspicácia, Franz Kafka, em “A Metamorfose”, expõe a chaga existencial de Gregor, um caixeiro-viajante que se deixa levar pelas exigências do mundo exterior e se perde em seu universo interior. Um conflito entre pais e filhos, entre um ser e a sociedade. Um convite à reflexão. Boa leitura!”

#dicadeleitura

Em 17 julho, 2011 Comentar

Confira a sugestão de leitura do estudante de Letras e revisor do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, Isaque Correa.

“Minha dica de leitura é O homem que calculava, de Malba Tahan (pseudônimo do autor brasileiro Júlio César de Meloe Souza).

Os dias de leitura deste livro constituem um marco em minha vida. Trata-se, em poucas linhas, da história de um grande jovem matemático árabe (Beremiz) que resolve e explica muitas curiosidades e problemas matemáticos de modo extraordinário, original. Com muita sabedoria, ele anda pela cidade de Bagdá ensinando e resolvendo questões matemáticas aparentemente insolúveis. Ao mesmo tempo, ensina muitos valores humanos universais como o companheirismo e a justiça.

Para nós, leitores ocidentais, é um ótimo livro para melhor compreendermos a cultura árabe, às vezes muito distante de nosso conhecer. Vale a pena! Dá para ler aos poucos, uma vez que cada história constitui um capítulo à parte, o que facilita a retomada seguinte de leitura.”

A #dicadeleitura desta semana é do doutor em Filosofia e responsável técnico pelas publicações do  Instituto Humanitas Unisinos – IHU, Marcelo Leandro dos Santos. Confira:

Eugène Ionesco, um dos principais expoentes do Teatro do Absurdo, apresenta em ‘La cantatrice chauve’ (A soprano careca) (1950) o drama da incomunicabilidade. A impotência de suas personagens é expressa através de falas que não as levam a lugar algum. Personagens que Ionesco faz brotar de um recinto inóspito. Não, elas não estão perdidas na Sibéria, nem no Saara. Tudo se dá em um aconchegante lar burguês e inglês. Poltrona, chinelos, jornal, cachimbo, lareira. Lareira, cachimbo, jornal, chinelos, poltrona. Um quadro da monotonia, que talvez somente o sentimento gerado após a Segunda Guerra Mundial – da qual todos saíram derrotados – poderia pintar. Pessoas simplesmente comuns. Tão comuns que se inserem em uma generalidade capaz de provocar o desconhecimento de suas próprias intimidades. Um casal que, apesar de dormir na mesma cama, não lembra mais de onde cada um se conhece. O diálogo incoerente se perpetua enquanto as personagens são tranquilamente substituídas, deflagrando a completa indiferença de suas existências. Um livro sobre o absurdo, mas que projeta uma concretude desoladora. A estética do absurdo não é um absurdo.”

(Editora: Gallimard – ISBN: 2070362361 – Ano: 2003)

A estética do absurdo não é um absurdo