Desde 2013, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU vem promovendo o XIV Simpósio Internacional IHU. Revoluções tecnocientíficas, culturas, indivíduos e sociedades. A modelagem da vida, do conhecimento e dos processos produtivos na tecnociência contemporânea. Este esforço está dividido em quatro seminários semestrais e em um grande Simpósio Internacional que ocorrerá entre os dias 21 e 24 de outubro de 2014. Confira a programação do evento clicando na imagem abaixo.

Apresentamos a seguir as publicações do IHU que subsidiam o evento.

Em grande parte são conferências proferidas durante os três seminários que preparam o Simpósio.

(Para acessar aos artigos basta clicar nas imagens. Para acessar as entrevistas que eles concederam à IHU On-Line e publicadas nas “Notícias do Dia, basta clicar sobre seus nomes)

Sociedade tecnológica e a defesa do sujeito de Karla Saraiva, professora da ULBRA, propõe problematizar os processos de subjetivação que acontecem na atualidade, traçando uma orientação geral acerca do que seria a defesa do sujeito na sociedade tecnológica. Para tanto, inicialmente ela apresenta uma discussão para estabelecer o entendimento de sujeito e de sociedade tecnológica que serão assumidos no âmbito deste trabalho. Assume-se como hipótese que a defesa do sujeito passa pela constituição de espaços de liberdade para a criação de si. A seguir, são apresentadas quatro produções cinematográficas que retratam distopias tecnológicas, traçando possíveis relações com alguns medos e riscos identificados na sociedade contemporânea. Finaliza-se o artigo fazendo um balanço muito sucinto das possíveis perdas e ganhos que as tecnologias têm trazido e dos perigos a serem enfrentados na constituição dos sujeitos da sociedade tecnológica.

Os riscos e as loucuras dos discursos da razão no campo da prevenção de Luis David Castiel, pesquisador do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública – FIOCRUZ.

A abordagem se concentra na “ideologia da prevenção generalizada”. A partir de uma visão crítica, Castiel aponta os problemas da chamada hiperprevenção e os altos níveis de ansiedade que nossa sociedade alcançou, buscando o controle supremo sobre qualquer evento que fuja “à normalidade ou a previsibilidade”.

Produções tecnológicas e biomédicas e seus efeitos produtivos e prescritivos nas práticas de saúde e de gênero sob autoria de Marlene Tamanini, professora da Universidade Federal do Paraná – UFPR e membro do Núcleo de Estudos de Gênero da mesma instituição.

A autora analisa como os efeitos de interferências tecnológicas no corpo humano podem afetar as relações de gênero e outras formas de relações sociais, debatendo, entre outros temas, a reprodução assistida, a doação de óvulos e espermatozoides, os tratamentos de fertilidade e processos de reconhecimento de maternidade e paternidade nas novas configurações familiares produzidas por este contexto.

Já uma edição do Cadernos IHU ideias publica a contribuição de Miguel Ângelo Flach, filósofo gaúcho, com seu artigo sobre as origens históricas do racionalismo, segundo Feyerabend.

O artigo examina as origens históricas do “racionalismo” rastreando-a desde a Antiguidade no contexto da cultura grega arcaica. Para Feyerabend, um nascente pensamento racional abstrato, perpassa o surgimento da filosofia coincidindo com a ascensão de um racionalismo por erigir a “Razão” (o “R” maiúsculo ilustra criticamente o poder a ela atribuído) como fonte de tradição que, ao relegar a abundância da história, simplificou a última pretensiosamente se afirmando como história única acima de todas as formas de vida.

Outra contribuição relevante é do filósofo catalão Jordi Maiso, que proferiu uma conferência no Instittuto Humanitas Unisinos – IHU, em 2013, sobre a biologia sintética e os desafios que ele postula para a ética e a bioética contemporâneas.

O texto é uma reflexão crítica sobre esta disciplina emergente, sondando os desafios éticos, filosóficos e políticas que a biologia sintética suscita. Para isso, analisam-se os pressupostos políticos do projeto da “bioengenharia”, tanto no que se refere à sua compreensão tácita da vida, como ao modo em que concebe a relação entre tecnociência, sociedade e vida, que constitui todo um programa. O objetivo é oferecer uma panorâmica das problemáticas que emergem com a nova disciplina e descrever os seus possíveis impactos a médio e longo prazo.

A 194ª edição do Cadernos IHU ideias, traz a colaboração da doutora em Direito e professora da UERJ, Heloisa Helena Barboza.

O artigo intitulado A Pessoa na Era da Biopolítica: autonomia, corpo e subjetividade propõe abordar os efeitos de algumas interferências no corpo humano, que suscitam questões jurídicas à luz do direito brasileiro. Mais precisamente, procura-se trazer ao debate o corpo como locus de construção da identidade do ser humano, a qual se dá à luz da autonomia e da subjetividade, em sua possível harmonização com o Direito. Considera-se o corpo do início do século XXI, que traduz de modo bastante claro a era da biopolítica, cenário inafastável que fornece os elementos e onde se desenvolve o mencionado processo de construção. Indispensáveis, por conseguinte, breves incursões nos conceitos envolvidos, especialmente no de biopolítica, como formulado por Michel Foucault.

Laboratórios e Extrações: quando um problema técnico se torna uma questão sociotécnica de autoria de Rodrigo Ciconet Dornelles, antropólogo, debate o quão técnica é de fato a prática científica laboratorial ao analizar as práticas sociais (ou sociotécnicas) que se desenvolvem neste espaço, colocando em cena a questão relativamente recentemente no debate teórico-conceitual nas ciências sociais, que é a da agência dos humanos, assim como a dos não-humanos.Ele analisa, a partir do seu estudo etnográfico, a ciência como uma rede que articula uma infinidade de atores, e as práticas sociais que envolvem o dia-a-dia de um laboratório.

Ciência e Justiça: considerações em torno da apropriação da tecnologia de DNA pelo direito sob autoria de Claudia Fonseca, professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A autora faz uma discussão sobre a apropriação do conceito de “verdade” a partir da ciência que é encontrada no campo jurídico, focando especialmente os casos de tecnologia de DNA utilizados em processos criminais e de reconhecimento de paternidade.

Letícia de Luna Freire no texto A Ciência em Ação de Bruno Latour. A autora busca discutir neste texto as concepções de ciência em ação conforme concebidas na obra do sociólogo e filósofo francês Bruno Latour. Para tal, estabelece os termos e críticas afirmados por Latour sobre os estudos tradicionais desenvolvidos sobre a ciência que mantém intacta a separação entre estudos de conteúdo científico e de contexto social. Para dar cabo deste problema epistemológico, Latour propõe o que se convencionou chamar mais tarde de Teoria Ator-Rede. Neste contexto, surge então uma ferramenta metodológica importante não apenas para os estudos de sociologia da ciência, como também para os campos da economia, política, antropologia, história e demais ciências sociais.

Os arranjos colaborativos e complementares de ensino, pesquisa e extensão na educação superior brasileira e sua contribuição para um projeto de sociedade sustentável no Brasil de Prof. Dr. Pe. Marcelo F. de Aquino, SJ, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Filosofia e reitor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. Nesta obra, o autor transpõe as fronteiras de sua própria área de conhecimento. Torna-se um filósofo a lançar olhares sobre o homo technicus, a organização da sociedade humana e os novos paradigmas postulados para a sociedade da informação a partir da tecnociência. Para tanto, utiliza elementos retirados tanto da mecânica quântica como das humanidades para, assim, estabelecer parâmetros de qual é o papel da universidade neste processo.

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Igualmente, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU publicou, sobre o tema central do XIV Simpósio Internacional IHU, várias edições da revista IHU On-line, da qual destacamos quatro edições.

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432ª edição – Transgênicos no Brasil. 10 anos depois o debate continua. No dia 13 de junho de 2003, a Lei 10.688 institucionalizou o cultivo de organismos geneticamente modificados (OGMs) no País. A decisão ainda hoje é polêmica. Ativistas alertam para a permissividade e os riscos da transgenia; já os defensores acreditam que as leis restritivas impedem o Brasil de ser protagonista no uso da tecnologia. Dez anos depois, a revista IHU On-Line convida pesquisadores e pesquisadoras, professores e professoras para debater a questão que continua extremamente atual. Contribuem para o debate Leonardo Melgarejo, Marcos Silveira Buckeridge, Arnaud Apoteker, Juliana Dantas de Almeida, Sérgio Sauer, Moacir Darolt e Elizabeth Bravo.

429ª edição – Biologia sintética. O redesenho da vida e a criação de novas formas de existência o Projeto Biologia Sintética já teve início na universidade com a presença dos pesquisadores do Centro de Ciencias Humanas y Sociales – CSIC, em Madri, Jordi Maiso Blasco e José Antonio Zamora Zaragoza, que também contribuíram com entrevistas para esta edição.

Enriquecem o debate ampliado pela IHU On-Line os professores e pesquisadores José Manuel de Cózar-Escalante, Antonio Diéguez-Lucena, Paul Rabinow e Gaymon Bennett e Carlos Maria Romeo-Casabona que desenvolvem estudos sobre bioética, nanotecnologias e os dilemas do pós-humanismo.

423ª edição – As revoluções tecnocientíficas e a modelagem das feminilidades, hoje
A modelagem das feminilidades favorecidas pelas revoluções tecnocientíficas contemporâneas é o tema de capa da IHU On-Line desta semana.

Participam do debate Marlene Tamanini, Diana Maffía, Maristela Mitsuko Ono, Marília Gomes de Carvalho, Carolina Ribeiro Pátaro e Leonor Graciela Natansohn.

420ª edição – A medicalização da vida. A autonomia em risco
Os intensos e fecundos debates propiciados pelo I Seminário em preparação ao XIV Simpósio Internacional IHU Revoluções tecnocientíficas, culturas, indivíduos e sociedades. A modelagem da vida, do conhecimento e dos processos produtivos na tecnociência contemporânea, suscitou o tema principal da revista IHU On-Line desta semana. O tema é debatido por profissionais e pesquisadores tanto da área da saúde como também de outros campos do conhecimento. Contribuem para o debate Charles Tesser, Luis David Castiel, Fábio Alexandre Moraes, José Roque Junges, Maria Stephanou, Ricardo Teixeira, Sandra Caponi e Rosangela Barbiani.

Para mais informações, consulte a página do evento, a página das publicações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU ou o sítio da Revista IHU On-line.

Confira a programação do III Seminário XIV Simpósio Internacional IHU: Revoluções tecnocientíficas, culturas, indivíduos e sociedades. A modelagem da vida, do conhecimento e dos processos produtivos na tecnociência contemporânea clicando aqui.

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