Muito se tem falado na preservação do meio ambiente, mas não se criou ainda a consciência de que o planeta precisa urgentemente dos nossos cuidados. Um dos exemplos deste descaso da sociedade é a proliferação dos lixões clandestinos a céu aberto. O ABC Domingo ouviu especialistas sobre o que leva as pessoas a agir desta maneira em relação ao nosso habitat.
“Uma das boas respostas para essa questão é propor iniciativas. Convido o Vale para enfrentarmos grandes desafios impostos às cidades, tais como gestão ambiental, resíduos sólidos e licenciamentos. Para tanto, preparamos encontros em datas a serem divulgadas. Todos podem participar, e os contatos devem ser feitos pelo e-mail asstec@sema. rs.gov.br. São as ações colaborativas que contribuem para a mudança de hábito capaz de desenvolver e manter a cultura de respeito ao ambiente.” - Helio Corbellini, secretário estadual do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul
“Basicamente porque nossa cultura acredita que não fazemos parte do meio ambiente. O desenvolvimento tecnológico convenceu o imaginário humano que somos superiores ao meio ambiente. Que é moral e ético submetermos ele aos nossos caprichos sem que soframos nenhuma consequência dos nossos atos. Para a maioria das pessoas, cuidar da natureza é um ato de bondade ao qual podemos nos dar ao luxo se não atrapalhar muito os negócios ou a satisfação de nossos desejos egoístas.” - Amo Kayser, agrônomo, ecologista, escritor e presidente do Comitesinos
“A natureza nos oferece paisagens e recursos naturais em profusão, mas, no entanto, ainda vislumbramos como bens inesgotáveis. As ações de cada cidadão devem ser mais valorizadas, mesmo que pareçam não fazer tanta diferença. A cultura ambiental traz vantagens como a melhoria da qualidade de vida, principalmente sob o aspecto de saúde. Há doenças que se manifestam somente após longo tempo de ingestão de alimentos contaminadas ou exposição a ambientes degradados.” - Albert Welzel, professor coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Ulbra
“De uma maneira geral, a natureza vem absorvendo essa falta de interesse da sociedade sem que grandes eventos no passado estivessem em pauta. Hoje nós já temos uma percepção e a comunidade científica mundial já demonstra com mais clareza e firmeza o fato de que a ação humana vem gerando um impacto ambiental que a natureza não absorve mais. Com cerca de sete bilhões de seres humanos habitando o planeta, fica difícil dizer que essa ação não exerce um efeito no meio ambiente.” - Jackson Müller, mestre em Bioquímica pela Ufrgs e atualmente professor da Unisinos
“Vivemos uma cultura baseada na produção, no consumo. E o que é pior, continuamos a perpetuá-la em nome do crescimento econômico. Pensemos na forma como fomos educados. Vamos perceber que desde sempre fomos educados para vermos o ambiente como um infindável armazém de mercadorias. Esse sistema de educação precisa mudar, inserindo-se o respeito ao ambiente na rotina escolar para deixarmos de ser a principal ameaça da sustentabilidade planetária.” - Berenice Adams, professora, idealizadora do Projeto Apoema de educação ambiental
Fonte: ABC Domingo – Geral | Pág. 14 – Em 24/02/2013





