Mobilizações autogerenciadas

Redes entre empresas sempre buscam modelos de gestão desenvolvidos para lidar com os seus difíceis objetivos competitivos, afinal enfrentam empresas e redes muito bem gerenciadas. Mas, nem todas as redes precisam de modelos complexos de gestão para alcançar seus objetivos. As mobilizações rápidas, também conhecidas como “flash mobs“,  conseguem realizar feitos incríveis com base na autogestão dos participantes.
 
Algumas empresas tentam realizar esse tipo de mobilização para obter visibilidade. Na maioria das vezes, a mobilização acaba se tornando artificial demais pois os “participantes” são contratados e pagos para se envolverem. Lembra muito aquele pessoal que fica nas esquinas balançando bandeirinhas de partidos políticos em época de eleição. Por outro lado, existem muitas mobilizações voluntárias bem interessantes.  Em minha opinião, as melhores mobilizações com esse caráter são realizadas por um grupo de Nova York chamado Improv Everywhere. Uma das últimas mobilizações deles foi o passeio de cães invisíveis pelas ruas de Manhattan. Veja abaixo:
 


 
No vídeo, pode se perceber que apesar se ser um grupo autogerenciado, algumas pessoas assumem ad-hoc as funções de convocar, explicar a mobilização, motivar e filmar. Isso demonstra que mesmo as redes autogerenciadas precisam de instrumentos de coordenação, pois de outra forma as mobilizações seriam um fracasso. Mas as mobilizações não serem apenas para objetivos fugazes!
 
A moviemobz, por exemplo, é uma comunidade online a que surgiu para tornar possível que pessoas se mobilizem para programar a sessão de um filme nas salas de cinema.  A ideia é reunir pessoas com gostos semelhantes para mobilizar um grupo de interessados grande o suficiente para viabilizar a realização de uma sessão de determinado filme em um cinema parceiro. Em outras palavras, se algumas pessoas desejarem assistir um filme fora de cartaz como “E o vento levou” na tela grande, eles devem encontrar e mobilizar outras 100 ou 150 pessoas em sua cidade para tornar economicamente interessante ao cinema realizar uma sessão do filme para elas. Parece algo difícil, mas na rede autogerenciada virtualmente através do moviemobz, não é!  Já são 122 cinemas em 18 cidades dispostos a realizar sessões de filmes mobilizados pelas mais de 20.000 pessoas cadastradas.

A questão é: essa forma de mobilização pode ser realizada em outras áreas?

Postado em Redes | 45 comentários »

Os Colaboratórios da IBM

Nos últimos anos, a IBM vem recuperando o prestígio perdido com os erros cometidos no passado, principalmente em relação a pouca importância dada aos computadores pessoais. Parte desse renascimento da empresa é fruto de uma visão aberta dos seus novos gestores. O melhor exemplo disso é o CEO da empresa, um senhor de óculos redondos, ganhos de US$ 25 milhões por ano e sorriso constante (quem não sorriria?). Com um nome que mistura palmito com queijo parmesano, Sam Palmisano vem percorrendo o mundo para disseminar a estratégia aberta de P&D da empresa chamada de “colaboratórios” da IBM.
 
IBM_Palmisano
 

Colaboratório é um conceito que mescla cooperação com laboratório. A ideia da IBM é abrir o seu processo de inovação para aliar seus pesquisadores aos especialistas de organizações públicas e privadas. Esta recente estratégia já motivou a cooperação de governos, universidade e empresas em países como Arábia Saudita, Suíça, China, Irlanda, Taiwan e Índia. Em entrevista para a Business Week, o diretor da divisão de pesquisas da IBM, John E. Kelly III, afirmou que “O mundo agora é o nosso laboratório”.
 
Mas a IBM não está sozinha segundo a Business Week. A edição de 07 de setembro da aborda essa reestruturação dos processos de inovação das grandes empresas norte-americanas. Com o título de “O futuro radical da P&D”, a revista aponta que os dias da inovação centrada apenas nos recursos das empresas estão contados. A matéria ainda cita casos os casos de inovação colaborativa da Hewlett-Packard, da Procter & Gamble e da Eli Lilly e analisa como a Microsoft percorre este mesmo caminho.
 
 Business week
 
Mas, e no Brasil? Na semana da qualidade e inovação da Unisinos foi apresentado o caso da Natura. Ela não é a única. Faz parte de um pequeno grupo de organizações brasileiras, (como a Braskem Embrapa e Embraer), que começam a dar os primeiros passos no caminho da abertura para processos de inovação mais colaborativos. A pergunta que fica é: será essa uma onda que logo passará ou a inovação colaborativa será a nova ordem para as empresas nacionais inovarem nas próximas décadas?

Postado em Empresa 2.0, Inovação Colaborativa, Redes | 49 comentários »

Rede na Área de Transportes

O Programa Redes de Cooperação do Rio Grande do Sul irá completar dez anos em março do ano que vem. Dez anos de um programa público é um feito e tanto na política brasileira onde a cada quatro anos tudo é modificado.
 
Nesta quase uma década, já forma formadas 270 redes de empresas. Não há outra política no mundo que tenha conseguido chegar tal número. A política dinamarquesa, por exemplo, formou menos de 200 redes. No caso gaúcho, foram formadas redes em praticamente todos os segmentos de negócios, desde farmácias e lojas de material de construção, até produtores de arroz.
 
Quando penso que não haverá mais novidade em termos de segmentos de redes, surge a rede Refretur de transporte para turismo e locação de veículos. Conforme a notícia publicada hoje no Jornal Correio do Povo,  a rede tem uma frota de 188 veículos e disponibilidade para transportar até 450 mil pessoas. Por meio da rede de cooperação,  as empresas buscarão diversificar as atividades de turismo para pessoas portadoras de necessidades especiais e para a terceira idade, entre outros públicos. 
 
Refretur

 
Um dos maiores ganhos será uma ampliação na capacidade de inovação das empresas associadas. O Diretor do Programa Redes de Cooperação, Carlos Alberto Hundertmarker, inclusive reafirmou isto ao assinalar que ”‘O mais importante é que o encontro entre os integrantes da rede pode contribuir para a inovação dentro dessa cadeia empresarial, trazendo diferenciais de atendimento e de procedimentos, melhorando os serviços’‘.
 
A notícia completa sobre o lançamento da rede pode ser lida no seguinte link.

Postado em Notícias, Redes, Sem Categoria | 38 comentários »

Blog do Geredes de volta

Depois de um descanso estratégico, o blog do GEREDES - Grupo de Estudos de Redes voltou à ativa e com toda a força. Agora, o blog vai acompanhar regularmente os trabalhos da equipe de técnicos do convênio firmado entre a SEDAI e a UNISINOS que está avaliando a gestão das redes de cooperação formadas e apoiadas pelo Governo do Estado. Na primeira etapa, serão 12 redes avaliadas de diferentes segmentos do comércio, indústria e serviços. Segundo informações do Diretor da SEDAI, Carlos Alberto Hundertmarker, o Programa Redes de Cooperação já lançou 268 redes no Rio Grande do Sul, um recorde mundial!
 
Quem deseja acompanhar os trabalhos da equipe da Unisinos deve acessar o seguinte link.

Postado em Notícias, Redes | 6 comentários »

Prêmio Jabuti 2009

Na semana passada, fomos brindados com uma série de boas notícias. Temos mais uma disciplina de redes do mestrado/doutorado (agora no PPG de ciências sociais), o colega Balestrin assumiu a diretoria da Unidade de Pesquisa e Pós-Graduação e, para finalizar, o livro Redes de Cooperação Empresarial foi anunciado como um dos finalistas do Prêmio Jabuti 2009 na categoria “Economia, Administração e Negócios”.
 
O Prêmio Jabuti é concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e, conforme imprensa veicula, é “considerado o maior concurso literário do País”. Está na sua 51° edição e vem premiando as obras que se destacam nacionalmente em cerca de 20 categorias. Na categoria “Economia, Administração e Negócios”, foram selecionados, entre outros, livros abordando temas principalmente ligados às questões sócio-ambientais e à inovação, como pode ser conferido na lista dos finalistas, clicando no seguinte link.

Postado em Notícias, Redes | 22 comentários »

Colaboração pelo Google Wave

Não há dúvidas que uma das ferramentas mais utilizadas na Internet é o e-mail. Até hoje, contrariando a lógica de rápida evolução da Internet, poucas transformações foram observadas no e-mail desde que ele passou a ser web-mail e gratuito. Mas, isso pode mudar.

Recentemente, a Google apresentou uma “nova ferramenta colaborativa” (mais uma), tendo como base as trocas de informações por e-mail. Chamada de Google Wave, a ferramenta é um mashup da vários serviços já existentes, que pretende tornar as interações diáticas e estáticas do e-mail em uma “experiência viva, compartilhada e instantânea”. Outra novidade é que o Wave será uma inovação colaborativa da Google, pois a empresa abriu o protocolo para a contribuição e o aprimoramento de desenvolvedores externos, os quais precisam se cadastrar no seguinte link. A apresentação do Google Wave está disponível on-line, mas, para quem não entende muito bem a língua inglesa e nem tem tempo para assistir os 80 minutos da apresentação, trago aqui uma breve explanação feita em português pelo Jornal o Estado de SP.

 

 

Mas, será que esta tecnologia irá substituir o e-mail completamente? Acredito que não. Apesar das vantagens da colaboração em rede, não penso que tudo possa ser realizado através de interações múltiplas. O Google Wave é apenas uma ferramenta. Para que essa colaboração “viva, compartilhada e instantânea” ocorra precisa haver uma coordenação muito boa entre os envolvidos. Assim, acredito que em projetos conjuntos ele possa ajudar, mas, na comunicação diária, o e-mail permanecerá imperando. Concordam?

Postado em Empresa 2.0, Inovação Colaborativa, Redes | 82 comentários »

The Future is Open

O futuro está aberto?
 
Na verdade, o título remete a um comercial feito pela IBM para promover o uso do Linux. A empresa aproveitou a variação no verbo “to be” para afirmar que o futuro é “open“. Veja o vídeo.

O vídeo é bom, mas quando a IBM o apresentou em 2003 ela não imaginava o quanto estaria correta. Hoje, o mundo organizacional é muito mais aberto do que a cinco anos atrás, (até a inovação é aberta), fruto da massificação das tecnologias 2.0. Não há dúvida que em breve a frase da IBM possa ser alterada para “The Company is Open“.

Mas a questão continua. Como gerenciar uma empresa aberta? Todo estudante de administração aprende a gerenciar uma empresa fechada em suas fronteiras. E se a gestão da empresa estiver inter-relacionada com a gestão de outras empresas? O que fazer? Quais são as ferramentas?

Dizem que o conhecimento de um administrador fica obsoleto em cinco anos. Parece que, agora, o conhecimento em administração é que está ficando obsoleto a cada cinco anos! Concordam?

Postado em Empresa 2.0, Inovação Colaborativa, Redes, Sem Categoria | 41 comentários »

Rede Social para Inovar

Este post é uma indicação da mestranda Janine.

A Universidade de Turim, ao norte da Itália, vem desenvolvendo desde o início deste ano uma iniciativa singular na área da inovação colaborativa. Ela criou a rede social enzima p  para aproximar todos os agentes que trabalham de alguma forma com inovação. Os idealizadores da rede acreditam que a melhor forma de potencializar ideias criativas é unindo os diferentes conhecimentos de empresários, pesquisadores, agentes públicos e interessados em geral.
 

imagem

 

A rede social conta hoje com 627 associados de diferentes setores como eletrônica, energia e aspectos ambientais. Através da rede, os idealizadores acreditam ser possível indicar as necessidades de apoio, contatar possíveis solucionadores de problemas, promover a própria empresa ou as competências indivuduais de profissinais, discutir tendências, etc. Esses ganhos podem ser observados no caso do setor têxtil destacado no site.

Aqui mesmo no Brasil há vários outros exemplos de integração para a inovação, mas muito deles centrados em parques e pólos tecnológicos, os quais privilegiam a questão da proximidade locacional como fator de estímulo à cooperação. Porém, estudos demonstram que a simples proximidade não leva ninguém a colaborar (veja a tese de doutorado do Balestrin). A formação de redes sociais trazem duas vantagens em relação aos parques e pólos: eliminam a necessidade de proximidade física e promovem uma necessária interação entre os participantes.

Para mais informações, a rede social enzima p da Itália pode ser contatada no e-mail info@enzima-p.it .

Postado em Inovação Colaborativa, Redes | 23 comentários »

Colaboração na Índia

 
Um grupo presente em 73 países, com mais de 4 mil lojas e 86 mil funcionários não precisa  de mais ninguém para expandir os seus domínios, certo? Errado! As Lojas Zara, cujo proprietário, Amâncio Ortega, integra a lista dos dez maiores bilionários do mundo, precisou se associar com o grupo industrial Tata para entrar com tudo no concorrido mercado indiano. A parceria, noticiada pela Times OnLine no mês passado, acordou a criação uma nova empresa na qual a Inditex, dona da Zara, irá possuir 51% das ações. As duas primeiras lojas serão abertas em 2010, nas cidades de Nova Deli e Bombaim.
 
Para a Tata, que já possui parcerias com outros grupos varejistas estrangeiros, esta estratégia coletiva permite diversificar suas atividades a partir de um ativo significativo: o conhecimento do mercado local. Conforme um dos VPs do Grupo Tata, Noel Tata,Há grandes oportunidades para a Zara na Índia. No nosso país, o interesse pela moda é cada vez maior”. Para as Lojas Zara, a parceria é fundamental para os seus planos de expansão nos países emergentes. Sem ela, a adaptação da moda ocidental aos costumes indianos seria muito difícil e o crescimento, certamente, mais lento do que o esperado.

Postado em Notícias, Redes | 38 comentários »

Colaboração na indústria editorial

  
Na semana passada, uma pequena notinha com o título “parceria inédita“ na seção Radar da Revista Veja apontava uma transformação interessante lógica de operação da indústria editorial brasileira. A Record e a Sextante, duas das maiores editoras do país, tomaram uma decisão ganha-ganha no que tange a negociação de direitos autorais. Ao invés de brigarem em um lelilão para ver quem pagaria mais para publicar a continuação de “O mochileiro das galáxias“, optaram por uma solução colaborativa: dividir os custos de aquisição e publicação da obra e dos lucros que vierem a ocorrer. Replico a nota da revista abaixo.

Acabou na semana passada o leilão para a publicação no Brasil do sexto volume da série O Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, que será lançado no ano que vem. Pela publicação, seus agentes vão receber 25 000 dólares. Até aí, beleza. A novidade é que, pela primeira vez, duas grandes editoras – Record e Sextante – formaram uma parceria para arrematar um livro. Em vez de disputarem o leilão entre si, lance a lance, fizeram uma proposta conjunta. Vão dividir todos os custos – e os lucros.”
 
Será esta uma tendência do setor editorial? Ocorrerá o mesmo em outros segmentos como revistas e jornais? Os autores receberão menos direitos autorais? A minha resposta para essas três perguntas é sim! O mercado editorial em língua portuguesa é muito pequeno. A tiragem segue a demanda. Os ganhos individuais não são grandes. Não há (e nem haverá) retorno que valha assumir riscos individuais de grande montante. A cooperação, portanto, torna-se uma alternativa bem interessante! Concordam?

Postado em Notícias, Redes | 8 comentários »

« Entradas prévias