Novos Caminhos

 

O Vinhedo Vermelho – Van Gogh (1888). 

Prezadas Leitoras e Prezados Leitores deste Blog,

Após ótimos anos de crescimento e aprendizado aqui na UNISINOS, chegou a hora de trilhar novos caminhos. Este é um “post” de despedida. O Blog do PPG Direito da UNISINOS passará a ser atualizado por outra pessoa. Agora faço parte do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais (Mestrado e Doutorado) da PUC-RS, e, certamente, ficarei à disposição de vocês para futuros contatos (eis o meu e-mail: josecarlosfilho@terra.com.br).

É possível até que eu finalmente resolva construir um Blog próprio, vamos ver. O fato é que, para mim, foi muito gratificante participar da experiência deste Blog, oportunidade pela qual devo agradecer minha amiga Deisy Ventura, professora do IRI/USP, visto que me instigou a integrar a equipe do Blog quando ela era professora aqui na UNISINOS.

Quero agradecer muito a todos e todas que ao longo desses mais de dois anos colaboraram sempre com seus comentários e posts, especialmente aos alunos e alunas do Programa, razão de ser mais direta dos nossos esforços profissionais, aos professores e professoras, parceiros de caminhada e realizações e à Vera e à Simone, queridas e dedicadas secretárias do Programa. Para todos vocês, um abraço fraterno (ZK – 21/03/2010).

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O Segundo Ano do Blog do PPGDireito da UNISINOS

  

Com as cinzas ainda fumegantes do Carnaval, esta vasta e rica festa popular brasileira tão bem definida por Vinícius de Moraes e Carlinhos Lyra na “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas”, iniciamos o segundo ano de existência deste Blog. Sempre bom lembrar as nossas regras e objetivos básicos: o Blog destina-se a ser, em princípio, um espaço de interlocução entre os atores do Programa de Pós-Graduação em Direito da UNISINOS. Quando menciono “atores”, me refiro não só aos alunos, professores e funcionários do Programa e da Graduação em Direito da UNISINOS, mas também àqueles que integram outros Programas de Pós-Graduação e Graduações afins, organizações e instituições voltadas à proteção e promoção dos Direitos Humanos, aos que contribuem para o desenvolvimento da Pesquisa em Direito e em áreas afins, aos que se interessam pelo debate sobre política, artes e cultura, e, de um modo geral, a todos aqueles que se interessam pelos assuntos e comentários aqui veiculados.

O Blog é atualizado semanalmente e conta com o acréscimo, a cada atualização, de um a quatro “posts” em média. Durante o ano de 2008, os professores responsáveis pela maior parte dos “posts” publicados, assim como pela coordenação do Blog, foram a Profa. Dra. Deisy Ventura e o Prof. Dr. José Carlos Moreira da Silva Filho (que é este quem vos escreve e que costuma assinar os seus textos com o seu apelido abreviado: ZK). Com a saída da Profa. Deisy para integrar o Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI/USP), a coordenação do Blog fica agora ao meu cargo. Ao longo de 2008 a Deisy nos brindou com “posts” e comentários brilhantes e inestimáveis, pelos quais a agradecemos. De todo modo, conforme já assegurou, continuará participando do Blog (agora mais com comentários do que com “posts”). Atualizar o Blog é uma tarefa muito gratificante mas que ocupa um bom tempo. Assim, diante do contexto, conclamo os demais colegas professores deste Programa, os alunos (doutorandos, mestrandos e bolsistas de iniciação científica) e funcionários a me enviarem durante as semanas que virão ”posts” nos moldes dos que aqui publicamos durante todo o ano passado. Os temas que aqui são tratados estão relacionados genericamente nas categorias que se apresentam à direita, logo no início da página do Blog. Basta que enviem o texto, a indicação de uma figura ou vídeo (neste caso o endereço no youtube) para encabeçar o “post” e uma breve apresentação do autor ou autora (dispensada para os professores do PPGD é claro) ao meu e-mail (josecarlosfilho@terra.com.br). O convite é também extensível aos outros atores do Programa, já mencionados acima.

Outra regra importante deste Blog é que todos aqueles que queiram participar do diálogo através dos comentários aos “posts” devem se identificar, assumindo, portanto, suas opiniões e ponderações. Para os que são novos neste espaço, sejam bem-vindos. Sugiro que examinem com tempo os textos, os arquivos, os desenhos, as fotos e os comentários que foram publicados no Blog durante o ano de 2008. Aos leitores habituais também dou as boas-vindas para mais um ano de leituras e diálogos, conclamando todos e todas a participarem de modo ainda mais presente com os seus comentários (ZK, 25/02/2009).          

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A alma boa de Setsuan, de Brecht (and bye, bye Unisinos)

Bueno, depois da despedida da UNISINOS, chegou a hora de me despedir também deste blog, que fica nas maravilhosas mãos do Zeca e da sua equipe.

Este ano e meio no PPG tornou-se uma de minhas melhores experiências (idéia e obra da Jânia, my sister). No plano humano, o mais importante, fechou-se com chave de ouro numa noite de salsa radical, e em nosso ateliê de metodologia da tarde ressaqueira seguinte, quando o Hector concluiu sua fala/homenagem com a impagável expressão: “Warat falta” ! Não há como agradecer ao Bolzan e ao Lênio esta grande oportunidade profissional, assim como à Vera e à Rose, aos meus colegas professores e aos alunos, sinceramente queridos, pelo muito vivido, de trabalho intenso e alegre. Mas confesso que, entre as tantas atividades de que tive o gosto de participar, este projeto de “corredor virtual” do programa de pós-graduação me marcou como algo mais do que exitoso.

Nestes 9 meses, ouvimos ecos da nossa aventura blogueira pelo Brasil afora, além dos comentários (no próprio blog ou em nossos emails pessoais ou em corredores de verdade) de muitos brasileiros que nos acompanham pelo mundo. Zeca e eu dedicamos uma boa parte do nosso tempo a este projeto, inclusive para aprender como funciona um blog, eis que ambos éramos novatos. Creio que conseguimos construir um espaço alternativo de expressão acadêmica e política, modesto e diminuto, mas descolado, aberto e limpo. Parto, então, para me dedicar a um projeto de espaço virtual internacionalista, que entrará no ar no ano que vem e dará um trabalho danado. Afinal, é preciso saber escolher, pontuar as f(r)ases da vida. Mas não apenas por isto: este “lugar” é do PPG/Unisinos e são os atores do programa, liderados pelo Zeca, que devem dar a ele o seu próprio rosto. Não obstante, acompanharei fiel e atentamente este blog, mandando de vez em quando meus comentários.

Pois é a hora do meu último post e eu quis escrevê-lo sobre a nova montagem de “A alma boa de Setsuan”, dirigida por Marco Antônio Braz e estrelada por Denise Fraga. Confesso que fui ao teatro só porque estava com vontade de rir. Ousei levar comigo uma grande amiga argentina, Adriana Dreyzin, alma cosmopolita e sensível, apesar do “fenômeno Globo” – refiro-me a pessoas que saem de casa apenas para ver artistas famosos, e ser vistas, ou contar que foram a uma bela sala, pagaram caro pelo ingresso, e fulano de tal é gay ou mais baixinho do que parece. Logo, atendem celulares, conversam alto, vestem-se como nas revistas, gargalham compulsivamente, procuram colunáveis na platéia… aquela agitação no palco até atrapalha! Pois, já na chegada, Denise desconcertou os ávidos de celebridade: lá estava ela na porta, avoada e sorridente, distribuindo folhetinhos. Depois, decepção ainda maior: havia muito a ser entendido naquelas piadas tristes. O texto de Brecht é estupendo e o elenco de primeira linha; o cenário é feérico. e a dinâmica da montagem lembra muito os geniais Monty Python. Nós que estávamos prestando a atenção, rimos e choramos muito. Mas apesar da casa cheia toda a temporada, o público sai muito contrariado ao final. E é fácil entender porquê.

Os deuses vão a Setsuan em busca de uma alma boa, cuja simples existência provaria que não fracassaram como deuses. Denise interpreta a prostituta Chen Te, única alma boa que acharam. Os deuses premiam-na com uma grande soma. Chen Te não sabe o que fazer com tanto dinheiro. Para enfrentar a horda de oportunistas que dela querem aproveitar-se, cria uma segunda identidade: veste-se de homem, fica malvada e assim inventa o primo Chui Ta. Começou por necessidade, mas depois Chen Te acabou gostando de transitar de um personagem a outro. A sucessão de eventos nos quais se envolve é fascinante, a riqueza material crescendo junto com terríveis dilemas pessoais, especialmente um amor não correspondido (ah, bruta flor do querer…, diz o Caetano na minha poesia musical preferida). Não contarei a trama, salvo que, ao final, todos pensam que o vilão Chui Ta seqüestrou ou matou a prima Chen Te. Os deuses vêm, então, acudi-la. Ela tenta contar a eles que Chui Ta e Chen Te são a mesma pessoa, mas os deuses não querem ouvir.

Diz ela: “como é difícil este vosso mundo!/ A fome é tanta, é tanto o sofrimento!/ Quem procura ajudar a um desgraçado/ Acaba se desgraçando também/ Quem é que pode resistir assim/ à tentação de ser também ruim/ Se, para não morrer/ A carne alheia se tem de comer? (…) Alguma coisa deve estar errada/ Em vosso mundo: por que é que o mal/ É premiado e o bem não ganha nada/ Quando por sorte não é castigado? (…) ver a miséria alheia/ Às vezes me fazia sofrer tanto/ Que eu virava uma loba enfurecida:/ Sentia a boca inchar como um focinho/ E as melhores palavras que eu dizia/ Me arranhavam por dentro como cinza… (…) Para os sublimes planos/ Vossos, ó Deuses, eu era somente/ Um pequenino e pobre ser humano!”. Mas os Deuses, apressadíssimos, perdoam tudo, porque o que importa a eles é saber que ainda existe uma alma boa no mundo. Chen Te ainda grita: “mas eu sou também aquela alma perversa de quem tanto falaram mal”. Eles dizem “seja boazinha e tudo bem”. Ela se desespera: “mas eu preciso do meu primo para viver!”. Os deuses respondem: “Basta sê-lo uma vez por mês”. E somem, deixando-a perplexa, jogada à própria sorte partida ao meio. Uma vez por mês, para não perder tudo, ela encarnará o primo mau…

Como se isto já não fosse suficiente para desgostar a audiência, quando o pano desce, o elenco se dirige diretamente ao público e Denise recita os versos de Brecht que tomo emprestados como despedida: “Talvez nada nos ocorra agora, de puro medo:/ Isto acontece! Entretanto, como encerrar este enredo?/ Já batemos o bestunto e nada achamos no fundo:/ Se fossem outros os homens, ou se outro fosse o mundo,/ Ou se os Deuses fossem outros ou nenhum – como seria?/ Nós é que ficamos mal, sem nenhuma fantasia!/ Para esse horrível impasse, a solução no momento/ Talvez fosse vocês mesmos darem trato ao pensamento/ Até descobrir-se um jeito pelo qual pudesse a gente/ Ajudar uma boa alma a acabar decentemente/ Prezado público, vamos: busque sem esmorecer!/ Deve haver uma saída: precisa haver, tem de haver!” (DV, SP, 29/11/08).

Veja lindas fotos da montagem em: http://diversao.uol.com.br/album/a_alma_boa_de_setsuan_album.jhtm

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Sobre o Blog do PPG Direito

Conheça a justificativa, os objetivos e a estrutura e do Blog do PPG Direito. E não deixe de conferir sua atualização a cada domingo.

Trechos do Projeto

Responsáveis: Deisy Ventura e José Carlos Moreira da Silva Filho (coords.), Jânia Saldanha, José Luís Bolzan de Morais e Têmis Limberger

Colaboradores: Vera Loebens (Secretaria), Anarita Araújo Silveira, Ângela Araújo da Silveira Espíndola, Valéria Ribas do Nascimento (Doutorado), Carla Schaffer, Danilo Simionatto Filho, Daniele Sandri, Cícero Krupp da Luz, Carolina Suptitz, Mateus Müller, Priscila Werner e André Chaves (Mestrado), Clarissa Tassinari e Natália Ostjen Gonçalves (Graduação).

Imagem (supra): Arthur Piza, La balade du petit carré III, 1973 (acervo MAM)

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