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	<title>Comentários em: A Tragédia no Haiti</title>
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		<title>By: Pâmela Marques</title>
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		<dc:creator>Pâmela Marques</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 13:21:36 +0000</pubDate>
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		<description>Querido ZK!

Passando por aqui e vendo sua referência ao Haiti, não pude deixar de enviar meu relato sobre a participação do Lula no FSM 2010 e sua referência ao Haiti. Desde ontem eu estou acompanhando o Fórum Social Mundial aqui em Porto Alegre. Depois de uma manhã marcada por ausências (do Wallerstein, no painel sobre a conjuntura política mundial, e de profundidade, nas falas dos dois latino-americanos que compunham este painel com um frances e um americano - que tristeza! Eles ainda referem-se com mais propriedade a nossos problemas do que nós próprios), parti para uma tarde cheia de expectativa em torno da vinda do Presidente Lula.
Saí do apartamento, no Bairro Petrópolis, por volta de 16:30. Fiz o trajeto de ônibus (mais tarde repararia que a maioria das pessoas presentes chegou assim ao Gigantinho) e constatei que Porto Alegre tem uma população negra expressiva, que não é vista porque não está nos circuitos &quot;tradicionais&quot;. 
Cheguei as 17 no Gigantinho e cheguei tarde. As 18 horas da tarde, horario indicado para o início do pronunciamento do Presidente Lula aos integrantes do Fórum Social Mundial, a fila em frente ao Gigantinho não parava de crescer. Naquele horário, policiais que faziam a segurança no local já estimavam mais de 7 mil pessoas ansiosas pela abertura dos portões. Torcedores do Internacional ali presentes (o Gigantinho fica ao lado do Beira Rio, estádio do time de futebol Internacional, em Porto Alegre, RS) repetiam, entre si, que havia &quot;mais movimento do que em dia de jogo&quot;. 
A espera, que ultrapassou duas horas desde o horário previsto, foi compensada. O que se seguiu, desde a primeira palavra do Presidente, de fato, lembrava um espetáculo. Em seus 40 minutos de fala, o Presidente &quot;prestou contas&quot; de seu governo ao público que, ha cinco anos atras, lhe recebeu com vaias. Falou na criação de escolas técnicas, na restruturação de universidades, falou em mudança na história. Lembrou - com a tranquilidade de quem venceu o desafio - do clamor para que rompesse o acordo com o FMI em sua última participação no Fórum e lembrou que pela primeira vez em sua história o Brasil não só deixou de ser um devedor, mas passou a ser credor de 14 bilhões. Surpreendendo aqueles que esperavam uma manifestação eleitoreira, o presidente falou de cooperação com os países pobres, lembrando que, há pouco tempo, o continente africano ainda era visto como uma mancha negra abaixo da Europa para as relações exteriores, e que o Haiti, antes do terremoto que lhe recolocou na mídia, foi ignorado por aqueles que poderiam ajudá-lo. Contrariando as manifestações comuns de lamento pela tragédia, a menção ao Haiti veio cheia de indignação em relação àqueles que somente agora acordaram para a situação de negação de direitos basilares que lá se vive. Mas a fala foi além. Podendo pedir o que lhe interessasse àquele séquito fiel que lhe ouvia, aplaudia e se emocionava com ele, Lula pediu pelo Haiti. Ao final de sua fala apelou aos membros do FSM para que dedicassem o ano de intervalo entre o forum de 2010 e o de 2011 para a contribuição à reconstrução do Haiti. Fazendo isso, o estadista respondeu ao apelo de ilustres participantes do forum, tal como Boaventura de Souza Santos e Anibal Quijano, para que o forum fosse além do debate e se tornasse ação e proposição. O Presidente Lula tem bons ouvidos. E uma língua cada vez mais oportuna.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Querido ZK!</p>
<p>Passando por aqui e vendo sua referência ao Haiti, não pude deixar de enviar meu relato sobre a participação do Lula no FSM 2010 e sua referência ao Haiti. Desde ontem eu estou acompanhando o Fórum Social Mundial aqui em Porto Alegre. Depois de uma manhã marcada por ausências (do Wallerstein, no painel sobre a conjuntura política mundial, e de profundidade, nas falas dos dois latino-americanos que compunham este painel com um frances e um americano &#8211; que tristeza! Eles ainda referem-se com mais propriedade a nossos problemas do que nós próprios), parti para uma tarde cheia de expectativa em torno da vinda do Presidente Lula.<br />
Saí do apartamento, no Bairro Petrópolis, por volta de 16:30. Fiz o trajeto de ônibus (mais tarde repararia que a maioria das pessoas presentes chegou assim ao Gigantinho) e constatei que Porto Alegre tem uma população negra expressiva, que não é vista porque não está nos circuitos &#8220;tradicionais&#8221;.<br />
Cheguei as 17 no Gigantinho e cheguei tarde. As 18 horas da tarde, horario indicado para o início do pronunciamento do Presidente Lula aos integrantes do Fórum Social Mundial, a fila em frente ao Gigantinho não parava de crescer. Naquele horário, policiais que faziam a segurança no local já estimavam mais de 7 mil pessoas ansiosas pela abertura dos portões. Torcedores do Internacional ali presentes (o Gigantinho fica ao lado do Beira Rio, estádio do time de futebol Internacional, em Porto Alegre, RS) repetiam, entre si, que havia &#8220;mais movimento do que em dia de jogo&#8221;.<br />
A espera, que ultrapassou duas horas desde o horário previsto, foi compensada. O que se seguiu, desde a primeira palavra do Presidente, de fato, lembrava um espetáculo. Em seus 40 minutos de fala, o Presidente &#8220;prestou contas&#8221; de seu governo ao público que, ha cinco anos atras, lhe recebeu com vaias. Falou na criação de escolas técnicas, na restruturação de universidades, falou em mudança na história. Lembrou &#8211; com a tranquilidade de quem venceu o desafio &#8211; do clamor para que rompesse o acordo com o FMI em sua última participação no Fórum e lembrou que pela primeira vez em sua história o Brasil não só deixou de ser um devedor, mas passou a ser credor de 14 bilhões. Surpreendendo aqueles que esperavam uma manifestação eleitoreira, o presidente falou de cooperação com os países pobres, lembrando que, há pouco tempo, o continente africano ainda era visto como uma mancha negra abaixo da Europa para as relações exteriores, e que o Haiti, antes do terremoto que lhe recolocou na mídia, foi ignorado por aqueles que poderiam ajudá-lo. Contrariando as manifestações comuns de lamento pela tragédia, a menção ao Haiti veio cheia de indignação em relação àqueles que somente agora acordaram para a situação de negação de direitos basilares que lá se vive. Mas a fala foi além. Podendo pedir o que lhe interessasse àquele séquito fiel que lhe ouvia, aplaudia e se emocionava com ele, Lula pediu pelo Haiti. Ao final de sua fala apelou aos membros do FSM para que dedicassem o ano de intervalo entre o forum de 2010 e o de 2011 para a contribuição à reconstrução do Haiti. Fazendo isso, o estadista respondeu ao apelo de ilustres participantes do forum, tal como Boaventura de Souza Santos e Anibal Quijano, para que o forum fosse além do debate e se tornasse ação e proposição. O Presidente Lula tem bons ouvidos. E uma língua cada vez mais oportuna.</p>
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