Para encerrar o ano de 2009 aqui no Blog, transcrevo no dia de Natal o Poema de Natal, do nosso poetinha, e que, na minha opinião consegue sair daquele senso comum modorrento no qual as comemorações do Natal muitas vezes esbarram. Sensível, humano, verdadeiro, qualidades do Vinícius de Moraes (ZK, 25/12/2009).
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

27/12/2009 às 23:04
Realmente foge bastante de qualquer clichê de Natal. Nos faz pensar muito, e a publicação do poema nesta data, em especial, da novo significado à comemoração.
Parabéns.